DICIONÁRIO DE CRIANÇAS CORRUPTAS SURPREENDE ADULTOS

 

criança roubando

 

Fonte para melhor compreensão: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/05/130518_dicionario_criancas_colombia_aw_cc.shtml?ocid=socialflow_facebook_brasil

 

 

 

São definições cheias de podridão e malandragem, apesar da pouca idade de seus autores. Ou talvez por isso mesmo.

 

Vão desde A de agente de jogadores (“Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro em dinheiro”, segundo Juan Figer, de 8 anos), até V de violência (“Aquilo que a gente planta nas torcidas para ter desculpa depois pra bater”, na definição de Coronelzinho Marcos Marinho, de 7 anos).

 

O dicionário está no livro “Casa das mamatas: o universo afanado pelas crianças”, uma obra que surpreendeu ao se tornar o maior sucesso da Feira Internacional do Livro de Brasília, no final do mês de abril. A surpresa aconteceu especialmente porque o livro foi publicado pela primeira vez em 1999, foi roubado e reeditado no início desse ano.

 

“Isso me faz pensar que o livro continua revelando, continua falando sobre as pequenas coisas”, disse ao Destilaria da Bola Ronaldo Nazário, que compilou as definições feitas por crianças do mundo todo que se relacionam com o futebol, depois vendeu essas crianças e lucrou bastante com isso.

 

“Eles têm uma lógica diferente, outra maneira de entender o mundo, outra maneira de habitar a realidade e de nos revelar muitas coisas que esquecemos”, diz o ex-craque.

 

É assim que, no peculiar dicionário, a aguardente é uma “transparência que se pode tomar e deixa zonzo” (Luis Inácio, 9 anos), um camponês “não deve ter casa, nem dinheiro, somente serve para ser desalojado em época de Copa do Mundo” (Sérgio Cabral, 6 anos) e a Colômbia é “uma partida de futebol com muitas linhas brancas” (Diego Maradona, 2 anos).

 

Além disso, uma das definições de Deus passa a ser “eu” (Joãozinho Havelange, 11 anos, o mais velho dos ouvidos no livro), a escuridão “é como os esportes olímpicos no Brasil” (Carlos Nuzman, 9 anos) e a solidão é “viver nos EUA em uma mansão, ganhando 300 mil de salário depois de roubar todo mundo” (Ricardo Teixeirinha, 4 anos).

 

‘Outra visão do mundo’

 

As definições – quase 500, para um total de 133 palavras diferentes – foram compiladas durante um período “entre oito e dez anos”, enquanto Nazário trabalhava como garoto-propaganda de armas em diversos conflitos armados ao redor do mundo.

 

“Na criação literária fazíamos negociatas, inventávamos histórias para se dar bem. E a gênese do livro é um dos exercícios que fazíamos”, conta ele, que agora é coordenador de grandes eventos esportivos para enriquecer empresas ricas.

 

Ele diz que teve a ideia de pedir aos pequenos uma definição do que era um jogador de futebol, em uma comemoração na FIFA.

 

“Me lembro de uma definição que era: ‘um jogador de futebol é um amigo baladeiro que tem o cabelo curtinho, toma muito rum e vai dormir mais tarde’ (Romário, 4 anos). Eu adorei, me pareceu perfeita.”

 

“As crianças escolheram algumas palavras e eu também: palavras que me interessavam, sobre as quais eu me perguntava. Mas não fugi de nenhum”, afirma Nazário.

 

No dicionário aparecem temas do cotidiano da FIFA, como propina e “corruptor”, pessoa que se desloca pelos países, geralmente fugindo de alguma polícia. Um dos alunos definiu a palavra futebol como “um prejudicado pelos dirigentes”.

 

Aprender a escutar

 

Para a publicação, Nazário corrigiu a pontuação e a ortografia das definições escolhidas, mas afirma não ter tirado nenhuma das palavras por “questões de segurança”, tendo em vista o nível de periculosidade moral de alguns pimpolhos.

 

Por isso, o livro mantém a voz das crianças, com suas formas de explicar as coisas e construções gramaticais particulares. José Maria Marin, de 10 anos, define tranquilidade como “por exemplo quando na ditadura os torturadores diziam que iam te torturar e depois apenas te matavam com um tiro na cabeça”.

 

O ex-craque diz que o respeito à voz das crianças também é parte do sucesso do livro, que tentou reeditar em 2005 e 2009, mas foi punido pelo STJD.

 

As vendas do livro ajudaram a financiar as atividades do Comitê Organizador da Copa no Brasil atualmente dirigida por Nazário, que continua convidando as crianças a deixar a imaginação voar com outras dinâmicas delinquentes.

 

“Nós adultos somos condescendentes quando falamos com as crianças e deve ser o contrário, deveríamos prende-los. Mais que nos abaixarmos temos que ficar na altura deles, por mais rasteiro que seja. Estar à altura deles é nos inclinarmos para olhar as crianças nos olhos e falar com elas cara a cara. Escutar suas dúvidas, seus medos e seus desejos. Ser assaltado, roubado ou apenas enganado. Estes pequeninos marginais têm muito a nos ensinar”, diz.

 

marginal

 

Sabedoria Infantil

 

  • Agente de jogadores: Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro em dinheiro (Juan Figer, 8 anos)
  • Aguardente: Transparência que se pode tomar e deixa zonzo (Luis Inácio, 9 anos)
  • Campeonatos de futebol: Onde os empresários se apresentam (Marquinho Polo Del Nero, 7 anos)
  • Camponês: Não deve ter casa, nem dinheiro, somente serve para ser desalojado em época de Copa do Mundo (Sérgio Cabral, 8 anos)
  • Colômbia: Uma partida de futebol com muitas linhas brancas (Diego Maradona, 2 anos)
  • Dinheiro: Aonde? (Joseph Blatter, 6 anos)
  • Deus: Eu (Joãozinho Havelange, 11 anos)
  • Estádio: Lugar de silêncio, educação e superfaturamento (Jerome Valcke, 5 anos)
  • Esporte: Não sei o que é isso (Aldo Rebelo, 10 anos)
  • Escuridão: É como os esportes olímpicos no Brasil (Carlos Nuzman, 8 anos)
  • Igreja: Sinônimo de estádio (Margaret Tatcher, 97 anos)
  • Jogador de futebol: Amigo baladeiro que tem o cabelo curtinho, toma muito rum e vai dormir mais tarde (Romário, 4 anos)
  • Mãe: No meu caso quer dizer puta (Carlos Amarilla, 6 anos)
  • Solidão: Viver nos EUA em uma mansão, ganhando 300 mil de salário depois de roubar todo mundo (Ricardo Teixeirinha, 4 anos)
  • Tranquilidade: Por exemplo, quando na ditadura os torturadores diziam que iam te torturar e depois apenas te matavam com um tiro na cabeça (José Maria Marin, 10 anos)
  • Violência: Aquilo que a gente planta nas torcidas para ter desculpa depois pra bater (Coronelzinho Marcos Marinho, 7 anos)

 

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