Arquivo do mês: julho 2013

O choro de Cabral e o choro de Amarildo

Ótimo texto do Lúcio de Castro, da ESPN, que pedimos licença para reproduzir aqui.

Originalmente publicado neste link: http://www.espn.com.br/post/345573_o-choro-de-cabral-e-o-choro-de-amarildo

“Não me dão pena os burgueses
vencidos. E quando penso que vão me dar pena,
aperto bem os dentes e fecho bem os olhos.
Penso em meus longos dias sem sapatos nem rosas.
Penso em meus longos dias sem abrigos nem nuvens.
Penso em meus longos dias sem camisas nem sonhos.
Penso em meus longos dias com minha pele proibida.
Penso em meus longos dias”.

(“Burgueses”, de Nicolás Guillén)

Nicolás Guillén é um poeta maior. Poeta e revolucionário. Quando essas duas coisas se juntam numa só pessoa, virtudes das mais nobres entre as outras, temos aqueles raros: os imprescindíveis. Teoria e prática, intelectuais e homens de ação…Guillén, Ernesto Cardenal, Marti… Pensei muito em Guillén na tarde dessa segunda-feira. Perseguido tantas vezes na ditadura de Fulgêncio Baptista, voltou para Cuba depois da saída do tirano. E quando alguns de seus algozes foram presos, perguntaram a ele o que sentia. Respondeu com o poema “Burgueses”, (com trecho acima reproduzido).

Lembrei-me de Guillén ao ver o governador do Rio acuado, em tom choroso, pedindo ternamente, feito um menino indefeso, que os manifestantes deixassem de fazer seu legítimo protesto próximo a casa dele. Não teve o pudor em poupar o nome e a idade dos filhos para alcançar seu intento. Já não tivera pudor para botar os filhos no helicóptero do amigo empreiteiro da Delta. Mas crianças são crianças e sempre nos tocam. Por algum momento, tal qual o poeta, pensei que iam me dar pena. Por algum momento, pensei em considerar seus argumentos.

Mas tal qual o poeta, apertei bem os dentes e fechei bem os olhos. Pensei nos filhos de Amarildo, o pedreiro da Rocinha que sumiu depois de ser visto pela última vez nas mãos dos servidores de Cabral, símbolos da política de segurança do governador. Tal qual o poeta, pensei nos longos dias da mulher e dos filhos de Amarildo. Sem camisa nem sonho, com a pele proibida…São tantos Amarildos nesse Brasil onde pobres não tem sapatos nem rosas nem tampouco direitos. Muitos no Rio de Cabral, que nunca pensou no filho de nenhum deles.

Tal qual o poeta, pensei nos longos dias das famílias da Maré, dos trabalhadores assassinados sem qualquer razão. Cabral ainda não falou sobre eles…Poderia lembrar de tantos outros como os da Maré…Pensei nos longos dias das pessoas vítimas de crimes forjados, prática tão comum por aqui, mais ainda com a política de Cabral.

Pensei nos meninos da Escola Friedenreich. Alguém há de me lembrar que ela é municipal. Não esqueci. Mas está saindo para que o governador melhor sirva seus amigos que ganharam o Maracanã. Tal qual o poeta, pensei nos longos dias sem abrigo nem nuvens daqueles meninos. Alunos de uma escola de excelência, forjaram ouro no meio do nada. Imaginem o trauma desses meninos quando souberam que iam sair dali. Cabral pensou neles?

Pensei de novo nos versos citados do poeta, dos dias sem abrigo nem nuvens (que imagem!) das vítimas das remoções criminosas de todos aqueles que estão no caminho dos “grandes eventos”. Quão longos e traumáticos devem ser os dias dos meninos que tem um “X” desenhado na porta da casa humilde indicando que ela será posta abaixo. Cabral pensou neles? Alguém novamente lembrará que muitas dessas remoções são municipais. A força que dá o pé na porta é estadual. E afinal, seria ser muito idiota da objetividade achar que @sergiocabralrj e @eduardopaes_ são tão diferentes assim.

Pensei nos longos dias dos meninos que iam pelos braços dos pais na geral do Maracanã. Viam o jogo na carcunda dos pais, naquele ritual que todo homem sonha, o rito da passagem. Agora exclusivo dos que podem pagar o setor vip. Do Maracanã ferida que não fecha, como definiu tão bem Pedro Motta Gueiros. Destruído por Cabral rasgando a lei. Destruído com aval do IPHAN na calada da noite, como agem aqueles que não são transparentes. Ele mesmo que agora diz não ser um ditador. Ele mesmo que publicou o decreto 44.302/2013, da CEIV, Comissão Especial de Investigação de Atos de Vandalismo em Manifestações Públicas, que rasgava a constituição. Quem rasga a constituição é o que? O governador de tantos atos de exceção.

Por sorte, a sociedade civil e todos seus instrumentos se fizeram representar e vem forçando essa recuada do ditador que sonhou ser, acuado, patético como todo ditador acuado. Espécie de Sadam Hussein no buraco, Kadafi na manilha. Ele, Cabral, desnudo em sua patética biografia que vai se desmilinguindo. Que há poucos dias tirou os mesmos manifestantes debaixo de pauladas e gases, sem pensar nos filhos deles, na calada da noite. Agora, na fragilidade do buraco e da manilha onde os ditadores se esvaem, apela para um discurso emocional.

Mesmo pensando em nossos longos dias, não deixaremos de pensar em duas crianças. Que não pediram isso. Oxalá possam lá na frente superar o trauma do pai ter deixado tal obra. Realmente elas nada tem a ver com tudo isso. Não precisam ver que na esquina do pai deles falam um monte de verdades sobre ele. Ainda bem que tem a opção nesses dias de sair dali. Ir por um tempo para o Palácio das Laranjeiras. Ou quem sabe para a Mansão de Guaratiba. Talvez não dê mais para ir de helicóptero, abateram o governador-voador, o do reino do guardanapo, em plena farra aérea. Mas ainda dá para passar uma temporada longe dos protestos na mansão comprada com o suor do trabalho do pai deles. Desejo isso do fundo do coração. Crianças não tem mesmo que passar por isso.

Lamento apenas que os filhos do Amarildo não tenham palácios ou mansões pra onde correr. Lamento apenas que os filhos da Maré não tenham para onde correr. Lamento apenas que os meninos que iam na carcunda do pai na geral do Maracanã não tenham para onde correr. Lamento apenas que os filhos dos removidos não tenham para onde correr. E então, “quando penso que vão me dar pena, aperto bem os dentes e fecho bem os olhos”. Pela certeza de que os acampamentos seguirão. Até que se preste conta de tudo. E para que se saiba que foi longe demais na farra.

 

Ps- se botar um pouquinho a cabeça para fora do buraco ou da manilha, o governador vai ver que as pessoas passam pelos acampados buzinando, abrindo a janela dos carros, gritando palavras de força. Para aqueles acampados pacificamente, vale dizer. E que os vizinhos, que poderiam estar incomodados, levam refeições, agasalhos. Pelo menos se pouparia de perder tanto tempo pensando em teorias da conspiração, manipuladores. É apenas a conta de tanto desmando que chegou. É aquela turma da “pele proibida” que veio cobrar a conta.

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Futebol é do povo, não dos milicos!

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Da partida entre Grêmio e Fluminense, em Porto Alegre, não é a lembrança do gol de cabeça do estreante paraguaio Riveros (usando a inspiradora 16 de Jardel) ou do tapa de Kleber pra balançar o barbante já no fim do jogo que a torcida vai levar para casa. Desde a inauguração do novo estádio, o que quase sempre se leva de recordação são confrontos entre Brigada Militar e Geral do Grêmio.

No (apenas) segundo jogo do Grêmio às 16h da tarde de um domingo no estádio inaugurado há 8 meses, mais uma vez os militares mostraram toda arrogância, petulância e truculência no qual se forjaram desde o dia da mentira em 1964. Para começo de conversa, quando militares saem impunes depois de atacar e matar civis cotidianamente, como a execução de 10 moradores do Complexo da Maré (RJ) no último mês, ou depois de desaparecer com um morador da Rocinha (Cadê o Amarildo?!), está caracterizado o estado de exceção – apesar de levar o nome “democracia”.

Nesse contexto, o processo de arenização dos estádios brasileiros serve apenas às mordaças que o capital impõe à sociedade e a escola brasileira de futebol está sendo tortura e suicidada pelos governantes. Tudo como dantes no quartel de Abrantes.

Junto com os novos palcos, veio a ideia cretina apoiada por grande parte da mídia de “mudar a forma de torcer”. Porra mermão, futebol é trago, alento e amizade. Festa do povo! Nada mais, nada menos. Não tem que inventar. Não tem que comparar com os europeus, tampouco se inspirar no Modelo Tatcher de futebol.

Gremio v Liverpool - Santander Libertadores Cup 2011

Voltamos à Porto Alegre, terra de Juliano Franczak, o Gaúcho da Geral. Estava lá o bagual torcendo pelo Grêmio, como faz há anos: pendurado na mureta, tremulando a bandeira do Rio Grande do Sul, vestindo bombacha e a camisa do imortal. Não me lembro qual o último jogo do Grêmio em casa que o Gaúcho não estivesse à frente da Geral. Nunca procurou confusão.

Acontece que, desta vez, a confusão procurou-o. Com a perna machucada, Juliano Franczak foi ao estádio e teve permissão da Brigada Militar para entrar no estádio com muletas. Empolgado com os ídolos de 1983, homenageados em campo pelos 30 anos da conquista da primeira Libertadores do Grêmio, ou seja lá por que for, o Gaúcho decidiu usar a muleta como mastro de sua bandeira. Maior afronta que isso, só tirar a camisa e xingar o juiz.  Dado o claro ato de vandalismo, a Brigada Militar decidiu que aquela era uma atitude temerária e inapropriada e foi tirar o torcedor das arquibancadas.

A resistência

Sem respeito algum, os “cães” empurraram o cidadão (que estava com a perna machucada), causando a revolta da Geral. Nem spray de pimenta conteu o ímpeto geraldino, que correu a polícia como cachorrinhos acuados em canil. Assim que foram saídos da Geral, os brigadianos que escoltavam Juliano para fora do estádio decidiram que ele pagaria a conta da treta: borrachadas covardes na nuca e nas costas.

A covardia

Se a arenização dos estádios trouxe o Modelo Tatcher de torcer, que traga, também, a extinção da Brigada Militar nos mesmos espaços.  Aproveitando o embalo, por que não limar essa corja do trato com a população no país todo? No mundo todo? A bem da verdade, é que a ditadura acabou há quase 30 anos, mas a repressão militar continua institucionalizada no Brasil. Chega de chacina, fora polícia assassina!

ALERTA, ALERTA, ANTIFASCISTA!!!!!!

Recordar é viver: Hoje reli uma notícia antiga, mas que vale a pena divulgá-la para quem ainda não tomou conhecimento. É sabido que o conluio entre capital e estado conta com o forte apoio (partidão) da mída – PIG. Pois bem , há momentos em que o estado precisa retribuir o favor. Em dezembro de 2011, o blogueiro  Amilton Alexandre, o Mosquito, foi encontrado morto em seu apartamento, em Palhoça, Santa Catarina. Segundo a polícia, tratou-se de “suicídio por enforcamento”. Mosquito havia denunciado o caso de estupro envolvendo o filho do dono da poderosa RBS, afiliada da TV Goebbels.
Tudo como dantes…. http://www.pragmatismopolitico.com.br/2011/12/blogueiro-que-denunciou-estupro.html

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Bater na Fifa virou esporte nacional

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Fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed756_bater_na_fifa_virou_esporte_nacional

 

O esporte nacional não é mais o futebol. O esporte nacional é bater na Fifa, organizadora da Copa do Mundo. Não importa o que a Fifa diga, está errado – mesmo quando o que a Fifa diz está de acordo com as opiniões de quem a critica. Trata-se a Fifa, nos meios de comunicação, como se fosse uma entidade todo-poderosa, acima dos países e governos, a quem humilha por pura maldade, embora a Fifa seja apenas, para o bem e para o mal (e frequentemente para o mal, já que há inúmeros casos de corrupção a ela relacionados, que sempre procurou contornar em vez de esclarecer), uma empresa privada, não pertencente a governo nenhum, criada e operada com o objetivo exclusivo de desenvolver seus negócios e dar lucros.

Alguns fatos básicos têm sido esquecidos pelo jornalismo deste país – inclusive que, sob o comando da Fifa, o futebol cresceu constantemente no mundo inteiro. Como lembrava o ex-presidente João Havelange, há mais países filiados à Fifa do que à ONU. As tentativas de minar a organização internacional (como a formação de times não-afiliados, em especial o Millonarios, da Colômbia, que reuniu em certa época alguns dos maiores nomes do futebol mundial) sempre falharam. Estarão todos errados, não haverá ninguém que se salve?

1. A Fifa não pediu ao Brasil para organizar a Copa. Vários países, entre eles o Brasil, pediram à Fifa que os escolhesse para realizar o torneio. Entre vários candidatos, o Brasil venceu – não apenas a CBF, Confederação Brasileira de Futebol, mas o Estado brasileiro, já que o presidente da República participou das articulações para que o país fosse escolhido e assinou, oficialmente, uma carta em que se comprometia a realizar ou garantir uma série de providências. Entre elas, por exemplo, providenciar a permissão de venda de cerveja nos estádios, o que era vedado pela lei brasileira. O Brasil poderia ter rejeitado a exigência e a Fifa ou aceitaria a decisão ou realizaria a Copa em outro país. Simples assim.

2. A Fifa não determinou que o Brasil construísse estádios em cidades onde o futebol não é lá muito popular. Brasília, Manaus, Campo Grande provavelmente terão problemas para utilizar os estádios depois da Copa. Quem escolheu essas cidades? O governo brasileiro e a CBF. Se Belém fosse escolhida, em vez de Manaus, para a Fifa não faria diferença. E no Pará o futebol é esporte popular. Em Goiânia há um belo estádio que poderia ser modernizado a custo muito inferior ao da construção de um novo. Em Brasília é bem mais difícil utilizá-lo – a tal ponto que querem importar jogos cariocas para dar-lhe sentido.

3. A Fifa não determinou, também, que a Copa se realizasse em doze cidades-sede. Doze é muito; encareceu as obras (o que talvez tenha deixado muita gente satisfeita), encarecerá o turismo, tornará mais cansativo e mais caro o giro das seleções. Por que doze, e não seis? Porque o Brasil assim o quis.

4. O Brasil precisa de escolas, hospitais, transporte, e não de novos estádios. Voltamos à questão inicial: a opção foi oficial, brasileira. Para realizar a Copa, seria preciso deixar os estádios confortáveis, modernos, prontos para transmissão internacional de TV, equipados para uso de Internet. A Fifa também não obrigou o governo a colocar dinheiro em equipamento esportivo. O governo é que fez as opções: estádios padrão Fifa, muitos deles com dinheiro público. É ruim? Se for, a escolha foi nossa, do nosso governo democraticamente escolhido.

5. A realização da Copa não deixa nenhum legado útil à população do país. Aceitemos, para argumentar, que isto seja rigorosamente verdadeiro (e não é). Mas Barcelona aproveitou a oportunidade dos Jogos Olímpicos para modernizar-se, tornar-se mais bonita, mais agradável, mais acolhedora. A oportunidade é a mesma; se o Brasil a perdeu, não pode botar a culpa em gente de fora.

5. O presidente da Fifa, Joseph Blatter (que este colunista, a propósito, considera uma figura pouquíssimo recomendável), disse que talvez a entidade tenha cometido um erro ao escolher o Brasil para realizar a Copa. Pode ter razão ou não; mas não é exatamente a mesma coisa que dizem os críticos da disputa da Copa no Brasil? Blatter disse, em outras palavras, que poderia ter escolhido lugar mais tranquilo. Poderia; e parece estar arrependido da escolha. Não há em suas palavras, entretanto, nenhuma ameaça imperialista de violar a soberania brasileira e mudar a Copa de país, embora isso possa acontecer (e pelo menos dois outros países americanos, Estados Unidos e México, têm condições de realizá-la com pouquíssimo tempo de preparação). Se isso ocorresse, realizaria o sonho de quem acha que a Copa é um desperdício de tempo e dinheiro. E não seria a primeira vez: a Colômbia, em 1986, desistiu da Copa devido a problemas de segurança, e o México a realizou com tranquilidade.

Quanto ao mais, caro leitor, tanto Blatter como seu adjunto Jerôme Volcker não são pessoas cuja visita possa considerar-se agradável. Só que o problema não é este: os dois, arrogantes, autoritários, prepotentes, antipáticos, foram convidados pelo governo brasileiro. Não vieram à força; foram chamados. É duro admitir, mas estão aqui porque ueremos, conforme decisão de nossos governantes.

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Ponha-se na Rua: mais remoções irão ocorrer em Itaquera

maradona

Por Raphael Sanz e LGFerreira

 

“Si yo fuera Maradona

Saldria en mondovision

Para gritarle a la FIFA

Que ellos son el gran ladron!”

Manu Chao, La vida tombola

 

Em primeiro lugar, gostaria de pedir desculpas aos leitores do Destilaria da Bola pela publicação tardia deste texto. As linhas abaixo se referem a uma audiência pública que rolou no dia 10 de junho, há bem mais de um mês, e que nós inclusive noticiamos. Acontece que, devido à enorme onda de protestos e reivindicações jamais vista pela nossa geração, a equipe do Destilaria acabou se dedicando a outras atividades, por isso algumas coisas ficaram emperradas. Vamos ao que interessa.

Na tarde do último dia 10 de Junho, segunda-feira, ocorreu na câmara dos vereadores de São Paulo uma audiência pública onde supostamente deveria haver um debate a respeito de assuntos relacionados à realização da Copa do Mundo em São Paulo. Acontece que a mesa previa a fala de diversos caga-regras e a grande maioria deles não merece nem ser citada aqui nesse blog, devido a tamanha punhetagem e pilantragem pública em torno de uma Copa do Mundo que já cansou de mostrar seu verdadeiro rosto sombrio da exclusão. Assim, houve pouquíssimo espaço para a sociedade civil se manifestar ali, e os poucos quatro que puderam falar, e levantar determinadas questões, não tinham uma resposta condizente dos que estavam na mesa, que sempre buscavam dar voltas e falar sobre coisas que sequer haviam sido citadas, principalmente indo em direção a discursos ufanistas no que diz respeito a inovações tecnológicas e obras de (des) mobilidade urbana.

SOLENE.

Por volta das 14h30, um represente da DERSA falava sobre obras de alças de ligação nos entornos do Itaquerão e que para tais obras, que facilitariam o escoamento do trânsito, seriam necessárias remoções de casas e comércios do bairro, a cargo da prefeitura. “Mais remoções irão ocorrer em Itaquera, dependemos dessas desapropriações para seguir com as obras viárias, estamos rigorosamente cumprindo este cronograma” afirmou o representante da DERSA cujo nome desconheço. Ainda mostrou através de slides o local exato onde irão ocorrer as remoções: no cruzamento da Radial Leste com a Jacu-Pêssego, exatamente no centro comercial de Itaquera. “Estamos rigorosamente cumprindo este cronograma,” decretou novamente. Portanto, caros amigos itaquerenses, preparem-se!

Outra fala que merece ser citada foi a de Elder Vieira, que é representante do ministério do esporte em SP. Citando Aldo Rebelo, Elder afirmou que “o Brasil está pronto para receber grandes eventos desde a chegada da família real portuguesa em 1822.” Isso mostra um grande problema no sistema de educação do país. Mostra um completo desconhecimento da história do Brasil. Na ocasião histórica, a coroa portuguesa fugia para o Rio de Janeiro graças à invasão napoleônica ao território da coroa portuguesa, em 1.808 e não em 1.822, e, assim, transferiu a capital do império português temporariamente para a cidade maravilhosa. Para abrir espaço à chegada da corte, o governo carioca desapropriou bairros inteiros onde hoje é a zona sul do Rio. Para informar as famílias que seriam despejadas, eram marcadas nas portas das casas as iniciais “P.R.” que significava Príncipe Regente, mas que era compreendida pela população como Ponha-se na Rua. Hoje a história se repete com um novo “ponha-se na rua,” o que mostra que muitas coisas não mudaram desde aqueles velhos tempos. No Rio, em São Paulo, em Fortaleza, Brasília e em todas as sedes da Copa, milhares de famílias estão sendo expulsas por conta das obras dos estádios, de trânsito e pela higienização dos centros turísticos.

Isto foi o que valia ser citado da primeira mesa. Na segunda estavam os figurões Marin, Del Nero, Valcke, entre outros figurinhas. Falamos figurinhas tamanha a pequenez política e moral do resto que compunha a mesa. Não que os outros não sejam pequenos nestes termos, mas é que eles ganham holofotes sozinhos pelos seus crimes, não precisam se apoiar em outros bandidos.

Nesta linha de raciocínio lhes apresentamos o vereador Paulo Reis, idealizador desta mentira que foi a audiência pública, cujo único fundamento era um ficar lambendo a “moral” do outro. Em seu facebook ele aparece todo felizão do lado do Valcke dando o título de cidadão paulistano a ele como representante do Blatter. Porco, sujo, mais um câncer da política, oportunista. Todos estes adjetivos podem ser constatados nas diversas fotos de sua rede social, em que hora aparece dando este título, hora aparece comemorando a desapropriação de prédios para moradia popular no centro de São Paulo. Ora meu amigo, estes que você chupa agora estão jogando milhões de brasileiros na rua e você continua com seu sorrisinho na cara. Vale deixar a fala deste pilantra quanto ao título entregue:

“São Paulo vai ser a Capital mundial do futebol na abertura da Copa, e nós sabemos o que isso significa para nosso povo. E esse título é um simbolismo, representa tudo que está sendo feito nesse sentido, e é também um sinal que a cidade acolhe o presidente Joseph Blatter”

Você foi consultado quanto à acolhida a este bandido da FIFA? Nem eu. Falando em bandido, Marin disse:

“Blatter tem todo o crédito para receber essa homenagem hoje na Câmara. Ele foi o principal responsável pela Copa do Mundo ser realizada em nosso país”

Copiando e colando da própria página do inexpressivo vereador Reis:

Del Nero disse que para ele é uma satisfação ter como conterrâneo, a partir de agora, o presidente da Fifa. “Joseph Blatter é um homem que representa o futebol mundial”.

“Esse título é um ato de reconhecimento ao esforço da FIFA para trazer a abertura da Copa para São Paulo”, afirmou o deputado Vicente Cândido.

Sobre este título dado faço um convite público ao mafioso da vez no futebol mundial que agora que é cidadão paulistano. Já que para o senhor, receber o título de cidadão paulistano é uma grande honra, prove isto! Venha aqui viver, por uma temporada que seja, como um típico paulistano. Que more em um bairro, no mínimo uma hora distante do centro, ande de ônibus todos os dias, se consulte no SUS, tome uns enquadros da pm chegando em casa do trabalho e com um salário ridículo, sustente a sua família e ainda acompanhe religiosamente os jogos de qualquer time gigante desta cidade pagando esse preço abusivo, padrão FIFA, nos ingressos das partidas.

Para finalizar aqui estão as caras dos “homens” que forjaram esta palhaçada, não se esqueçam deles nas próximas eleições:

Vereador Paulo Reis: idealizador da audiência pública para bajular a FIFA

Vereador Paulo Reis: idealizador da audiência pública para bajular a FIFA

José Américo: presidente da câmara e um dos lambedores

José Américo: presidente da câmara e um dos lambedores

Celso Jatene: secretário municipal de esportes

Celso Jatene: secretário municipal de esportes

Vicente Cândido: cara de feijão no toba

Vicente Cândido: cara de feijão no toba

Vereador Alfredinho: pequenez política condizente com o apelido

Vereador Alfredinho: pequenez política condizente com o apelido

Fonte: http://www.camara.sp.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=15824:joseph-blatter-recebe-titulo-de-cidadao-paulistano&catid=37:eventos&Itemid=65

Nota: desnecessário colocar a cara dos ladrões da FIFA e CBF que participaram.

 

 

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Futebol Urgente!

No último dia 19, quinta-feira da semana passada, estreou na Rádio Central 3 o programa Futebol Urgente, com Diguinho, Chico Malta, Felipe Trafa e Fernando Toro. O mote do programa é a critica ao futebol moderno, uma crítica que já se tornou visceral nos dias atuais. O programa apresentou o debate mais sensacional que eu já vi a respeito do futebol. Tomando como gancho alguns fatos, como a privatização do Maracanã, os participantes discutiram os rumos do futebol e suas raízes históricas. Entre uma crítica e outra, Toro comparou o futebol moderno ao sexo virtual, o Neymar à Liza Minelli e até disse ao Casagrande que trocar o “crack” pelo futebol moderno não adiantaria muita coisa. Resumindo, o programa ficou sensacional e pode-se afirmar sem medo algum de que aquilo que você vai ouvir é, literalmente, FUTEBOL NA LATA!!!

Confiram o Futebol Urgente no link abaixo. Vale a pena!

Futebol Urgente – Central 3

Em tempo: gostaria de mandar um abraço aos amigos e colegas Leandro Iamin, Vitor Birner e Chico Malta pelo trabalho que vem sendo realizado na Rádio Central 3.

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A PRIVADA PARTICULAR COMPRADA COM DINHEIRO PÚBLICO POR UMA EMPRESA PRIVADA

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Europa.

Alguns dizem ser o berço e outros o túmulo do futebol. Do fim ao começo não importa. Nós, um dos países com maior tradição no futebol, não frequentamos nossos estádios e eles sim.

Em um levantamento recente, dos 20 maiores públicos do ano o Brasil ficou em 18º, à frente de Suíça e Bélgica.

Só os nossos estádios são menos frequentados que os europeus? Não. Nossas escolas, praças, bibliotecas, parques, hospitais, museus e universidades são menos usados também, ou usados de forma pior.

Para a Copa do Mundo os estádios públicos se tornaram privados e os privados continuaram privados, mas melhorados com dinheiro público.

A CBF, empresa descaradamente corrupta, diz que representa o futebol brasileiro, que é de interesse público, mas apenas explora a marca da seleção, não podendo sofrer nenhum tipo de intervenção por ser privada.

Muitos são os nomes de presidentes e dirigentes de clubes que enriqueceram com dinheiro do público, fazendo lobby com empresas privadas para ganhar um por fora quando os pusesse para dentro.

Outros tantos são os políticos que ficaram milionários por serem servidores públicos, pois acharam que, como sua moral, nosso dinheiro deveria ir para sua privada, literalmente como ocorreu com o futuro ex-herói e potencialmente próximo execrado Joaquim Barbosa.

Para o torcedor do Flamengo – que é do Rio – ver seu time jogar, será necessário ir ao Mané Garrincha, que é em Brasília, cujo aluguel do jogo contra o Coritiba foi de R$ 350.000,00.

Jogou lá porque não se entendeu com os novos donos do ex-Maracanã, que já foi do público, mas agora é do Eike “Chapéu” Batista, ou seja, privado.

Maracanã este que não poderá mais ter bandeiras, apenas camisas que não poderão ser tiradas. Dizem ser pela violência as bandeiras e só pode se pelo frio carioca as camisas.

Imitando os piores exemplos dos europeus, os instrumentos também ficarão de fora e os xingamentos serão devidamente punidos. Fique sentado aplaudindo que serás poupado.

Já o Botafogo, dono de um estádio superfaturado construído com dinheiro público e material de quinta, usou a Arena Pernambuco atingindo apenas 7.000 pessoas de público, o que não foi suficiente para cobrir os custos da concessionária privada, gerando um prejuízo para o clube de R$ 41.000,00.

A confusão dos dirigentes do esporte e do governo entre público e privado precariza o primeiro e enaltece o segundo. O público é para fazer dinheiro e o privado é para tirar dinheiro do público.

Quem pode usar o privado não usa o público. Você prefere a privada da sua casa ou da Praça da Sé? Você prefere o particular hospital Albert Einstein ou o posto de saúde público do seu bairro?

A prioridade está errada, concorda? Ao fatiar público ruim e privado bom é favorecido quem paga.

A dita violência dos estádios afasta o público, mas ela é problema de segurança pública, não do jogo, que é uma atividade privada.

Transfere-se a incompetência governamental ao público, culpado pela violência que é gerada espontaneamente dentro de mentes doentes que sempre tiveram saúde, educação, moradia e transporte de qualidade, tudo público.

O medo é disseminado porque quem tem medo não vai pra rua, não vai ao estádio. Isso resulta num respaldo de números, como citado antes, que autoriza a transformação dos estádios públicos em privados, pois o público nunca tem capacidade de fazer tão bem como o privado no nosso país, pois nosso governo tem uma particularidade pública: roubam demais.

Tentam regrar nos estádios usando a força, mas são os políticos-dirigentes-judiciais que criam os problemas. Não conseguem regrar nem dentro nem fora.

Reprimem uma suposta violência nos estádios de forma equivocada, paliativa, sendo que ela nem existe do tamanho que é dito, é criada, desta vez, por polícia-mídia-torcedor de sofá.

Confundiram cultura comportamental com cultura intelectual e resolveram dar um basta nos problemas públicos com uma atitude tipicamente privada: transformar estádios em bibliotecas.

Resolvido o problema!

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Globufanismo

O rugby é um jogo animalesco jogado por cavalheiros e o futebol é um jogo de cavalheiros jogado por animais (Henry Blaha, jornalista estadunidense)

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Se por um lado, ver qualquer coisa em qualquer canal da globo a qualquer hora é de tirar qualquer ser minimamente inteligente do sério, por outro, ver a vontade global, quase divina, contrariada e frustrada é muito mais engraçado do que um ano inteiro de zorra total concentrado em cinco minutos.

 

Me refiro ao jogo de ontem. Ao primeiro jogo das finais da Copa Libertadores da América deste explosivo 2013, disputada no místico Defensores del Chaco, um baita templo do futebol localizado em Asunción. Um jogo em que decidi assistir por amor ao futebol e especialmente a este que é o maior campeonato de futebol do mundo (fodam-se as Copas da FIFA e as da UEFA).

 

Minha intenção inicial e natural – que é de assistir por amor e admiração ao esporte quando não é o meu time em campo – aos poucos foi mudando. No decorrer do jogo, mais precisamente a cada comentário paquidérmico da equipe do sportv, fui me tornando um torcedor. Quando me dei conta, havia me convertido em um hincha do Olimpia. Paraguaio, fanático e anti-brazuca desde criancinha. Já estava até xingando em “guarañol,” a mescla paraguaia entre os idiomas guarani e espanhol.

 

Isso tudo porque não suporto mais ouvir a voz de Luis Carlos Junior, Milton Leite, Galvão Bueno, Tiago Leifert e toda essa corja de yuppies metidos a besta e o seu ufanismo de quinta categoria misturados a um humor tosco de condomínio fechado. Além, é claro, dessa velha “bundamolice” oficial da nossa (quase) emissora estatal – visto que sem ajuda estatal, a globo teria fechado suas portas em 2003 – que está transformando o futebol brasileiro em uma espécie de golf das massas.

 

Mas voltemos ao assunto: o misto de brasileirismo e ufanismo de quinta categoria que rege a linha editorial do jornalismo esportivo global. Nesse caso, o narrador da partida foi Luis Carlos Junior, ele que embrulharia o estomago na noite de ontem de qualquer amante do futebol, falante de espanhol e apaixonado pelas ligas estrangeiras da nossa América. Por volta dos dez minutos de jogo, ainda com o marcador zerado, a torcida local cantava uma de suas canções a qual era claramente ouvida por qualquer um que assistisse o jogo pela TV. Afinal, o jogo era no Defensores del Chaco, no Paraguai, e o time da casa era o Olimpia, uma equipe de tradição que já faturou três Libertadores e tem a segunda maior torcida do país. Perfeitamente comum e aceitável que estivessem mais animados do que os torcedores visitantes. Eis que o diretor da transmissão da rede goebbels manda abaixar os microfones voltados ao público local e aumentar o dos visitantes. No mesmo instante, o papagaio oficial diz algo como “vejam a torcida do Galo cantando amigos, só se ouve a festa dos atleticanos.” Com todo o respeito a torcida do Atlético que é uma baita torcida: não! Ali não se ouvia a torcida mineira. Ouvia-se a torcida paraguaia. E como já dizia Eduardo Galeano, o futebol nada mais é do que a dança dos deuses. E os deuses da bola castigam. A Mística se faz presente. E logo após essa infelicidade da transmissão global, gol do Olímpia. E que golaço, amigos. Haja coração.

 

O jogo em si foi fraquíssimo na minha opinião. O Olimpia mantinha certo domínio no meio de campo, tocando bem a bola mas não tinha qualidade para definir as jogadas, enquanto o Galo mal armado e completamente atrapalhado tentava compensar na correria o desaparecimento – amarelamento – de Ronaldinho e o parco posicionamento de Luan.

 

No segundo tempo, o mesmo Luis Carlos Junior reparou que nas costas dos jogadores do Olimpia, estava estampada a frase: campeones del mundo. E o narrador repetiu isso sistematicamente durante todo o segundo tempo, sem informar aos telespectadores que essa frase se referia à história do clube, ao titulo de campeão mundial conquistado pelo Olimpia em 1979, o único conquistado pelos paraguaios até hoje. Este que foi o último mundial de clubes disputado em partidas de ida e volta, nas quais os paraguaios venceram os suecos do Malmô, na Suécia, por 1 a 0, e os venceram novamente, no Defensores del Chaco, por 2 a 1. Agora, o que pensa um telespectador médio ouvindo uma informação dessas pela metade? “Porra meu! Campeões do mundo? Os caras tão achando que já ganharam até do Bayern!” Foi uma frase que ouvi no bar em que assisti ao jogo.

 

Enfim, isso tudo tem a ver com a demonização dos argentinos perpetrada pela globo e toda essa babaquice que envolve a disputa entre Pelé e Maradona, e esse ufanismo barato que se faz necessário frente à “nossa bundamolice”. Acontece que o Brasil é um país enorme e muito mais rico que os vizinhos, mas mesmo assim, temos perdido de goleada nas arquibancadas, nas transmissões e na garra apresentada em campo. E a globo, como atual dona do futebol brasileiro, tem sim uma parcela enorme nessa nossa perda de identidade futebolística. Esse “bom-mocismo” de Caios Ribeiros e Tiagos Leiferts nada tem a ver com a cotovelada que Pelé deu nos uruguaios, com a marra do baixinho Romário, a fúria de Edmundo, Serginho Chulapa e tantos outros craques que construíram a nossa história. Assassinaram o Maracanã, assassinaram o Mineirão, assassinaram tantos outros estádios Brasil a fora, acabaram com a irreverência e a malandragem de jogadores e torcedores e ainda querem nos vender isso tudo a preços absurdos. Chegou mais do que o momento de dizer para a globo que o futebol brasileiro é do povo e não dela.

 

Fazendo uma breve pesquisa no youtube, digitei: “ei globo, vai tomar no cu”. E o site respondeu assim: “aproximadamente 5,600 resultados.” Separei alguns links aqui abaixo para divertir um pouco os leitores que simpatizem com essas idéias.

Grêmio, Porto Alegre

Palmeiras, São Paulo

Santos FC, Santos/São paulo

Sport, Recife

E para satisfazer os meus companheiros Palmeiristas, termino esse post raivoso com uma imagem que me mandaram no ano passado logo após a conquista da Copa do Brasil pelo meu time do coração, com mais um recadinho carinhoso para a emissora da ditadura militar:

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