PRIVATIZAÇÕES ATINGEM O CARNAVAL DO RIO

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Na manhã da última segunda-feira, 23 de setembro, o Rio de Janeiro acordou mais triste. Uma série de pacotes de privatização e abertura de licitações foi anunciada para a prestação de serviços e parcerias público-privada já no carnaval de 2014. A Sapucaí foi concedida a um consórcio norte-americano com alguns investidores brasileiros, dentre eles a EBX do mega empresário Eike Batista e que já possui concessão sobre o estádio do Maracanã. De acordo com o quê prevê o projeto de modernização do carnaval, a Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (LIERJ) pode ser diluída e passará a chamar-se Federação das Escolas de Samba dos Estados (FESES), que englobará, além das Escolas do Rio, as de São Paulo e algumas outras espalhadas pelo interior de ambos estados. Para fechar o pacote, Ivo Meireles, presidente da Mangueira, uma das mais tradicionais Escolas de Samba do Rio, anunciou sua venda para a Qatar Airlines, negociação extremamente comemorada pelos árabes. “O futebol já está saturado e mega investido, por isso resolvemos entrar no Brasil de vez através do carnaval que ainda é organizado de forma arcaica,” afirmou Akbar Al Baker, presidente da empresa, para a BBC Brasil.

Por telefone o prefeito da cidade maravilhosa, Eduardo Barata Paes, se manifestou quanto à Sapucaí: “O cidadão brasileiro precisará reaprender a curtir o carnaval. Nestes tempos de Copa e Olimpíada precisamos agarrar a chance de mostrar ao mundo que podemos seguir o mesmo padrão de excelência para todos os eventos. Vamos ampliar a Sapucaí, colocar camarotes mais modernos, cadeiras nas arquibancadas, enfim, visamos apenas o conforto de quem irá assistir aos desfiles, tudo exatamente como é feito no carnaval de Veneza”. E esse reaprendizado pode implicar no fim de uma prática muito comum entre os foliões brasileiros: o consumo de bebidas alcolicas nas arquibancadas da sapucaí. “Pretendemos acabar com a violência no carnaval, vimos que no futebol acabaram com a violência reduzindo a zero o consumo de bebidas alcolicas e com a proibição de as pessoas assistem às partidas sem camiseta, portanto nosso departamento social está estudando a possibilidade de proibir o consumo de alcool e a nudez nos desfiles também,” disse Harry Garington, diretor da EBX, para o New York Times.

Questionado pela nossa reportagem quanto ao repasse de custos aos espectadores e possíveis problemas no entorno quanto à ampliação do sambódromo, o prefeito Eduardo Paes afirmou: “Claro que haverá um repasse. Manter todo este conforto não é de graça, mas a população tem que entender que não podemos fazer feio, o mundo está de olho em nós, é por um bem maior. A mesma coisa vale para aqueles afetados ao redor. Tem que ser compreensivo”.

Em nota, a a EBX de Eike Batista junto à empresa mexicana Carlos Slim Company, disseram que “Não haverá nenhum desrespeito à cultura brasileira e seu povo nesta nova fase que se anuncia. Sabemos, gostamos e respeitamos o carnaval como uma festa de clamor popular e extrema identificação social. Portanto, nossa meta é apenas maximizar a festa dentro de um modelo de gestão, sendo que, para tanto, serão contratados os mais gabaritados estudiosos do tema. Viva o Brazil! #ogiganteacordou!”.

Já o antigo presidente da LIERJ, Déo Pessoa, explicou como funcionará a FESES: “A princípio, a FESES nasce de uma vontade conjunta das Escolas do Rio e de Sampa em fazer algo grande. Pretendemos que ela seja um ente representativo, que possa negociar cotas de televisão e vendas de direitos internacionais. Mais para frente a intenção é organizar os campeões de cada Estado para fazer turnês pelo mundo. Aliás, queremos ampliar a FESES para todos os Estados brasileiros”.

Em relação ao nome controverso da Federação, o dirigente afirmou que foi uma escolha consciente, já que a intenção é internacionalizar a marca e o nome deve ser fácil de ser pronunciado em várias línguas.

Ivo Meireles também se manifestou quanto à venda da Mangueira. O Cartola estaria radiante agora em ver a possibilidade da escola dele crescer mais ainda. “Os árabes não entendem muito de carnaval, mas já ensinei alguns passos a eles e no desfile do ano que vem eles estarão presentes com certeza e sem turbante”.

REPERCUSSÃO

Apesar de, a principio, tais medidas parecerem impopulares, uma pesquisa de opinião encomendada pelo governo carioca demonstra que 98,3% da população de São Paulo e Rio é a favor da existência do carnaval e que apenas 21% delas são contra a privatização do carnaval. Abaixo, algumas opiniões emitidas a pedido do Destilaria da Bola:

“Sem comentários” (Geraldo Alckmin, governador de SP, ao ser perguntado se iria de metrô ver os desfiles).

“Nada mais democrático do que impor uma padronização por meio de ingressos que vão peneirar os vândalos no carnaval. Os marxistas se apropriaram do carnaval desde os primórdios e veja aí no que deu. Jogam serpentinas e confetes que deixam a cidade imunda, urinam na rua apesar do número suficiente de banheiros públicos, gritam até de madrugada perturbando o sono dos cidadãos de bem. Até espancam idosos e crianças com a brutalidade ideológica que lhes é peculiar. Chegou a hora de dar um basta” (Reinaldo Azevedo, integrante da organização pacífica antiabolicionista White Bloc).

“Será uma festa tão grandiosa que o povo vai ficar mais sem ar do que com bomba de gás lacrimogêneo, mas não poderá usar máscara, óbvio. Inclusive será formada uma comissão para catalogar os foliões badernistas” (Sérgio Cabral, pré-candidato ao trono de Roma).

“Estamos de luto!” (Nota oficial das atrizes da Rede Goebbels*).

“Essa notícia já passou” (Rubens Barrichelo, agora segundo volante em um time da segunda divisão).

“Bando de viado, deveriam ser torturados na ditadura” (Jair Boçalnaro, deputado federal, destilando ódio em sua cápsula do tempo).

“Já entrei com uma PEC pedindo o fim desta festa pagã, a lei divina me autoriza” (Marco Feliciano, pregando a favor das pregas).

*E da família Carla Perez também.

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3 Comentários

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3 Respostas para “PRIVATIZAÇÕES ATINGEM O CARNAVAL DO RIO

  1. Daniel

    gostaria de saber o nível de veracidade dessa matéria. o mais absurdo é q, dados os mais recentes acontecimentos e histórico dos políticos e empresários em questão, isso tudo pode mesmo ser verdade. vivemos tempos terríveis…

  2. Raphael Sanz

    Oi Daniel, o texto não é verídico. É totalmente fictício e irônico. Espero, de coração, que não seja premonitório.
    um abraço

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