QUEM É O OLIMPIA DA FINAL DA LIBERTADORES?

Retirado do site http://impedimento.org/

 

Link para o texto: http://impedimento.org/la-gloria-no-tiene-precio/

 

OLIMPIA (PAR) VS. INDEPENDIENTE SANTA FÉ (COL)

LA GLORIA NO TIENE PRECIO

Há alguns meses, quando a crise financeira do Olimpia estava em seu auge, especulou-se que o orçamento mensal decano para o pagamento de salários aos jogadores giraria em torno de 500 mil dólares. Uma fortuna para o futebol paraguaio, mas um valor suficiente para pagar, em alguns casos mais graves da gastança brasileira, o salário de um ou dois craques estelares.

A modéstia econômica de um clube paraguaio que chega a uma final da Libertadores não seria tão chamativa não fossem os outros fatos que fazem da trajetória decana em 2013 uma das histórias bonitas que ainda nos fazem gostar de futebol.

Nos últimos meses, os salários dos jogadores estiveram quase sempre atrasados. O presidente renunciou em fevereiro enquanto o time se preparava para disputar a repescagem. O capitão Richard Ortiz teve de ser vendido ao futebol mexicano, com o clube já semifinalista da Libertadores. Também em junho, o lateral uruguaio Sebastián Ariosa revelou que tinha um câncer e ainda escancarou a situação financeira do clube. Tudo isso acontecendo e o time fazendo história ao chegar em sua sétima final de Libertadores e em busca do quarto título continental.

Mais do que uma história de superação com capítulos de heroísmo, o Olimpia é finalista da Libertadores por decisões e ações concretas dos dirigentes que restaram para tocar o clube, dos jogadores que souberam entender a necessidade de avançar na competição e de um nome em específico: Ever Hugo Almeida.

Ele não precisava de mais nada para continuar sendo um dos maiores ídolos da história do Olimpia: venceu duas vezes a Libertadores como jogador, no intervalo de 11 anos, e foi campeão um munndial em 1979. Até hoje, foi o jogador que mais vezes disputou partidas de Libertadores.

“Almeida conseguiu a comunhão de sua experiência em Libertadores com seu DNA olimpista. É um sujeito que conhece futebol e, sobretudo, tem controle sobre o grupo de jogadores. Soube otimizar um plantel que às vezes contava com pouco mais de 15 jogadores profissionais. Soube primeiro isolar o grupo da crise econômica, e sempre deixou claro que seu objetivo era levar o Olimpia ao ponto mais alto possível”, começa explicando o jornalista esportivo Ever Leguizamón Rojas, da rádio 970 AM, de Assunção.

É a conversa com o colega paraguaio, realizada por telefone na semana passada, que guia a tentativa de explicação sobre como o Olimpia conseguiu realizar esta façanha improvável.

“É fundamenta a presença de um homem ganhador e de disciplina, como Ever Almeida, e as consequências que isso gera entre os jogadores”, o jornalista reforça a importância do treinador por tudo isso que está acontecendo ao conjunto franjeado.

Tudo isso porque a situação do Olimpia realmente era muito ruim e ainda não é totalmente boa. A crise financeira estourou no último ano, após uma série de contratos rompidos pelo presidente Marcelo Recanato, que havia assumido em 2010, o que gerou uma série de demandas judiciais e dívidas acumuladas. Após a renúncia do presidente, em fevereiro, empresários importantes do Paraguai passaram a investir no clube, pagando salários atrasados, contratando jogadores, alugando aviões para os jogos da Libertadores em outros países, entre outras questões.

“Foram aparecendo homens que não faziam parte da direção do clube, mas que trataram decalafatear o barco do Olimpia e recolocá-lo na direção do vento. É claro que ainda existem muitas dívidas, apesar do que se pôde arrecadar nesta Libertadores”, diz Ever Leguizamón.

Ao contrário do que normalmente acontece quando um clube atrasa salários, os jogadores buscaram uma saída alternativa ao tradicional corpo mole, e encararam a campanha na Libertadores como uma possibilidade de justamente buscar o dinheiro que o clube lhes devia. “Foram inteligentes, sabiam que se ganhassem os jogos, entraria dinheiro e seriam pagos. Não baixaram os braços em nenhum momento. Optaram por esse caminho, e isso tem muito a ver com Ever Hugo Almeida”, afirma o colega paraguaio.

lagloria

A exemplo da Família Scolari, funciona no Olimpia a Família Almeida. Mas literalmente. Seu filho, Ivan, é auxiliar técnico, e tem grande importância na coesão do grupo. “Parece mais um jogador do plantel. É um companheiro mais, e faz com que a unidade seja ainda mais forte”, conta Leguizamón. A filha mais velha de Almeida, diz o repórter, é psicóloga e também teria dado sua cota de contribuição em palestras aos jogadores.

Entre o grupo, destaca-se como referência positiva e aglutinador o volante Carlos Humberto Paredes, ídolo formado no clube e jogador de seleção que, apesar da reserva, é o líder fora de campo. Leguizamón menciona também o atacante Fredy Bareiro, o goleiro uruguaio Martín Silva e o atacante uruguaio Ferreyra como figuras também responsáveis por esta condução moral do Olimpia durante toda a Libertadores. Mas faz a ressalva fundamental: “Quem começou tudo isso foi Almeida”.

A unidade entre jogadores e comissão técnica, aliada à presença incontestável da torcida ao longo dos jogos no Defensores del Chaco, teriam contribuído para que o Olimpia superasse a saída de Ortiz para o futebol mexicano e a notícia da enfermidade de Ariosa. Mais do que isso: os episódios demonstraram e comprovaram esta unidade. “Os jogadores sempre afirmam que Ortiz e Ariosa seguem sendo parte do plantel. É um fato que mostra a mentalidade e a firmeza do grupo, e isso repercute no futebol”, diz o jornalista paraguaio.

É assim, estropiado, sem dinheiro e com percalços pelo caminho, que o Olimpia chega para disputar a final da Libertadores contra o Atlético Mineiro. Finaliza Ever Leguizamón, colega paraguaio que ajudou a entender este processo:

“Há um slogan que os torcedores estão utilizado que diz: ‘la gloria no tiene precio’. Eles realmente estão jogando pela honra de serem campeões. Aqui no Paraguai ninguém dava nada pelo Olimpia, tanto que foi a terceira equipe paraguaia classificada para a Libertadores, teve de jogar a repescagem. Hoje estão jogando a final.”

Daniel Cassol

Nota do Destilaria da Bola: o Atlético Mineiro está jogando bem, conta com ótimos jogadores e, dizem, está com a “sorte de campeão”. Porém, do outro lado está uma camisa pesadíssima, com um grupo fechado pelas adversidades e isso conta bastante em decisões.

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