VASCO X CORINTHIANS: BRIGA ANUNCIADA

É este mesmo o problema do futebol?

É este mesmo o problema do futebol?

As torcidas de Vasco e Corinthians brigaram no último domingo, dia 25/08/2013, no estádio Mané Garrincha, em Brasília, e tivemos diversos pontos abordados pelos mestres do jornalismo esportivo ou não esportivo. Na hora que a chinela canta, seja no campo ou na arquibancada, aparece um monte de especialista para meter sua opinião irrelevante no meio. Como é estranho o mundo jornalístico. De uma hora para a outra o mais reacionário pode virar libertário e vice-versa.

Quando o assunto é futebol nada tem uma explicação simples. Dizer que as torcidas brigaram e que as organizadas tem que acabar é fechar os olhos para uma série de fatores ao redor que contribuíram para isso. Pior é ir além, como vi alguns jornalistas fazendo, e dizer que “aqui não é Europa”, tinha um preso de Oruro no meio, entre outras babaquices. Os causadores da confusão tem que ser responsabilizados sim, mas o que contribuiu para que a briga acontecesse?

Por que não houve separação das torcidas?

Quem determina a segurança de um jogo é o time mandante junto com a Polícia Militar, o chamado plano de ação, que compreende, além de outras coisas, a separação das torcidas. Como o Vasco vendeu os direitos do jogo dele para uma empresa privada – que até agora, convenientemente, ninguém sabe qual é – caberia a esta empresa substituir o time nessa função. Pelo motivo de não saber quem é não há como ter uma resposta do motivo que levou a não ter tal separação. Essa foi a resposta oficial do governo de Brasília que é dono do estádio, legal né?! Inclusive a assessoria deste mesmo governo disse que iria avaliar se é possível se meter na relação entre essas empresas e os times. Tudo indica para uma falha infantil ou proposital dos organizadores do evento.

Por que deve haver separação entre as torcidas?

Em primeiro lugar, todas as torcidas devem ser separadas porque a rivalidade do futebol é bruta e nem nos países desenvolvidos elas convivem. O argumento de que não somos Europa é imbecilizado, pois lá a violência dos torcedores é tão grande quanto aqui.

Em segundo lugar, as torcidas de Vasco e Corinthians tem uma rivalidade extra porque a Força Jovem é aliada da Mancha Alviverde, do Palmeiras. Então é aquilo, o amigo do meu inimigo é meu inimigo também e é esta a lógica que rege a relação Gaviões-Força Jovem. Quem não sabe disso deveria parar de ver televisão e ir para o estádio ao invés de ficar vomitando o que os jornalistas “especializados” dizem.

Mais uma farsa?

Vivemos um período sombrio no futebol, onde as grandes empresas estão comprando não só os estádios como os jogos também. Quando analisamos episódios como esse não podemos ser simplistas, sempre há alguma coisa por trás. O governo paulista declarou guerra às torcidas organizadas a partir do episódio do jogo entre os times juniores de São Paulo e Palmeiras em 95. Foi marcado para o Pacaembu um jogo que envolveria uma das maiores rivalidades do futebol brasileiro e por um acaso do destino havia pedras e paus à vontade lá porque o estádio estava em obras. As torcidas invadiram o campo e aconteceu o que todos nós sabemos. A torcida invadiu o campo? Um lugar cheio de paus e pedras foi palco de um jogo? Soa bastante estranho isso, né? Com esse gancho as torcidas passaram a sofrer diversas restrições, os bandeirões foram banidos dos estádios e outras sanções foram aplicadas ao jogo em si.

Estamos no núcleo da discussão da elitização dos estádios, da forçosa mudança de público e cultura que querem nos impor e acontece um episódio desses envolvendo duas torcidas historicamente rivais. No Morumbi foram 55 mil torcedores com ingressos a preços populares e nada aconteceu. Em Brasília, a preços exorbitantes, teve briga. Portanto, a diferença não se dá no preço, mas em uma organização descente ou que, no mínimo, não seja mal intencionada. Não é teoria da conspiração, é produzir um fato que justifique atitudes.

Cortina de fumaça

O Ministério Público já pediu a extinção da Gaviões, apesar do sentido prático disso ser nulo. A Federação Paulista já anunciou que dois torcedores do Corinthians identificados estão impedidos de entrar no estádio por 90 dias. O que a FPF tem a ver com isso? Tem a ver que o Del Nero vai tentar ser presidente da CBF e quer identificar a imagem dele com o combate à violência, ao que parece neste primeiro momento. Enquanto é debatido sob os holofotes da mídia o tipo de atitude que não mudará nada, a CBF conseguiu derrubar nas sombras dos bastidores a emenda à Medida Provisória 615, que visava maior transparência no esporte.

Estádio novinho, choque na sociedade o enfrentamento de torcidas em suas arquibancadas. É o tal “público indesejável”, é a desculpa de não levar mulher e filhos no estádio, é a escalada da violência, é a ignorância das organizadas. Enquanto muitos repetem estes mantras, os cartolas e empresários riem da nossa cara, de como os formadores de opinião e cidadãos de bem caem como patinhos nas armações tão bem feitas quanto os ataques a bomba nos EUA, feitas para pensar que o problema do nosso futebol são as organizadas e não a forma como ele é conduzido.

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