Arquivo do mês: agosto 2013

VASCO X CORINTHIANS: BRIGA ANUNCIADA

É este mesmo o problema do futebol?

É este mesmo o problema do futebol?

As torcidas de Vasco e Corinthians brigaram no último domingo, dia 25/08/2013, no estádio Mané Garrincha, em Brasília, e tivemos diversos pontos abordados pelos mestres do jornalismo esportivo ou não esportivo. Na hora que a chinela canta, seja no campo ou na arquibancada, aparece um monte de especialista para meter sua opinião irrelevante no meio. Como é estranho o mundo jornalístico. De uma hora para a outra o mais reacionário pode virar libertário e vice-versa.

Quando o assunto é futebol nada tem uma explicação simples. Dizer que as torcidas brigaram e que as organizadas tem que acabar é fechar os olhos para uma série de fatores ao redor que contribuíram para isso. Pior é ir além, como vi alguns jornalistas fazendo, e dizer que “aqui não é Europa”, tinha um preso de Oruro no meio, entre outras babaquices. Os causadores da confusão tem que ser responsabilizados sim, mas o que contribuiu para que a briga acontecesse?

Por que não houve separação das torcidas?

Quem determina a segurança de um jogo é o time mandante junto com a Polícia Militar, o chamado plano de ação, que compreende, além de outras coisas, a separação das torcidas. Como o Vasco vendeu os direitos do jogo dele para uma empresa privada – que até agora, convenientemente, ninguém sabe qual é – caberia a esta empresa substituir o time nessa função. Pelo motivo de não saber quem é não há como ter uma resposta do motivo que levou a não ter tal separação. Essa foi a resposta oficial do governo de Brasília que é dono do estádio, legal né?! Inclusive a assessoria deste mesmo governo disse que iria avaliar se é possível se meter na relação entre essas empresas e os times. Tudo indica para uma falha infantil ou proposital dos organizadores do evento.

Por que deve haver separação entre as torcidas?

Em primeiro lugar, todas as torcidas devem ser separadas porque a rivalidade do futebol é bruta e nem nos países desenvolvidos elas convivem. O argumento de que não somos Europa é imbecilizado, pois lá a violência dos torcedores é tão grande quanto aqui.

Em segundo lugar, as torcidas de Vasco e Corinthians tem uma rivalidade extra porque a Força Jovem é aliada da Mancha Alviverde, do Palmeiras. Então é aquilo, o amigo do meu inimigo é meu inimigo também e é esta a lógica que rege a relação Gaviões-Força Jovem. Quem não sabe disso deveria parar de ver televisão e ir para o estádio ao invés de ficar vomitando o que os jornalistas “especializados” dizem.

Mais uma farsa?

Vivemos um período sombrio no futebol, onde as grandes empresas estão comprando não só os estádios como os jogos também. Quando analisamos episódios como esse não podemos ser simplistas, sempre há alguma coisa por trás. O governo paulista declarou guerra às torcidas organizadas a partir do episódio do jogo entre os times juniores de São Paulo e Palmeiras em 95. Foi marcado para o Pacaembu um jogo que envolveria uma das maiores rivalidades do futebol brasileiro e por um acaso do destino havia pedras e paus à vontade lá porque o estádio estava em obras. As torcidas invadiram o campo e aconteceu o que todos nós sabemos. A torcida invadiu o campo? Um lugar cheio de paus e pedras foi palco de um jogo? Soa bastante estranho isso, né? Com esse gancho as torcidas passaram a sofrer diversas restrições, os bandeirões foram banidos dos estádios e outras sanções foram aplicadas ao jogo em si.

Estamos no núcleo da discussão da elitização dos estádios, da forçosa mudança de público e cultura que querem nos impor e acontece um episódio desses envolvendo duas torcidas historicamente rivais. No Morumbi foram 55 mil torcedores com ingressos a preços populares e nada aconteceu. Em Brasília, a preços exorbitantes, teve briga. Portanto, a diferença não se dá no preço, mas em uma organização descente ou que, no mínimo, não seja mal intencionada. Não é teoria da conspiração, é produzir um fato que justifique atitudes.

Cortina de fumaça

O Ministério Público já pediu a extinção da Gaviões, apesar do sentido prático disso ser nulo. A Federação Paulista já anunciou que dois torcedores do Corinthians identificados estão impedidos de entrar no estádio por 90 dias. O que a FPF tem a ver com isso? Tem a ver que o Del Nero vai tentar ser presidente da CBF e quer identificar a imagem dele com o combate à violência, ao que parece neste primeiro momento. Enquanto é debatido sob os holofotes da mídia o tipo de atitude que não mudará nada, a CBF conseguiu derrubar nas sombras dos bastidores a emenda à Medida Provisória 615, que visava maior transparência no esporte.

Estádio novinho, choque na sociedade o enfrentamento de torcidas em suas arquibancadas. É o tal “público indesejável”, é a desculpa de não levar mulher e filhos no estádio, é a escalada da violência, é a ignorância das organizadas. Enquanto muitos repetem estes mantras, os cartolas e empresários riem da nossa cara, de como os formadores de opinião e cidadãos de bem caem como patinhos nas armações tão bem feitas quanto os ataques a bomba nos EUA, feitas para pensar que o problema do nosso futebol são as organizadas e não a forma como ele é conduzido.

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SAIBA QUEM IMPEDIU A INSTAURAÇÃO DA CPMI DA COPA

senadores

Tem político que é um bicho estranho mesmo. O país fervilhando por conta das manifestações e tem cara insistindo em não ouvir esse barulho. Muito da nossa revolta se deu com os gastos com a Copa do Mundo. Bilhões de reais investidos em obras que nada ou quase nada irão trazer para nós. Dinheiro público investido em estádios que posteriormente passarão para mãos de empresas que não gastaram 1 real. Por este e muitos outros motivos, o deputado Izalci Lucas (PSDB-DF) fez um requerimento pedindo a instauração da CPMI para apurar os gastos com a Copa. Por ser mista a comissão, são necessárias as assinaturas de 27 senadores e 171 deputados, que coincidentemente é o artigo do estelionato. No fim de julho Izalci Lucas divulgou que tinha conseguido as assinaturas necessárias: 28 senadores e 186 deputados haviam contribuído.

Porém, com o grau de comprometimento e confiança que impera na casa, quatro senadores retiraram suas assinaturas. Desta forma, o Renan Calheiros divulgou alegremente a devolução do requerimento por não ter atingido as assinaturas necessárias. Uma das coisas que os políticos não entendem – pois são raposas velhas, literalmente – é que a internet está do lado daqueles que eles querem prejudicar, que é a população. A notícia corre rápido caros políticos e, por isso, estão aqui os contatos e nomes dos quatro senadores que retiraram suas assinaturas:

Senador Clésio Andrade
fotografia do senador
nome civil: Clésio Soares de Andrade
data de nascimento: 12/10/1952
partido / UF: PMDB / MG
naturalidade: Juatuba (MG)
endereço parlamentar: Ala Senador Filinto Müler – Gabinete 02
telefones: (61) 3303-4621 e 3303-5067
FAX: 3303-2746
correio eletrônico: clesio.andrade@senador.gov.br
Senador Jayme Campos
fotografia do senador
nome civil: Jayme Veríssimo Campos
data de nascimento: 13/09/1951
partido / UF: DEM / MT
naturalidade: Cuiabá (MT)
endereço parlamentar: Ala Senador Afonso Arinos, gab. 11
telefones: (61) 3303-4061/1048
FAX: (61) 3303-2973
correio eletrônico: jayme.campos@senador.gov.br
Senador João Durval
fotografia do senador
nome civil: João Durval Carneiro
data de nascimento: 08/05/1929
partido / UF: PDT / BA
naturalidade: Feira de Santana (BA)
endereço parlamentar: Ala Senador Teotônio Vilela, gab. 09
telefones: (61) 3303-3173
FAX: (61) 3303-2862
correio eletrônico: joaodurval@senador.gov.br
Senador Zeze Perrella
fotografia do senador
nome civil: José Perrella de Oliveira Costa
data de nascimento: 22/02/1957
partido / UF: PDT / MG
naturalidade: São Gonçalo do Pará (MG)
endereço parlamentar: Ala Senador Antonio Carlos Magalhães – Gabinete 05
telefones: (61) 3303-2191
FAX: (61) 3303-2775
correio eletrônico: zeze.perrella@senador.gov.br

Todas estas informações podem ser obtidas no site do Senado: http://www.senado.gov.br/

Agora eles já podem ser cobrados da forma devida.

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EMERSON SHEIK PARA PRESIDENTE DA RÚSSIA

Bandeira_Arco_Iris

O Sheik joga muita bola, aparece com diversas mulheres, tem raça, faz gols, morde zagueiros, comprou um macaco, adulterou sua idade, foi acusado de contrabando de carros e inocentado, tem vários títulos, aluga helicóptero para ir treinar, cantou música do Flamengo no ônibus do Fluminense, zoa palmeirense, são-paulino e quem mais aparecer, não gosta de ser substituído, quase quebrou a perna de muita de gente, é marrento, enfim, chega né?!

Se parássemos nestes termos teria muito marmanjo querendo ser esse tal de Sheik, mas com a última atitude dele outros tantos prefeririam se retrair dentro da gaveta de cueca dos armários, pois o cara publicou uma foto beijando um amigo. Uma parada à toa que parece ofender a muitos por aí.

Neste texto aqui o autor mandou uma ótima, imaginando ser o Forlán quem beijasse alguém ele diria: “no meu país liberaram a maconha e o aborto e vocês aqui ainda discutindo por causa de selinho?”. É bem esse o espírito que gera o preconceito de alguns, perplexidade e até deboche. Porém, esse deboche não dura além da primeira peneirada de pensamento.

Auschwitz foi o maior campo de concentração da Segunda Guerra Mundial, onde foram mortas aproximadamente um milhão e meio de pessoas. Refletindo sobre o tema, Theodor Adorno escreveu “Educação Após Auschwitz”, que trata do problema da permanente existência das condições que possibilitaram um acontecimento bizarro desses, ou seja, que tais condições, mesmo após o choque com o acontecido, ainda estariam presentes na sociedade.

A salvação disso, segundo ele, é mudar o método de ensino escolar na chamada primeira infância e o “esclarecimento geral, que produz um clima intelectual, cultural e social que não permite tal repetição; portanto, um clima em que os motivos que conduziram ao horror tornem-se de algum modo conscientes”.

A nossa sociedade é preconceituosa, com má formação escolar, cultural e social. Portanto, as bases para que eventos homofóbicos aconteçam não só existem como estão bastante solidificadas. Todos estes elementos num ambiente muito menor e predominantemente masculino, que é o da bola, potencializa a intolerância em vários sentidos. Por isso fica complicado discutir uma questão tão delicada como a homofobia no futebol, ela é muito arraigada.

Você não vai querer discutir homossexualidade com um cara que tá segurando um cartaz escrito “vai beijar a puta que pariu” ou vai? Apesar da mudança gradual se dar em atitudes pequenas de influência, não vai ser seu papo que vai mudar a cabeça de alguém que vive rodeado do mesmo preconceito que o atinge. O meio faz a pessoa, óbvio, então além do cidadão este meio tem que ser mudado da forma que o Adorno diz, proporcionando outro tipo de realidade, onde se aprenda a identificar de forma consciente o problema, como não gostar de gays, por exemplo, e não simplesmente odiá-los cegamente.

Nesta linha de raciocínio, o que o Emerson fez foi um divisor de águas. Atingiu inúmeras pessoas de uma só vez, classificando os que o criticaram de terem um “preconceito babaca”. Citei Auschwitz porque parece que os machões e os policiais da moral e bons costumes estavam diante de um genocídio e não de um selinho entre homens. Na realidade, eles estão sim diante de um genocídio, mas o que é demonstrado pelo impressionante número de um homossexual morto a cada 26 horas no Brasil. Com isso tais pessoas não se indignam, claro. Também não percebem que as condições para que isso aconteça é fruto deste preconceito babaca, ou seja, uma parcela grande de culpa deve ser assumida.

Homossexualidade é natural e o episódio entrou neste assunto mesmo que nenhum dos dois envolvidos seja gay! Isso é o ápice da falta de neurônios. É triste ver que em nome da macheza da idade média alguns torcedores queiram criminalizar determinadas atitudes. Logo os torcedores, que sabem muito bem o que é ser criminalizado por apenas ser o que são. Talvez eles devessem pedir uma aula pro Emerson. A Isinbayeva deveria pedir aula pra ele. Pô, ele deveria ser presidente da Rússia! Enquanto isso não acontece continue barbarizando por aqui. Tamo junto Sheik.

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NÃO SEI NEM QUERO SABER

Será ele Amir Consultor, o expert em gestão e marketing?

Será ele Amir Consultor, o expert em gestão e marketing?

Hoje me deparei com esta matéria incrível: http://www.lancenet.com.br/minuto/Sao_Paulo-Academia_Lance-Ingressos-Promocao_0_974902577.html

Portanto, abaixar o preço dos ingressos para futebol faz com que o “nível” do torcedor caia, trazendo um perfil que deve ser abolido do estádio, a chamada “bandidagem”. Vocês sabiam disso? Só pode ser verdade, pois quem falou foi o Amir Somoggi, consultor de marketing e gestão esportiva (quem?). Ele é membro da Academia LANCE! (da onde?). Esta brilhante conclusão veio da decisão do São Paulo de jogar os preços lá embaixo para lotar o estádio em todos os jogos de mando deles. Quem for sócio-torcedor pagará até R$ 2,00 no ingresso e o preço mais caro para quem não faz parte do plano será de R$ 30,00.

Os são-paulinos são zuados eternamente pelo estádio vazio deles. Algumas coisas contribuem, como o difícil acesso, os horários da rede globo sem noção, o tamanho do estádio e…o preço dos ingressos. O time tá todo lascado, na zona de rebaixamento, precisando de brio e incentivo da torcida e o cara me vem com essa?! O preço popular foi uma das únicas bolas dentro da atual diretoria e o rapaz fala em “renovar urgentemente sua cúpula e tomar decisões de forma muito mais estruturada”?

Só pelos argumentos usados já vemos que o Sr. Amir é um entusiasta do novo – e chato – estilo do futebol, com arenas, poltronas e cachecóis. O perfil que deve ser abolido, para usar as palavras do próprio, é o dele mesmo, que trata o futebol como negócio pura e simplesmente. Será que ele nunca jogou bola e percebeu que o time mais talentoso nem sempre vence o raçudo? O que falta ao São Paulo é justamente o inverso do que veio fazendo ao longo do anos, que é aproximar o torcedor do time, não criar uma aura de intocável elitista, o tal soberano. E daí veio o acerto desta decisão dos ingressos. Vibração, torcida, bandeira, xingamento, cusparada, chinelo no campo, catimba de arquibancada, é isso que falta pro time acordar e reagir. Veja só você como são as coisas, até o São Paulo chegar nesse ponto não tinha nenhum Amir Consultor dizendo nada. Foi só o ditador J.J. democratizar o espaço do dinheiro que aí já apareceram os gabaritados para caga-regrar.

Pois é, quando o certo vira errado vemos que tá tudo andando de trás pra frente, além de que quando o caminho é errado dar um passo atrás é progredir, entendeu? Não? Pergunta pro Amir. Quem? Ah, deixa pra lá.

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O DIA EM QUE A POLÍCIA MILITAR FEZ COM QUE EU DEIXASSE DE SER UM AMANTE DO FUTEBOL: RELATO DE VIOLAÇÃO AOS DIREITOS HUMANOS

choque

Segue abaixo relato do amigo Luiz Enrique Vieira, torcedor do SPFC.

“Grandes clubes já foram rebaixados para a série B e o próximo a entrar pra lista será meu SPFC. Mas isto, em si, não me abala em nada e já estava preparado para assistir SPFC X Bragantino na segundona de 2014. Então fui ao Canindé, domingo passado, para ver SPFC X Portuguesa. No entanto, quando eu estava na fila pra comprar o ingresso, policiais militares começaram, de forma agressiva e truculenta, a “organizar” a fila. Eu protestei contra a maneira violenta como eles estavam procedendo e fui conduzido para uma das entradas do estádio. Quando estávamos num lugar escuro e longe dos olhos de testemunhas, um policial começou a me estrangular e outro me infligiu uma série de murros no peito. Enquanto eu ainda conseguia respirar, disse que aquilo não era necessário e que eu colaboraria com os procedimentos legais. Aos poucos fui sendo sufocado e percebi que desmaiaria. Antes de desmaiar, senti um pavor de que eu poderia não sair dali com vida e também me senti profundamente triste com meu último pensamento antes de desfalecer “se eu morrer aqui, terá sido a morte mais tola, algo que eu jamais teria imaginado”. Ao recobrar os sentidos, os policiais me levaram para uma salinha no interior do Canindé. Por ser um lugar iluminado, imaginei que estava a salvo e disse que queria um copo d’água e um telefonema. Os policiais recusaram-se a atender meus pedidos e então eu fiz um escarcéu dizendo que tinha sido estrangulado e que precisava de um copo d’água. Depois de esvaziar com um gole o copo que me trouxeram, eu disse que havia sido vítima de agressão policial, covardemente agredido por ter protestado contra a conduta truculenta dos policiais na fila. Eles começaram, então, a exercer terror psicológico e negaram meu direito a um telefonema (eu estava sem o meu celular, mas se o tivesse comigo também duvido que me teria sido permitido fazer a ligação). Minha argumentação fez com que o “sargento-ou-sei-lá-que-patente” que registrava os meus dados percebesse que eu tinha conhecimento da lei, poder de argumentação e que talvez pudesse lhes causar algum tipo de transtorno com uma denúncia formal. Ele buscou “contemporizar” e perguntou se eu queria assistir o jogo. Eu disse que sim, mas que, antes, queria que me explicassem a razão daquela brutalidade e de qual crime eu estava sendo acusado. Nesse momento entrou o “comandante-ou-sei-lá-o-que” e disse que era pra me “botar pra fora do estádio”. Então eu sai de mim, fiquei furioso e disse que estávamos no meio de uma ocorrência, aquilo não era a casa dele. “Coxinha (sim, o sentimento de indignação era tanto que eu o chamei de “coxinha” repetidas vezes), isso não é a sua casa, isso é um Estado democrático, nós não estamos na Turquia e eu quero que vocês expliquem por que me trouxeram pra cá arrastado e estrangulado”. Fui conduzido para fora do estádio: “Senhor Luiz, o senhor não possui ingresso”. Corri para comprar ingresso, pois, não sei exatamente por qual razão, assistir o jogo tinha se transformado numa questão de honra. Além disso, eu encontraria algum telefone público ou alguma pessoa disposta a me emprestar o celular. Mesmo com o ingresso na mão, o policial não me deixou entrar porque eu “havia causado confusão”. Argumentei que eu tinha ingresso e que ele não podia me impedir, ao que ele respondeu “então você vai ter que nos acompanhar ao DP”. Numa fração de segundo eu saí dali em pânico, o mais rápido que pude, pois, dado o que eles já me tinham feito e o tom da voz do policial, eu sabia que algo ruim me aguardava se eu o “acompanhasse ao DP”. Depois disso, pensei em ir à corregedoria, mas eu não possuía hematomas. A covardia deles é tanta que eles sabem estrangular e bater sem deixar marcas. Além disso, eu me sentia estuprado espiritualmente, não estava em condições emocionais de passar a noite registrando a ocorrência. Eu só queria chegar em casa, tomar um banho e chorar. Mas, se ainda houver algo que eu possa fazer, estou disposto a entrar com uma representação. Não tenho nenhuma esperança de que os covardes policiais que me agrediram sofram qualquer punição. Mas isso serviria, talvez, para fins estatísticos, pois são essas estatísticas que ao menos garantem que os órgãos internacionais continuem a denunciar as sistemáticas violações das instituições brasileiras aos princípios básicos de respeito aos direitos humanos”.

pm

Por Raphael Sanz

A PM trata a todos como escravos desprovidos de alma – Este não é o primeiro e nem será o último relato de abuso policial em estádios de futebol no Brasil. A questão implícita aí tem uma raiz histórica que vai muito mais longe do que a própria ditadura militar que gerou e mimou a PM, seu filhote herdeiro. Na gênese da força pública brasileira, pouco depois da independência é que encontramos a lógica desta maneira de atuar. Na época, a capital era o Rio de Janeiro e, como tal, a cidade tinha basicamente três classes sociais: funcionários públicos e artesãos (estes pouco importam), senhores de escravos e escravos. E um escravo não era considerado humano. A própria Igreja Católica não reconhecia a existência de “alma” nos homens e mulheres negros e, assim, justificava a escravidão e todo o sistema que dependia dela. Dependia? As relações de trabalho atualmente se assemelham muito àquela de outrora.

Mas enfim, muitos senhores de escravos naquela época não tinham nada, senão seus escravos. E esses escravos eram sua propriedade privada. Para se sustentar, esses ilustres senhores de escravos mandavam os mandavam para as ruas trabalhar em qualquer oficio (daí surgiram engraxates, vendedores de doces, e outras atividades rueiras) e, obviamente, o escravo que não levasse a quantia exigida pelo seu dono, sofria sanções que variavam de casa para casa. Essa violência patronal gerava claramente a violência nas ruas. Um escravo não queria passar o dia todo trabalhando na rua para chegar na senzala e ser açoitado, afinal, ninguém tem sangue de barata. Então era comum que esses “escravos de ganho” (como eram chamados) praticassem pequenos furtos e roubos para satisfazer as demandas dos seus donos e acalmar a fúria dos seus chicotes.

A polícia, quando os flagrava cometendo um pequeno delito destes, não podia mantê-los presos, afinal não eram pessoas, eram coisas, propriedades de alguém que se encontrava acima do incipiente policial na pirâmide social do Império. Além do que, se ficassem presos, trariam prejuízos aos seus donos. Sendo assim, os novos capitães-do-mato eram instruídos a não prendê-los e, em contrapartida, deveriam castigá-los ali mesmo, na rua, da maneira mais violenta que pudessem, porém, tomando cuidado para não invalidar o escravo já que seu dono teria o direito de usufruir do seu trabalho. Esta é a gênese da violência irracional da policia.

Portanto, sinto dizer isso ao camarada Luiz Enrique, mas aqui pode não ser a Turquia, mas é tão brutal e violento quanto. A questão é: pela primeira vez na historia deste país, o povo está contestando o papel da PM, exigindo o fim dela e o fim de um genocídio perpetrado por ela, colocando milhares de pessoas nas ruas com esta finalidade. E como qualquer animal que se sente ameaçado e acuado, a PM está se debatendo, esperneando e a cada dia que passa mais violenta. Então se preparem: até que ocorra a desmilitarização da PM, relatos como o do nosso amigo Luiz Enrique serão cada vez mais freqüentes.

Os vídeos abaixo explicam um pouco melhor essa questão histórica da violência institucional e estatal brasileira. Vale a pena conferir.

 

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INGRESSOS SOBEM 489% EM DEZ ANOS

Arena vazia será uma constante?

Arena vazia será uma constante?

 

Matéria publicada aqui: http://www.otempo.com.br/superfc/ingressos-sobem-489-em-dez-anos-1.695236

 

THIAGO NOGUEIRA

O país do futebol é também o país do ingresso per capita mais caro do mundo. Em dez anos, os bilhetes para assistir à paixão nacional subiram assustadores 489%, quase sete vezes mais que a inflação acumulada no mesmo período. Em meio à construção de novas arenas para a Copa do Mundo de 2014, a elitização do futebol parece um caminho sem volta.

Levantamento da Pluri Consultoria, atualizado recentemente, mostra que a média do ingresso mais barato vendido hoje no país é de R$ 56. Com os R$ 22.402 de renda per capita anual brasileira, o mais fanático torcedor compraria apenas 400 entradas. Comparativamente, os espanhóis, com renda per capita duas vezes maior (R$ 52.602) e ingressos até mais salgados – R$ 71,62, elevados pela dupla Barcelona e Real Madrid – seriam capazes de adquirir 734 bilhetes.

Salário mínimo, cesta básica, gasolina, nada subiu mais do que o ingresso brasileiro. “Com a diminuição do tamanho dos estádios, aumentar o preço seria algo lógico. Mas está se vendo que não é isso. Não é questão de paixão. É de aritmética, de renda, de consumidor, de opção de entretenimento. E isso não é uma demanda ocasional, uma fase excepcional, um show do Paul McCartney”, critica o economista e diretor da Pluri Consultoria, Fernando Ferreira.

No caso de partidas decisivas, a elevação dos preços manteve a mesma tendência. Em 2009, o Cruzeiro decidiu a Libertadores no Mineirão com o ingresso médio a R$ 42,65. Quatro anos depois, o Atlético chegou à decisão e cobrou entradas que deram média de R$ 250,65, quase seis vezes mais (487%).

Menos torcida. A Consultoria BDO comparou os antigos estádios e as novas arenas nas primeiras nove rodadas do Brasileiro. Nos novíssimos campos de futebol, a média de público foi de 28.879, enquanto nos antigos palcos, a média não passou de 9.550. Nos novos estádios, o ingresso custa em média R$ 55,42. Nos velhos, R$ 25,20.

“Comparando com a renda, o ingresso é caro. Já fui aos estádios e vi que os serviços oferecidos não acompanham o preço cobrado, mas a tendência é melhorar. A curiosidade por conhecer as novas arenas contribui para isso”, analisa Pedro Daniel, consultor de esportes da BDO.

E os efeitos já aparecem. Depois de um ingresso com valor médio de R$ 110 para Santos e Flamengo – o último jogo de Neymar no Brasil –, os preços das entradas no estádio Mané Garrincha, em Brasília, caíram pela metade. No entanto, com jogos nem tão empolgantes como Flamengo e Portuguesa, na última quarta-feira, apenas 12.511 pessoas foram ao campo.

Ocupação. A pesquisa da Pluri mostra que a taxa de ocupação dos estádios no Brasil é de 38,4%, deixando o país no 31º lugar do ranking mundial. “Na verdade, a média de ocupação dos estádios brasileiros é de 14%. Ela só sobe para 38% no Brasileiro”, reavalia Ferreira.
No Brasileirão
Preço médio nos estádios:
1) Santos
. R$ 86,04
2) Flamengo. R$ 61,17
3) Vasco. R$ 54,74
4) Grêmio. R$ 42,69
5) Botafogo. R$ 40,51
6) Cruzeiro. R$ 39,88
7) Bahia. R$ 36,94
8) Atlético. R$ 36,25
9) Fluminense. R$ 36,14
10) Corinthians. R$ 32,66
11) Vitória. R$ 26,91
12) São Paulo. R$ 26,70
13) Portuguesa. R$ 26,43
14) Atlético-PR. R$ 26,17
15) Goiás. R$ 23,69
16) Náutico. R$ 23,17
17) Internacional. R$ 22,58
18) Criciúma. R$ 20,86
19) Coritiba. R$ 15,83
20) Ponte Preta. R$ 12,51
Fonte: Consultoria BDO

 

Nota do blog: Já citamos inúmeras vezes a elitização do futebol aqui e isso já é uma realidade. Enquanto os brasileiros colonizados tentam imitar os europeus, eles estão afrouxando as regras para que as arquibancadas façam de novo parte do espetáculo e não sejam meros espectadores de um teatro. Nos forçam a correr atrás do próprio rabo, o que nos leva a sempre estar a um corpo de distância do objetivo. Veremos até quando os magnatas/burocratas vão querer copiar este modelo de “sucesso” que vem da Europa. O rico aqui não tem disposição de lotar estádio. São os mais pobres que fazem isso e eles não podem mais pagar o preço dos ingressos. Apenas se pesar no bolso dos donos da bola é que a arquibancada vai ser considerada novamente.

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SORTE DE REBAIXADO

juvenal

Os deuses do futebol não perdoam certas coisas. Parece que eles apenas esperam uma mistura específica de elementos para começar a passar a perna no time. Essa tal mistura compreende confusão política, jogadores sem confiança e nem sempre bons de bola, torcida cobrando e comissão técnica perdida. O boicotado do momento é o São Paulo.

Na minha opinião, o São Paulo não tem time pra cair, mas a realidade está aí para quem quiser contrariar. O fato é que o clube parou no tempo, deu mais atenção a rivalidades políticas internas e externas do que ao time dentro do campo. O autodenominado Soberano se achou assim mesmo quando começou a escorregar para dentro das mãos de Juvenal Juvêncio.

Este senhor trabalhou muito bem lá dentro, mas agora mais atrapalha do que ajuda. Como diretor de futebol montou o time campeão da Libertadores e do Mundial em 2005, para no ano seguinte ser eleito presidente e conquistar três brasileiros consecutivos, além da Sulamericana do ano passado. Ele colocou um ponto final numa fase “pipoqueira” do time, que não ganhava mata-mata nenhum e até a torcida comparecia de amarelo.

Colocado num pedestal pelo presidente que, ao que parece, se acha acima de outros mesmo, o time se perdeu. O presidente que confunde tirar sarro com preconceito começou a se perder ao demitir Muricy Ramalho. Continuou se perdendo ao demitir Ricardo Gomes. Daí para frente meteu o pé na lama mesmo. Você vê que o barco tá afundando quando o Emerson Leão é contratado. Ao recorrer ao mais antiquado dos técnicos do Brasil a coisa tá feia.

Já começaram as matérias relativas ao número de pontos do São Paulo atual com o Palmeiras de 2002 e 2012 e o Corinthians de 2007. Daqui a pouco começam as matérias dizendo que o rebaixamento não ocorre no próprio campeonato, mas de um conjunto de fatores acumulados nos anos e é isso que estou tentando dizer.

No Palmeiras destes anos, tinham alguns jogadores razoáveis como Zinho e Arce em 2002 e Barcos e Marcos Assunção em 2012. No Corinthians de 2007 é mais difícil dizer, mas tinha um veterano Vampeta, Felipe no gol e Finazzi, que por pior que fosse sabia fazer gols. O São Paulo de 2013 tem Ganso, Luis Fabiano e o mais que veterano Rogério Ceni. O que isso prova? Que 3 ou 4 jogadores bons no elenco não salvam nada.

Paulo Autuori já foi um bom técnico. Foi campeão brasileiro com o Botafogo em 1995, campeão mineiro e da Libertadores em 1997 com o Cruzeiro. O São Paulo de 2005 caiu no colo dele depois de uma montagem de elenco excelente do Cuca e posteriormente, vejam só vocês, um bom trabalho do Leão, que prevendo sua habitual decadência no cargo teve que largar o time no meio do caminho porque já tinha assinado com um time sei lá de onde. Enfim, atualmente Autuori passou de médio para fraco e seu retrospecto prova isso.

A primeira fase para ser rebaixado já está concluída pelo São Paulo: presidente vencedor e ditador, brigas na diretoria e no elenco que acabam afastando um ou outro jogador e demitindo o técnico de então. É contratado um técnico médio, com algum nome.

Segunda fase: diante da incapacidade do time de reagir faz-se uma segunda limpa, demitindo este técnico, apostando em qualquer um pelo desespero, e mais alguns jogadores são descartados. Esta peneirada nos protagonistas do campo faz com que o time tenha uma cara de aguerrido, valente sem talento (Aloísio provavelmente será o símbolo dessa fase), que até vale num primeiro momento, mas que é feito de forma tardia e acaba não adiantando. O São Paulo ainda não caiu. Tá encaminhado, mas não caiu, ainda.

As coincidências com os grandes da capital e times de outros estados que caíram é gritante. Achar que está cedo para se desesperar faz parte também da mistura do rebaixamento. Vamos ver então se o J.J. desce do seu pedestal, deixa de se prestar ao papel ridículo que anda fazendo e mantém o São Paulo na primeira divisão.

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