A PM TEM QUE ACABAR

Couro comendo

Couro comendo

Em meio às notícias da iminente eliminação do São Paulo na libertadores, hoje, dois dias após, a imprensa paulistana teve tempo de publicar alguma coisa sobre a briga de quarta-feira entre os jogadores do Arsenal da Argentina e a PM mineira.

Muito se falou da atitude acertada de nossos fardados diante da folga dos argentinos, que sempre se valem de catimba e violência nos jogos, além de terem tido a “ousadia” de afrontar nossas “autoridades”. De fato, o Arsenal é um time ridículo, assim como o Tigre, que deu porrada – e perdeu na bola – para dois grandes times brasileiros.

No entanto, o buraco é mais embaixo. Neste mesmo jornal que li as notícias deste jogo, vi também, em outro caderno, manchetes do tipo “afastados três PMs no DF após morte “por engano”, “denúncias contra policiais cresce 35% em São Paulo” e uma outra referente às indenizações dos familiares dos mortos no massacre do Carandiru. Abusos, violência, erros, excessos, mortes, sempre as mesmas notícias quando a polícia está no meio.

A nossa polícia é militarizada como o próprio nome diz, ou seja, o trato com o civil, o pensar antes de agir conforme alguma ordem dada e a performance para resolver coisas corriqueiras não são atributos dela pela própria formação e função que exercem. Sabemos que os policiais, muitas vezes, vêm de famílias de baixa renda, o que os leva a ter uma educação escolar precária. Sabemos que seus salários são baixos e as condições de trabalho são horríveis. Sim, sabemos de tudo isso porque são fatos incontroversos. Então por que continuamos insistindo para que pessoas despreparadas façam a nossa proteção e mantenham a ordem?

Digo isso especificamente em relação ao futebol. Do lado de fora dos estádios não temos opção. Infelizmente é o Estado que manda do portão pra fora e ele está nas mãos desse monte de lixo que vemos todos os dias, porém, do lado de dentro há salvação. Um dos poucos exemplos que acho que devemos seguir dos campos europeus é exatamente relacionado à segurança, que é feita por pessoal treinado pelos clubes. Nas palavras de Antero Greco sobre o caso “a polícia em campo é outro símbolo de distorção, pois deveria cuidar da segurança nos arredores, na rua. Dentro do estádio, numa atividade privada e que visa ao lucro, a manutenção da ordem caberia aos mandantes (como na Europa) com gente treinada para conter qualquer tumulto. Mas os anfitriões nunca são cobrados e pouco se lixam. Até se alegram se os visitantes levarem bordoadas”.

Sábias palavras. Os presidentes de clubes e confederações estão se lixando para os torcedores, do mesmo modo que os governantes estão se lixando para a população. Não são os filhos deles que sofrem com o despreparo da polícia, seja na rua ou dentro do estádio. Tão pouco são estes mesmos filhos os despreparados. Na minha opinião, é uma guerra perdida se dependermos da conscientização de cima para que não ocorram casos do tipo que vimos em Belo Horizonte. A mudança tem que vir do povo, no caso, os torcedores. Será que se não fossem policiais naquele jogo o desfecho seria diferente? É obrigação dos clubes, para o bem do futebol, tentar esta alternativa.

Só para finalizar, sem entrar no mérito do certo e errado, a treta começou pelos empurrões da polícia em um jogador, como se vê por esse vídeo aqui. Na próxima pancadaria vamos discutir quem é o certo e o errado e se armas, escudos, capacetes e coletes à prova de bala são suficientes para bater em pessoas desarmadas.

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1 comentário

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Uma resposta para “A PM TEM QUE ACABAR

  1. Comentário perfeito o seu LGFerrreira.. reflete exatamente o que acontece … minha opinião eh totalmente igual a sua!! mandou bem!!!

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