EMERSON SHEIK PARA PRESIDENTE DA RÚSSIA

Bandeira_Arco_Iris

O Sheik joga muita bola, aparece com diversas mulheres, tem raça, faz gols, morde zagueiros, comprou um macaco, adulterou sua idade, foi acusado de contrabando de carros e inocentado, tem vários títulos, aluga helicóptero para ir treinar, cantou música do Flamengo no ônibus do Fluminense, zoa palmeirense, são-paulino e quem mais aparecer, não gosta de ser substituído, quase quebrou a perna de muita de gente, é marrento, enfim, chega né?!

Se parássemos nestes termos teria muito marmanjo querendo ser esse tal de Sheik, mas com a última atitude dele outros tantos prefeririam se retrair dentro da gaveta de cueca dos armários, pois o cara publicou uma foto beijando um amigo. Uma parada à toa que parece ofender a muitos por aí.

Neste texto aqui o autor mandou uma ótima, imaginando ser o Forlán quem beijasse alguém ele diria: “no meu país liberaram a maconha e o aborto e vocês aqui ainda discutindo por causa de selinho?”. É bem esse o espírito que gera o preconceito de alguns, perplexidade e até deboche. Porém, esse deboche não dura além da primeira peneirada de pensamento.

Auschwitz foi o maior campo de concentração da Segunda Guerra Mundial, onde foram mortas aproximadamente um milhão e meio de pessoas. Refletindo sobre o tema, Theodor Adorno escreveu “Educação Após Auschwitz”, que trata do problema da permanente existência das condições que possibilitaram um acontecimento bizarro desses, ou seja, que tais condições, mesmo após o choque com o acontecido, ainda estariam presentes na sociedade.

A salvação disso, segundo ele, é mudar o método de ensino escolar na chamada primeira infância e o “esclarecimento geral, que produz um clima intelectual, cultural e social que não permite tal repetição; portanto, um clima em que os motivos que conduziram ao horror tornem-se de algum modo conscientes”.

A nossa sociedade é preconceituosa, com má formação escolar, cultural e social. Portanto, as bases para que eventos homofóbicos aconteçam não só existem como estão bastante solidificadas. Todos estes elementos num ambiente muito menor e predominantemente masculino, que é o da bola, potencializa a intolerância em vários sentidos. Por isso fica complicado discutir uma questão tão delicada como a homofobia no futebol, ela é muito arraigada.

Você não vai querer discutir homossexualidade com um cara que tá segurando um cartaz escrito “vai beijar a puta que pariu” ou vai? Apesar da mudança gradual se dar em atitudes pequenas de influência, não vai ser seu papo que vai mudar a cabeça de alguém que vive rodeado do mesmo preconceito que o atinge. O meio faz a pessoa, óbvio, então além do cidadão este meio tem que ser mudado da forma que o Adorno diz, proporcionando outro tipo de realidade, onde se aprenda a identificar de forma consciente o problema, como não gostar de gays, por exemplo, e não simplesmente odiá-los cegamente.

Nesta linha de raciocínio, o que o Emerson fez foi um divisor de águas. Atingiu inúmeras pessoas de uma só vez, classificando os que o criticaram de terem um “preconceito babaca”. Citei Auschwitz porque parece que os machões e os policiais da moral e bons costumes estavam diante de um genocídio e não de um selinho entre homens. Na realidade, eles estão sim diante de um genocídio, mas o que é demonstrado pelo impressionante número de um homossexual morto a cada 26 horas no Brasil. Com isso tais pessoas não se indignam, claro. Também não percebem que as condições para que isso aconteça é fruto deste preconceito babaca, ou seja, uma parcela grande de culpa deve ser assumida.

Homossexualidade é natural e o episódio entrou neste assunto mesmo que nenhum dos dois envolvidos seja gay! Isso é o ápice da falta de neurônios. É triste ver que em nome da macheza da idade média alguns torcedores queiram criminalizar determinadas atitudes. Logo os torcedores, que sabem muito bem o que é ser criminalizado por apenas ser o que são. Talvez eles devessem pedir uma aula pro Emerson. A Isinbayeva deveria pedir aula pra ele. Pô, ele deveria ser presidente da Rússia! Enquanto isso não acontece continue barbarizando por aqui. Tamo junto Sheik.

Anúncios

3 Comentários

Arquivado em Uncategorized

3 Respostas para “EMERSON SHEIK PARA PRESIDENTE DA RÚSSIA

  1. Eu

    Não concordo com vc!!!

  2. Filipe Prado

    Boa Ferreira, concordo em tudo, só abriria uma brecha pra discussão da formação do ser a partir do meio. Há argumentos que reforçam uma participação genética na orientação sexual do indivíduo, mas não há dúvidas de que o meio influencia. Além disso, a relação entre Auschwitz e homossexualidade (ismo é doença) é atualíssima.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s