Arquivo do mês: março 2013

Quando a pressa encontra o jeitinho de levar vantagem Ou Quando o ídolo encontra o medo na vontade de comer

Por Alex Mirk

O oba-oba dos gargantas do mundo da bola deu algumas estremecidas durante essa semana. Pena que às vésperas da Copa do Mundo é inconveniente e até anti patriótico, como diria José Marin Marin, fazer críticas à gestão do futebol brasileiro. Que relação pode existir entre as ameaças de morte que o atacante Eto’o diz ter sofrido pela Confederação Camaronesa de Futebol e a nossa CBF? E quais lições podemos tirar da interdição do estádio do Engenhão, erguido às pressas para o Pan-Americano do Rio, para a Copa de 2014?

Pra começar, vamos ao desde-sempre capenga e impopular estádio do Engenhão, oficialmente chamado João “Trambiqueiro” Havelange, interditado pela Prefeitura do Rio de Janeiro por risco de desabamento da sua cobertura. Eduardo Paes, que toca o bonde sem freio carioca, comentou o fato em entrevista de 8 minutos à TV Globo. Até houve certa tentativa do programa em colocar o prefeito contra a parede, mas ele saboneteou com a mesma solução que livrou a cara de Serra, governador de São Paulo quando as obras da linha amarela abriram uma cratera em Pinheiros em 2007, engolindo dezenas de imóveis e matando 7 pessoas: a culpa é do consórcio!

Apesar de um culpado ter surgido, a exemplo de Serra, o próprio Eduardo Paes explicou que o buraco é mais embaixo. A não ser que um milagre aconteça, a lambança da cobertura do Engenhão pode até ser de quem construiu, mas a responsabilidade será toda da prefeitura do Rio. E por que isso? Simplesmente porque na época da construção do estádio, o consórcio formado pelas construtoras Odebrecht e OAS aproveitou o abandono da obra para assumir o projeto às pressas, com a condição de que os riscos seriam exclusivamente da prefeitura do Rio de Janeiro. E assim surgia mais uma farra das empreiteiras, que podem fazer o que quiserem sem risco de serem responsabilizadas e terem suas imagens arranhadas. Afinal, está tudo no nome de um consórcio formado por empresas cujos nomes a imprensa costuma esquecer.

No caso do buraco aberto nas obras do metrô, até agora ninguém foi responsabilizados entre as empreiteiras do consócio Via Amarela – Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez. Assim será com o Engenhão, e claro, quem pagará o pato será o contribuinte, que cairá novamente no conto do titio Eduardo e esquecerá logo o assunto. Seria loucura imaginar que novos consórcios, conduzidos pelas mesmas corporações de sempre, vão deitar e rolar nas construções apressadas para a Copa do Mundo do ano que vem? Ou seria demência duvidar disso?

Agora o leitor se pergunta “mas que cazzo o Samuel Eto’o, referência dentro da área das jogadas do Ronaldinho Gaúcho na época do Barça e um dos maiores goleadores africanos de todos os tempos, tem a ver com a CBF?”. A verdade é que, objetivamente, não tem nenhuma ligação. Porém, proponho uma reflexão sobre o que está acontecendo em outra facção criminosa, digo, confederação de futebol e que pode ter paralelos no coronelismo de chuteiras brasileiro.

Em fevereiro, Eto’o contou a uma publicação camaronesa que dirigentes da Confederação de Futebol do país (FCF) queriam assassiná-lo. O motivo seria a campanha feita pelo atacante contra os “corruptos e incompetentes” cartolas camaroneses, que para ele deveriam renunciar imediatamente. Talvez a maior personalidade viva do país, Eto’o disse que não tem coragem de colocar as camisas da seleção que a federação dá, pede diretamente da Puma, patrocinadora da equipe, e que não faz refeições junto com companheiros da seleção para evitar que coloquem veneno na comida.

Se à primeira vista a atitude do jogador parece exagerada e esnobe, imagine-se sendo alguém que nada contra a corrente em um país destacado entre os líderes mundiais em corrupção, politicamente instável, que tem o mesmo presidente desde 82 e cuja renda per capita diária é de pouco mais de 1 dólar. Mesmo que o diretor de comunicação da CFC tenha razão em afirmar que o Eto’o vale mais vivo do que morto para eles, é difícil acreditar que o jogador tenha interesse em desestabilizar o país, como ele justificou.

Fazendo um paralelo com o Brasil, fico imaginando como seria a reação da CBF se o Romário ainda jogasse na seleção e já estivesse colocando o dedo na ferida dos poderosos. Imagino a Globo ignorando o baixinho na saída do gramado ou o Felipão inventando motivo médico na frente das câmeras para cortá-lo. Seria tragicamente hilário. Sorte dos caciques brasileiros que o craque da vez só pensa em pentear o cabelo e dar rolé de iate.

Neymar_Bieber

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QUER ME FUDER ME BEIJA!

capitão fabio

Por LGFerreira

Conhece o capitão Fábio? Ele é um dos PMs do filme Tropa de Elite. Não sei se a frase foi inventada no filme, mas em um dado momento este capitão lança a máxima: ´´quer me fuder me beija´´. Era um contexto ali de divisão de propina e outros assuntos oficiais com meliantes da mesma patente que queriam fude-lo. Assim como o Chico Buarque eternizou o lado romântico do banditismo com a música ´´o meu guri´´, José Padilha eternizou o PM sacana com este personagem. Te fode com risadinha entendeu? Pô, melhor assim né não? Melhor ser fudido e receber um belo sorriso do que ser fudido por alguém com a cara amarrada. Fudido mesmo, com a letra u de cú, apesar do corretor ortográfico do meu computador achar que sabe mais de palavrão que eu e me mandar escrever fuder com o.

Bom, foda-se, o que quero dizer é que nem todos os fodedores do nosso país mandam beijos ou sorrisos. Vejamos os estádios da Copa. Quem não frequentou muito o conclave da fumaça lembra que o finado mais bem pago do Brasil – Ricardo Teixeira – afirmou com todas as letras que não haveria dinheiro público na construção dos estádios. Todos rimos sabendo que depois choraríamos. Dito e feito. Quando não totalmente, fica perto disso a porcentagem de dinheiro público em tais construções, porém, há mais dinheiro por vir para encher os bolsos de nossos políticos.

Romário, sempre ele, já havia cantado a bola de que os estádios seriam entregues com atraso proposital. Por que proposital? Muito simples, porque se há urgência no término de determinada obra a licitação pode ser dispensada e é neste momento que a grana flui melhor. Para ficar melhor explicado, a licitação é o meio pelo qual o governo contrata obras, serviços, compras e vendas. Esta definição está no artigo 37, inciso XXI da Constituição. Para toda contratação do governo existe todo um trâmite a ser seguido, tentando diminuir ao máximo a probabilidade de qualquer coisa irregular. Porém, como quase tudo no direito e no Brasil, há brechas para que a licitação seja dispensada. Elas estão elencadas no artigo 24 da lei 8.666 de 1993, que regula exatamente o artigo citado acima.

Assim, a dispensa da licitação nada mais é do que a contratação direta, sem qualquer trâmite mais complexo, pelo governo. Em linguagem de gente normal, desde o tijolo até o telão do estádio poderá ser comprado diretamente do fornecedor, propiciando o superfaturamento, que já foi instituído como fenômeno natural no nosso país assim como as mortes pelas chuvas de verão. Ainda haverá o controle de Tribunal de Contas e essas coisas, porém, diante da urgência, qualquer investigação só será concluída quando as contas dos responsáveis já estiverem cheias, ou devidamente vazias.

Este é o problema que falei no começo. Tem aqui um político arfando na minha nuca, sussurrando pornografia no meu ouvido, com a chapeleta apontada bem pro meio do meu brioco e eu não ganho nenhum sorrisinho? Acho que essa é a tal da corrupção ativa. Ativa e sem sentimentos.

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O Guindaste e o Operário

“- Mas papai – disse Josep chorando -, se Deus não existe, quem fez o mundo?

(…) – Bobo. Quem fez o mundo fomos nós, os operários.” Eduardo Galeano (O livro dos abraços)

 

Em um desses dias chuvosos de março de 2013, estive no bairro da Lapa tomando uma cerveja com um grande amigo corintiano. Mas um corintiano vèro. Daqueles que odeiam o Sheik e amam o Sócrates. Um daqueles poucos que vivendo no Brasil cometeram a ousadia de conhecer a própria história e cultivar a memória e a consciência. Ele havia levado para visitar as obras do estádio do Corinthians um grupo de alemãs que está estudando os efeitos sociais da Copa do Mundo no Brasil. A Odebrecht, empreiteira que está construindo o estádio, armou um baita passeio turístico pela obra. Entre as muitas maravilhas da tecnologia moderna mostradas pelos guias da empresa, um guindaste atraiu o olhar desse amigo.

O tal do guindaste estava lá mais para erguer as coberturas do estádio do que para o trabalho cotidiano. E o manejo deste trator exigia extremo cuidado e enormes recursos financeiros. A Odebrecht paga para desmontar, transportar e montá-lo no lugar da obra. Paga também pela hora de uso o valor de 5 mil reais. E depois ainda paga para desmontar, transportar e devolvê-lo ao galpão de onde pertence. Faça chuva, faça sol, o maldito guindaste é tratado como um rei, com despesas reais, ainda exigindo um profissional especializado para manejá-lo. Fica uma pergunta: será que algum dos humildes operários que de fato está erguendo o estádio recebe por mês, entre salário e cuidados, o que esse trambolho consome em uma hora?

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O JORNALISTA MORTO

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Por LGFerreira

Saíram duas reportagens no site da Globo, agora em março, sobre a morte de um jornalista esportivo. O nome dele era Valério Luiz e foi morto a tiros, no dia 05 de julho de 2012, em Goiânia.

Resumidamente, o caso foi que o jornalista, torcedor do Atlético Goianiense, fazia duras críticas aos dirigentes do time, em especial a Adson Batista e Maurício Sampaio, sendo que este último está preso por “suposto” envolvimento no crime.

Lendo a reportagem podemos chegar a algumas conclusões importantes e que transcendem a rixa que originou o crime. Os links são estes:

http://m.globoesporte.globo.com/go/noticia/2013/03/morte-na-radio-parte-1-o-crime-que-levou-um-clube-paginas-policiais.html

http://globoesporte.globo.com/go/noticia/2013/03/morte-na-radio-parte-2-o-futebol-na-investigacao-de-um-assassinato.html

Como isso não repercutiu no Brasil todo? Eu mesmo nunca tinha ouvido falar deste crime que aconteceu em julho do ano passado! A experiência mostra que quando o caso é grave e não há repercussão existe gente graúda no meio. A desavença entre Valério Luiz e Maurício Sampaio era grande e estava tomando proporções ainda maiores, inclusive com o impedimento de ele entrar nas dependências do clube e o assédio aos seus chefes para demiti-lo. Chegou ao cúmulo do assassinato.

O Brasil está na lista dos dez países mais perigosos para os jornalistas (http://noticias.terra.com.br/mundo/estados-unidos/brasil-entra-em-lista-de-10-paises-mais-perigosos-para-jornalistas,3628a798579dc310VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD.html), ou seja, exercer a liberdade de expressão aqui é bastante perigoso.

Não há nenhum estado brasileiro onde não haja senhores de engenho que determinam o certo e o errado, que o governo não seja conivente com os poderosos, que a população não sofra com a violência e com a corrupção.

Este caso específico é o estereótipo da sociedade brasileira. O jornalista sem medo, o cartola de rabo preso e a atitude ignorante. Depois há o abafamento do caso, a confusão de depoimentos dos envolvidos, uma prisão ou outra por pouco tempo e na sequência tudo fica exatamente como estava. Sabe o que é pior do que um governo corrupto? Um governo incompetente. Quando juntamos os dois dá isso aí que assistimos todo dia no Cidade Alerta.

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A máscara tá caindo!!!

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Por F.Filó

Pois é. parece que a “casa tá caindo” para José Maria Marin e sua corja.

Depois de escrever um texto (aqui e aqui) sobre os absurdos da CBF e comentar alguns fatos relacionados com o presidente desta entidade, um vídeo divulgado no YouTube dispensa maiores comentários.

O cara simplesmente admite que tem conhecimento de negociatas, usa palavras de baixo calão e ainda “ameaça” os irmãos, também safados e envolvidos no esquema, da BWA (empresa que comercializa ingressos).

Mas, por incrível que pareça, ainda há uma pessoa decente lutando contra esses absurdos no futebol. Ele mesmo, o melhor atacante que eu já vi jogar: Romário!!!

O ex-jogador e hoje deputado federal está mandando ver na câmara e fazendo de tudo para que esses bandidos tenham o que merecem – a PRISÃO.

Logo após a divulgação do vídeo, Romário mostrou sua indignação e disse que “está na hora de dar exemplo ao Brasil”.

http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2013/03/20/romario-pede-prisao-de-marin-esta-na-hora-de-dar-exemplo-para-o-brasil.htm

Bom, eu acho difícil que algo aconteça com Marin, Del Nero e quem estiver envolvido, mas pelo menos ainda há uma pontinha de esperança…. ainda há quem deseja ver o futebol progredir…

É esperar para ver o que vai acontecer!!!!!!!

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Se não é do povo, de quem é o futebol?

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O que você faria se flagrasse a sua mulher (ou homem) te traindo no sofá da sala? Particularmente, eu não sei o que eu faria, mas a Federação Paulista de Futebol e as autoridades de segurança pública têm uma solução infalível para esse problema: jogar o sofá no lixo. É impressionante como uma mentalidade tacanha e retrograda está dominando o futebol brasileiro travestida de modernidade e altos investimentos. Para entender esse processo kafkiano, temos que voltar alguns belos anos no passado.

Voltemos a 1995, mais precisamente na final da Super Copa de Futebol Junior, em que o Palmeiras sagrou-se campeão diante de São Paulo com um gol de Rogério na prorrogação. Nesse dia o que menos importou foi o resultado do jogo e quem saiu ou não saiu campeão. Fato é que houve uma das maiores, senão a maior, batalha entre torcidas organizadas dentro de um estádio. Fato este muito mal explicado até hoje. Por que havia material de construção ali? Tijolos, barras de ferro, pedaços de pau, ferramentas e todo tipo de objeto que pudesse ser usado como arma. Ingressos gratuitos: quando a esmola é demais, o santo deveria desconfiar. Enfim, após essa tragédia ainda mal contada a Mancha Verde foi teoricamente extinta depois de forte pressão do ministério publico, principalmente de Fernando Capez, procurador de justiça na época, hoje o deputado estadual mais votado com quase 216 mil votos. Com isso proibiram também as bandeiras de bambu, o papel picado, e diversas outras coisas, de alta periculosidade segundo esse senhor, que não tinham outra função senão colorir as arquibancadas.

http://www.youtube.com/watch?v=oFVqcK8m0s0 (O vídeo é uma reportagem do jornalista Mauro Naves da Rede Globo um dia após o incidente)

Ao mesmo tempo começava a Ronaldomania. No ano seguinte o fenômeno seria eleito melhor jogador do mundo pela primeira vez. Apesar de ter começado no São Cristovão do Rio de Janeiro (sem nunca haver voltado lá depois de sua saída) e ter tido uma brilhante passagem pelo Cruzeiro antes de se mandar para o velho continente, Ronaldo não era até então identificado com nenhum clube nacional. Sua idolatria vinha dos gols que marcava no PSV, no Barcelona e na seleção brasileira; e também, principalmente das matérias especiais que o fantástico e o globo esporte faziam sobre o rapaz. Estava aí o personagem perfeito para a unificação nacional digamos: não despertaria sentimentos clubistas de rejeição, sua identidade seria apenas ligada à seleção brasileira. E o engraçado é que apos o fiasco de 98 em que o garoto propaganda da Nike refugou na final da Copa do Mundo, a ligação entre a seleção e o povo foi esvaindo-se.

Veio o ano 2000 e o bug do milênio não trouxe as bandeiras de volta. Os preços dos ingressos já estavam mais caros e, em 2003, uma inovação tremenda. “Nossa, que legal! Agora o campeonato brasileiro será de pontos corridos. Igual na Europa!!” Há dois tipos de argumentos a favor desse tipo de campeonato: os abertos e os obscuros. É um campeonato mais justo que premia o time que planejou mais, investiu mais e manteve uma certa regularidade ao longo do ano. Também é ótimo para os apostadores. Mas e as finais que paravam o país? Não se pode parar nem mais aos domingos. Clubismos a parte, em 2005 houve um baita escândalo de vendas de resultados por árbitros da CBF.

Ao longo desses 10 anos de pontos corridos, o poder da Globo sobre o futebol brasileiro se tornou absoluto, vimos a ascensão dos clubes de aluguel e agencias de jogadores de DVD; patrocinadores, cartolas, árbitros e tribunal de justiça desportiva se tornaram figuras centrais roubando a cena de jogadores e torcedores, não a toa que em uma escalada de quinze anos vimos uma decadência não só institucional mas também técnica do futebol brasileiro. Me mandem para a cadeira elétrica, mas ninguém me convence que o Neymar é melhor do que Denner, Edilson, Edmundo e tantos outros que chacoalhavam as redes e entortavam as colunas dos adversarios nos anos 90. Segurem o papagaio na Copa do Mundo ano que vem!

Não era para menos se vermos quem está no comando das federações. A Paulista por exemplo, já está faz tempo, assim como estavam as subprefeituras da capital do Estado, na mão de militares. A comissão de arbitragem por exemplo, na mão do Coronel Marcos Marinho, o mesmo que nutre ódio por torcedores organizados, como você ver no link a seguir(http://cruzdesavoia.wordpress.com/2009/02/16/quem-e-coronel-marinho/).

Em setembro de 2011, fui à FPF para um pronunciamento do presidente Marco Pólo Del Nero e do Coronel Marinho sobre medidas a serem tomadas para coibir a violência nos estádios. O que mais me chamou a atenção não foi o discurso de ódio aos pobres e nem às organizadas, pois isso eu já esperava. O que realmente chamou a atenção foi o apelo tecnológico com viés propagandístico da operação que me lembraram as aulas de história sobre o terceiro Reich. Seria então usada uma microcamera de altíssima definição na entrada do estádio e virada para as arquibancadas que leria o “T” facial dos torcedores e seria capaz de identificar e gravar torcedores que num jogo anterior tenham causado tumulto afim de barrá-lo na entrada do estádio. No final das contas, nunca mais ouvi falar desse sistema. Não deu certo? Está sendo usado mas não se fala mais nisso? Por que? Eis uma porrada de questões.

E assim vamos levando, sem esquecer que em 2009, com o Brasil já sabendo que sediaria a Copa do Mundo, o fenômeno voltou para o pais, inaugurando a fase corintiana da Ronaldomania. Não é a toa que na volta do agora Gordo, o Corinthians arrecadou mais do que nos dez anos anteriores e deu o tiro de meta para o estabelecimento das Novas Arenas no Brasil. Ou seja, se já proibiram artefatos festivos, aumentaram o preço dos ingressos absurdamente e a repressão sobre os torcedores pobres (sim, pobres, pois a PM nunca te pede carteirinha de Organizada na hora de te dar uma cacetada grátis) só faltava uma medida para redefinir de vez o futebol como esporte ativo para a elite e passivo para o povão: a destruição da tribuna popular, da geral, da arquibancada. A destruição física e não mais simbólica dela. Que coloca no povão numa situação que se consumir televisão e produtos do clube amado, já estará cumprindo com sua obrigação de torcedor.

E para piorar ainda mais o quadro, Romário marcou um golaço ao pedir que a comissão da verdade investigasse o passado do atual presidente da CBF até descobrir o seu direto envolvimento com o regime ditatorial e o assassinato do jornalista Vladmir Herzog no Doi Codi.

Será que essa herança de 1964 na CBF e nas federações estaduais e a aplicação do capitalismo selvagem extremo na lógica do futebol não são diretamente responsáveis por essa falência futebolística? Será que deixar os clubes reféns da Globo e dos grupos empresariais é a maneira de fazer com o nosso futebol ande para frente? E será que reprimir e expulsar 85% do povo brasileiro dos estádios de diversas formas é a solução para a violência? Esse povo tem história apesar de não conhecê-la e precisa ser respeitado. Foi ele que nos anos 10 e 20 democratizou o futebol paulista. Palestra Itália e Corinthians na sua fundação, trouxeram para os operários e para os campos de várzea o doce prazer de tocar o céu na dança da bola, tirando dos jardins a antiga hegemonia do futebol citadino. Hoje, o inverso acontece. Porém, fora das quatro linhas, em meio a um jogo mentiroso e uma guerra velada.

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ESTE SENHOR

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Por LGFerreira

 

O cerco está se fechando contra o ladrão de medalhas, este senhor conhecido como José Maria Marin, presidente da CBF. Antes de continuar o texto segue o link para a assinatura da petição pedindo a saída desta figura obscura da presidência.

http://www.avaaz.org/po/petition/Jose_Maria_Marin_Fora_da_CPF/

Este senhor deve ser ser extirpado não só da CBF como de qualquer outro cargo que tenha conexão com o povo, de forma representativa ou não. Como já citado aqui no blog (https://destilariadabola.wordpress.com/2013/03/19/sao-os-torcedores-mesmo-que-estragam-o-futebol/)  e para citar apenas os motivos mais aparentes, este senhor roubou uma medalha da final da Copa São Paulo de Futebol Júnior, fez um gato na rede elétrica e foi um grande colaborador da ditadura.

Nas palavras da ministra dos direitos humanos Maria do Rosário: “Eu penso que todas as pessoas que comprovadamente estiveram envolvidas em situação de morte, tortura e desaparecimentos forçados não devem ocupar funções públicas no país. Porque os que cometeram – e se cometeram comprovadamente estes atos –, traíram qualquer princípio ético de dignidade humana e não devem ocupar funções de representação”.

Como integrante do partido de situação à época (ARENA), a responsabilidade, mesmo que indireta, existe em crimes cometidos pela ditadura diante do suporte político. Todos que foram integrantes deste partido deveriam ser enquadrados na linha de pensamento da Ministra, pois se já apoiaram uma vez o opressor fica clara a falta de comprometimento moral com a população.

O político ícone contra a situação moral e física deplorável do esporte do nosso país é o Romário. Contrariando o senso comum, ele apareceu e se faz notar pelas benfeitorias e não pelos roubos, como seus colegas de parlamento. Este é o discurso que o Romário fez pedindo justiça, a saída deste senhor da CBF e mais clareza nos atos da entidade:

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=U2JDyhXp2B8

Para finalizar, não custa nada tentar acabar também com a imbecilidade de não poder levar bandeiras com mastros aos estádios paulistas. Esta é a petição sobre o assunto:

http://www.avaaz.org/po/petition/A_volta_dos_Mastros_de_Bandeiras_nos_estadios_do_Estado_de_Sao_Paulo/?ahqJxbb

Os motivos relacionados nesta petição no “por que isso é importante” são válidos, mas falta uma complementação. Neste texto publicado aqui no blog, falamos um pouco sobre este assunto https://destilariadabola.wordpress.com/2013/03/18/29/

É isso aí, passou da hora de nós, os torcedores, tomarmos as rédeas do futebol!

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