A REVOLUÇÃO DOS BICHOS

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Outro dia, vendo algum jogo na TV e ouvindo aqueles comentários pontuais, me passou pela cabeça escrever sobre os bundões do jornalismo esportivo. É um grupo seleto formado pelos caras mais ponderados e polidos. Encabeçam a minha lista Caio Ribeiro e Flávio Prado. Não vale citar o Galvão e o Tiago Leifert porque eles são uma mistura ainda indefinida de elementos horríveis que os colocam num patamar inigualável de imbecilidade. Também não podemos confundir o bunda mole com o chato, senão a lista fica muito grande, pois teríamos que incluir PVC, PC Vasconcellos, Chico Lang, Milton Neves, Neto, Renato Prado, etc.

Fadado ao fracasso por ser muito provável me perder em meio a tanto potencial, resolvi separar os genes dos bundões dos genes do resto. Resultado da definição dos nádegas: aquele cara que fala, fala e não fala nada. Quando resolve emitir uma opinião, e é contrariado, volta atrás rapidamente por achar que desagradou. Nunca critica nada que envolva gente poderosa, apenas quando a maré favorece. Não xinga ninguém, faz só comentários técnicos. Enfim, caminha na confortável linha entre o nada e o lugar nenhum.

Dada a suma importância deste assunto para a humanidade, pulei da profundidade de pires para prato de sopa e cheguei à conclusão que não apenas os jornalistas são bundões. Os próprios jogadores se calam diante das insanidades do futebol. Não digo apenas dos jogadores brasileiros, pois não tem um gringo que abra a boca também. Mas devemos cobrar atitudes políticas dos jogadores? Devemos cobrar atitudes políticas de qualquer um?

O que devemos cobrar é uma atitude coerente e solidária. O impacto social do futebol é profundo, então os jogadores devem, primeiro, observar as milhões de coisas erradas dentro do seu mundo e, em segundo lugar, se conscientizar de que a melhoria para ele irá atingir tantos outros, dentro e fora das quatro linhas. É cíclico, é a pedra fundamental de qualquer relação social, é a obviedade: o bem de todos é o bem individual.

O jogador bom de bola, mesmo que de forma involuntária, é colocado no centro do palco. Desta mesma involuntariedade surgem as cobranças dentro e fora de campo. Nós podemos nos contentar em apenas ver nossos novos milionários desfilando dentro do campo, porém, eles deveriam se impor. O calendário, por exemplo, é absurdo e mesmo assim são poucos os que se manifestam, sendo que apenas quem perde é o jogador em todos os aspectos da sua vida. Desgasta saúde e família.

Vejam o barulho que o Romário está fazendo. O cara é um dos maiores da história, o que facilita que a sua voz reverbere cada vez que fala, se tornando mais contundente se for algo importante, como ele está fazendo. Portanto, existe uma facilidade da pessoa que já é pública ser ouvida.

Só que o senhor Romário recentemente disse que apoiaria Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians, para a presidência da CBF. Vamos refletir. O nosso novo paladino da justiça disse que apoiaria uma pessoa que até alguns meses atrás sentava à mesa com Marin e Del Nero. Saiu porque não se dava bem com eles, preferia o Ricardo Teixeira. Vez ou outra pipocam denúncias sobre comissões de venda de jogadores e a transformação do Corinthians num balcão de negócios. Relações políticas bastante obscuras com as organizadas dão o ar da graça de vez em quando. Acho que a revolução do Romário tem endereço, nome, sobrenome e limite. Claro que não há como invalidar suas ações que, de fato, podem despoluir um pouco o esgoto que é a CBF, mas até que ponto ele pretende a mudança?

Que fique claro que estamos falando do futuro da Confederação Brasileira de Futebol e não foi citado o nome de nenhum jogador da ativa. Parece uma discussão de corrida de cachorros. Os astros principais vão sempre cumprir seu papel com fidelidade canina enquanto os donos do esporte apenas desenvolvem novas formas de ganhar dinheiro os explorando. Certa vez, esta figura deplorável que é o Joseph Blatter, disse a respeito da possível formação de um sindicato internacional de jogadores: ´´A FIFA não fala com jogadores. Os jogadores são empregados dos clubes´´. Não preciso dizer mais nada, né?!

revolucaodosbichos

Será que é muito utópico pedir ao Neymar que pare de rebolar a bunda no Faustão e diga o que acha de ter que jogar duas vezes na semana durante 10 meses do ano? Pedir ao Cristiano Ronaldo que pare de ficar se olhando no telão e questione o abismo financeiro de cotas de televisão de Barça e Real para os outros times? Que os jogadores do Vasco façam greve para receber seus salários, ou um movimento para tirar o presidente do poder? Que os profissionais denunciem as condições de trabalho dos jogadores jovens, que na maioria dos clubes é totalmente precária? É muito pedir que apenas se manifestem?

Há uma ânsia, pelo menos no Brasil, de identificar um outro Sócrates. Fala-se muito de Paulo André, mas as raras críticas dele aos dirigentes tem a periculosidade de uma arma de brinquedo. Os jogadores são tratados como um objeto, como um bicho a ser adestrado. Em nenhum lugar que haja dinheiro e poder os detentores destes elementos querem que aqueles que geram suas riquezas se manifestem. Este é um dos motivos de calar as torcidas, que tem a audácia de fazer protestos nas arquibancadas.

A mais nova do Del Nero agora é inventar torcidas uniformizadas com monitores. Ele deve pensar que vai dar uma festa infantil, não é possível. Na cabeça de quem passa semelhante cretinice? Claro que pelo grau de retardo desta ideia as suas intenções não são das melhores. É uma desculpa, sob o manto da violência das organizadas, para acabar com elas. Só que o buraco é mais embaixo. Em dado momento da entrevista o presidente da FPF diz que ´´até vai poder protestar´´. Veja bem, até vai poder. Então agora chegamos ao cerne da questão. São uns indisciplinados esses meninos e isso não pode.

Outro dia também o ex-presidente do Sport disse que pagou para que o Leomar fosse convocado para a seleção em 2001, que era dirigida pelo Leão. Diante da falta de provas e da negativa óbvia de todos os envolvidos, o STJD resolveu abrir um inquérito contra Luciano Bivar. Alguém acha que é mentira essa história? Ela é completamente plausível e vários dirigentes agem dessa forma. É uma coisa comum até. Alguns clubes europeus apenas aceitam jogadores que tenham tido um determinado número de passagens pela seleção do seu país, ou seja, o cara é convocado aqui, ali e pronto.

Diante disso, perdeu-se uma ótima oportunidade de escancarar os porões do futebol através do apoio de outros dirigentes a Luciano Bivar. Muitos poderiam corroborar e trazer novas acusações. Motivos não faltam agora, mas se algo deste porte acontece a cúpula da CBF ia ruir, bem como a de alguns clubes.

Para o futebol se tornar menos obscuro as cúpulas de poder tem que ser reformuladas. Porém, isso é briga de cartola, que por mim poderiam ser jogados numa caixa para brigar até a morte. Para a democratização do futebol a torcida tem papel central e mais ainda os jogadores. Estes mesmos caras que nos proporcionam o espetáculo, que ganham somas astronômicas e tem alto status fora do esporte, são tratados como lixo pelos clubes, federações e FIFA. Lembra da corrida de cachorros que falei? Pois é, se os cachorros se revoltam não tem mais esporte.

 

 

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