Arquivo do mês: novembro 2013

A COPA DO MUNDO VAI TE TRAZER O QUÊ?

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O custo Brasil é altíssimo. Nele estão compreendidos, entre outros elementos, nossos altos impostos, burocracia e a precária infraestrutura do nosso país. Este tal custo vem de cima para baixo, dificultando que produtos e investimentos circulem, o que gera desemprego, evasão de divisas, trabalho informal, etc.

E quando este custo vem de baixo para cima? Quando explorar as mazelas da sociedade se torna imprescindível para que um projeto dê certo?

De forma mais clara: quando sediar uma Copa do Mundo compreende desalojar pessoas, roubar dinheiro público e ainda descaracterizar um patrimônio cultural, qual o custo PARA o Brasil?

Apesar da ascensão de classes mais baixas, ainda vivemos em um país profundamente desigual, onde os mais pobres são maioria. Isso não quer dizer que não deve haver eventos de grande porte por aqui, mas implica, necessariamente, em se analisar problemas que outros países não enfrentaram para realizar tais eventos, como a Alemanha.

Estamos acostumados a conviver com a supressão de direitos, sempre promovida pelo Estado que deveria zelar por eles. Os desrespeitos sistemáticos não são uma novidade, porém, atingiram tal nível que se tornou insuportável. Não à toa o “não vai ter Copa” virou grito constante nas manifestações.

O dinheiro – ou aqueles que o têm – se apoderam de diversas coisas de nossa sociedade. No Rio de Janeiro, o patrão dá ordens de dia para sua empregada doméstica e vai aplaudi-la na Sapucaí à noite. O playboy sacaneia o favelado e vai à favela buscar a droga da night. O futebol, infelizmente, está se tornando isso. São os ricos aplaudindo a nobre arte dos pobres.

Estes pobres são aqueles que não servem para nada a não ser isso mesmo que descrevi: o fruto de divertimento da elite. Eles têm também outras funções sociais, como ser mortos pela polícia de forma brutal. Isso acontece sob o sorriso complacente da elite, quando não gargalhadas e incentivos.

O que gera a desigualdade gera a riqueza. A especulação imobiliária, a criminalização, esse tipo de coisa necessita de produtos para acontecer e quem tem os meios de produção, ou a caneta para dar ordens, é quem lucra com a pobreza e exclusão.

O que os menos atentos não percebem é que ao ser complacentes com tudo o que nosso futebol está sofrendo e tudo que está sendo feito ao redor dele, estão automaticamente dando o aval para que injustiças aconteçam e que tenham até seus próprios direitos desrespeitados.

Não percebem a conexão lógica de vibrar com a desocupação violenta de um terreno para que a Copa ocorra e os gastos particulares com grades de ferro e câmeras para suas casas.

confederações lixo

Os estádios são (eram) como as praias, onde não há classe social e nem os medos inerentes a estas. Lá somos (éramos) todos iguais. Porém, a transferência do modo de vida elitizado aos estádios mata todo mundo. É a reprodução das mansões em grande escala. Hoje vamos a arenas sentar em poltronas para assistir a um espetáculo, cercados pelo pior muro que pode nos separar: o financeiro.

Transpondo este fato, todos os direitos feridos estão servindo de alguma coisa? Morreram três operários no Itaquerão, Engenhão teve que ser interditado, Mineirão foi entregue com estrutura precária, caiu a cobertura da Fonte Nova em minutos, à arena de Manaus já foi sugerido ser um presídio depois da Copa e mais um sem número de denúncias e tragédias só para ficarmos no campo das arenas, com o perdão do trocadilho.

As construtoras se esbaldam como pinto no lixo quando essas coisas acontecem, sabe por quê? Porque alguém vai ter que consertar. São como os bancos nas crises econômicas, eles ganham muito mais dinheiro quando o povo sofre. Qual o custo social para o Brasil ao sediar essa Copa? Qual a vantagem? Se for o lucro que alegam, ele não chegará nem a 1% do que foi gasto.

Dizer que está tudo pronto, por pior que esteja, e que copa é copa tem que ter, é de uma infantilidade absurda. É encarar como a luta do bem contra o mal ao se falar de polícia e traficante. É deixar de lado elementos políticos, sociais e econômicos altamente complexos em prol do que a televisão te obriga a acreditar.

Chega de falar de dinheiro. Quero saber o que vão fazer com os nossos mortos, feridos, desalojados, jogados na pobreza, mantidos na pobreza, excluídos dos estádios, criminalizados pela televisão, pela polícia, pela política. Isso é o que importa.

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O Futebol está Chato!

*Segue abaixo um texto do meu amigo juventino Felipe Trafa, uma bela reflexão e desabafo em relação ao péssimo campeonato Brasileiro e aos rumos que o futebol está tomando. Ótimo! Altamente recomendável na volta do feriadão.

++

Vejo que todo mundo que consumiu o campeonato inteiro da CBF – Rede Goebbles decepcionado por chegar ao final sem nenhuma emoção, sem nenhum mata-mata, sem nenhum propósito. Triste por ver as Marias campeãs com um time de refugo de outros clubes em campeonatos passados gerando assim 4 rodadas, ou melhor 40 partidas ainda pela frente sem nenhum sentido.

Alguns vão dizer, que ainda estão em disputa os times pelo rebaixamento ou os times que brigam pelas vagas nos torneios sulamericanos do ano que vem. Meros coadjuvantes em um futebol sem graça e sem espírito.

E esse Bom Senso FC que não fez nada que já não faça rotineiramente, de brincar de bobinho, não com o juiz ou com os mandatários do futebol, mas fez de trouxa mais uma vez descaradamente os próprios torcedores. Esses que insistem em pagar um ingresso cada vez mais caro para um espetáculo cada vez mais inerte, onde de cada jogo você pode selecionar 2 ou 3 jogadas veiculadas 97mil vezes por cada um dos 17 canais de esportivos, sites e etc, mostrados como lances geniais, as vezes um único drible, ou uma última enfiada de bola redonda para um companheiro.

O futebol está chato! Faz tempo! Eu só acreditária nesse time do Bom Senso se eles reivindicassem tomar a CBF e gerir o futebol pela base, se a questão salarial fosse uma briga por equilibrar essa balança descompensada, não abrindo mão do seu salário, mas para que as cotas e patrocínios fossem melhor distribuídas entre os clubes. Onde já se viu começar um campeonato onde 4 clubes ganham mais de 60milhões de arrancada e os outros 16 clubes míseros 200mil ? faz quantos anos que um clube de médio porte ou considerado menor, não disputa um título importante, sem a presença de dinheiro com origem turva? 

Pode esperar que para o campeonato carioca do ano que vem existirá um time chamado OSASCO! Que no paulista do ano que vem estão à venda vagas na A1 e agora na A2. Rídiculo!

E vocês criticando que a festinha acabou cedo esse ano…Morreu faz tempo, só não abaixaram as luzes, a música e as cortinas…

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Chuteira e Branquinha

Este artigo eu escrevi para o jornal OcicerO editado pelo meu amigo, colega de profissão e de time de futebol (de torcida e de várzea), Paulo Silva Junior. Tomo a liberdade de publica-lo aqui na íntegra uma vez que por razões de diagramação algumas partes do texto tiveram de ser cortadas para caberem em uma página do jornal.

Para quem estiver interessado no belíssimo trabalho da equipe de OcicerO, seguem abaixo a webpage, onde podem ser encontradas as versões em PDF das edições, os contatos da equipe e a página no facebook, onde é possível pedir exemplares do jornal:

http://www.ocicero.com

facebook.com/ocicero

Unknown

Entrei no quarto trançando as pernas, cambaleando. Olhei para a minha máquina de escrever moderna, vulgo computador. Vi duas. Quando cheguei mais perto pude constatar que ela não havia dado cria. Fui até a cozinha e abrindo a válvula do barril, me servi uma dose de cachaça. O cara que me vendeu ela, garantiu que a “marvada” era mineira. Pode até ser. Na sequencia, roubei da geladeira uma cerveja que não era minha e comecei, com dores na cabeça, a beber e escrever o meu primeiro artigo prO Cícero.

Isso tudo porque me foi dada a missão de escrever sobre os gênios vagabundos do futebol. Aqueles bêbados e boêmios  que do alto de suas ressacas encantaram seus torcedores com fintas, carrinhos e sobretudo, sua criatividade e fanfarronice. Os exemplos são inúmeros mas gostaria de me ater nesse primeiro momento a uma coisa pra lá de sobriamente insuportável: a moderna caretice que reina no futebol brasileiro. Fato é: para acompanhar uma transmissão de futebol pós novela na televisão, é preciso estar de porre. A cobertura do esporte mais popular do planeta – apelidado pelo mestre uruguaio da palavra, Eduardo Galeano, de dança dos deuses – está muito burocrática e cada vez mais fazendo o papel ridículo de ser fiscal de fígado de jogador.

Burocrática por motivos pra lá de óbvios. Não é por acaso que de uns tempos pra cá, as entrevistas com jogadores em geral e grande parte dos treinadores estão cada vez mais previsíveis e seguem um script velado. Por outro lado, e aí entra o lado obscuro dessa grande burocracia, as declarações que por algum milagre divino fogem a esse suposto script são transformadas em memes na televisão por bobos-da-corte como Tiago Leifert que pouco ou nada falam de fato sobre o esporte futebol. É o novo corte de cabelo do Neymar que aparece naquela montagem grotesca que simula uma tela de ipad e não a função tática ou o drible que ele aplicou no adversário.

Fato é que o que menos importa hoje é o futebol. Também pudera, o nível está tão baixo que a seleção portuguesa precisou importar o zagueiro Pepe, a brasileira aprendeu a jogar com um só meia armador e o Juninho é titular da lateral esquerda do Palmeiras. O que sobra é a vida de celebridade de alguns jogadores. Alexandre Pato é um exemplo clichê disso. Qualquer corintiano sincero deve estar querendo matar o popstar da família Berlusconi que custou 42 milhões aos cofres do clube. E seguindo o fluxo dessa exploração do glamour e da ostentação dessa nova classe de celebridades, nada como flagrar a boleiragem na balada. Qual panicat estava no camarote do atacante do Santos? Qual modelo o zagueiro do Flamengo levou pra casa? E se for um volante do São Paulo visto numa boate gay ou simplesmente os boatos a respeito disso, aí então, é capa do jornal!

Também os jogadores que apreciam o bom e velho álcool estão na mira dos paparazzi da imprensa esportiva. Quem não repercutiu os vídeos do Fred bêbado em um boteco de Copacabana ou as fotos do Adriano na favela entornando garrafas de uísque no gargalo que atire a primeira pedra! O fato de transformar a bebedeira dos jogadores em pauta já é de uma pobreza filosófica e jornalística natural, ainda mais levando em consideração o teor do direcionamento ideológico e do uso dessas situações numa espécie de cruzada moralizadora do futebol que associa baixo nível técnico com a vida fora das quatro linhas. Isso não tem nada a ver com futebol, minha gente!

As ressacas do mago Valdivia foram mais noticiadas do que a falta que o seu futebol fazia ao moribundo time do Palmeiras que caiu para a segunda divisão. É bem verdade que Valdivia, Fred, Adriano, Douglas e tantos outros poderiam ser geniais, mas de fato não são. E de acordo com o senso comum, graças ao álcool. Mas se analisarmos a fartura de craques que nossa geração de boleiros criou, vemos que a falta de brilho que esses bêbados adquiriram pouco tem a ver com a cachaça, assim como pouquíssimos são os nossos verdadeiros craques atualmente. Não estou me lembrando de nenhum em atividade no momento, mas sou um cara exigente, talvez o leitor tenha alguns na lista.

Acontece que nem sempre foi assim. O futebol ao longo da história nos brindou com pares geniais de pernas que de ressaca ou não, coloriram o imaginário dos seus torcedores.

Pra além de Garrincha e Sócrates.

Heleno de Freitas, mineiro de São João Nepomuceno, além de atacante Botafogo, do Vasco, do América, do Santos, do Junior Barranquilla da Colômbia e do Boca Juniors, entre os anos 40 e 50, ainda era advogado, boêmio, galã e catimbeiro. Ele é considerado por muitos como o primeiro craque problema, uma espécie de tataravô do Edmundo. E assim como o Animal, dizem que seu temperamento era tão explosivo quanto sua habilidade com a bola. Participante de uma trupe boêmia da velha Lapa chamada Clube dos Cafajestes, dentro de campo Heleno era frequentemente expulso por armar altas confusões.

Heleno era um playboy. Seu pai era dono de um cafezal, ele se formou em Direito, perdão, Ciências Jurídicas, na UFRJ. Durante a faculdade se relacionou com o lança-perfume e o éter, por causa disso, chegou a tentar se auto-eletrocutar em um treino do Botafogo. Sua boa aparência, nível social, status de craque e estilo de vida o tornaram em um perfeito galã cafajeste digno das crônicas do Nelson Rodrigues. Dizem até que quando jogava no Boca, entre 48 e 49, teve um caso com Evita Perón. Porém, naquela época, jogador de futebol não era tratado como celebridade e nenhum jornalista se preocupou em apurar o suposto caso. Aposto que você nunca conseguiu viver tranquilo sem saber a verdade.

Indo ao futebol, que é o que realmente interessa, Heleno chegou ao time principal do Botafogo em 1937 com uma tarefa pesada: substituir o então ídolo alvinegro Carvalho Leite, goleador do tetracampeonato estadual, de 32 a 35. Tomou uma branquinha pra relaxar, pero no mucho, e jogou muita bola, mucha pelota. Marcou 209 gols em 235 jogos e chegou à seleção brasileira onde disputou 18 partidas e balançou 19 capins. Foi artilheiro do Campeonato Carioca de 42 e da Copa America pela seleção em 45. Por uma ingratidão do destino, acabou não sendo campeão pelo Botafogo (mas faturou o Cariocão pelo Vasco em 49 e a Copa Roca pela seleção em 45). Pela sua entrega em campo, foi lembrado pela história como símbolo de um Botafogo sofrido que nunca se entregava, que lutava até o fim e que mesmo perdendo, perdia com honra. Assim, ultrapassou seu antecessor, tornando-se, então, o maior ídolo do clube. Obviamente que depois acabou ultrapassado por Garrincha e pelo tempo, mas essa já é outra história.

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BUSINESS F.C.

santa

Domingo passado a televisão foi obrigada a transmitir um jogo da Série C do Campeonato Brasileiro. É verdade que era uma decisão, e quem ganhasse já estaria na Série B. Mas não era a decisão que fazia do jogo algo especial. Era o que acontecia fora dele, ao lado dele, em volta dele. Sessenta mil torcedores se aglomeravam dentro do estádio, um velho estádio, que na opinião dos militantes do Business F.C. certamente já deveria ter sido demolido faz tempo.

Só que ninguém reclamava das inconfortáveis instalações do glorioso Arruda, do Recife. Ao contrário, havia alegria delirante, que atingiu até os narradores do jogo, atônitos com a impressionante concentração de massa diante de seus olhos. Um dos narradores chegou mesmo a mencionar, com razão, que parecia um jogo do passado, dentro daquele estádio de linhas arquitetônicas antiquadas, relíquia de um tempo em que estádios eram feitos para abrigar qualquer torcedor e não certos torcedores.

Abrigar talvez seja um termo não adequado. Estádio não era feito para abrigar, mas para caber. Quem ia ao estádio sabia que poderia ter que se sentar no concreto com o risco de ficar um pouco espremido, debaixo de sol, chuva ou frio. Mas ninguém se importava. Como não se importavam domingo os sessenta mil alucinados torcedores do Santa Cruz. Esse jogo e essa torcida vieram provar muita coisa.

O verdadeiro torcedor de futebol, que fez a grandeza do futebol brasileiro, não desapareceu. Lá estavam eles, alegres, fanáticos, jovens e velhos, homens e mulheres, elas inclusive, as belas mulheres do Recife, todos com os olhos no campo e provavelmente sentados no cimento duro. Ninguém se preocupava com outra coisa senão com o desempenho do seu time. Sua alegria vinha do gramado, não de outro lugar. Foi comovente e consolador ver as jovens gerações se comportando como as velhas, no mesmo desprendimento, no mesmo desprezo por condições especiais de acomodação.

Estádio foi feito mesmo pra sofrer, se angustiar, e entrar em êxtase, talvez tudo junto. A torcida do Santa Cruz se colocou ao contrário de tudo que existe por aí em termos de novas arenas. Fala-se que essas arenas darão mais conforto, comodidade, espaço, aos torcedores. Quem precisa de tudo isso?

Não os torcedores do Santa Cruz, como constatei domingo. A verdade é que essas arenas estão sendo feitas para outros torcedores que pagarão “o preço de mercado” pelos ingressos. O que é esse preço? O maior possível, evidentemente.

Numa metrópole brasileira sempre existirão quarenta, quarenta e cinco mil pessoas, por exemplo, que pagarão sem pestanejar os preços de mercado. Mas serão torcedores diferentes. Velhotes gordinhos, sisudos, que precisam de espaço para seus corpinhos, que precisam de estacionamento para seus 4X4, que precisam se abrigar do frio e do sereno. Que vão reproduzir nos estádios, acomodados em seus belos “camarotes”, a reclusão que vivem atrás das grades pontiagudas de seus belos edifícios, cercados de guardas por todos os lados.

Futebol é coisa de jovens. De velhos também, mas como os velhos que foram domingo no Arruda. Que choravam copiosamente com a vitória e o regresso triunfal do Santa. Você imaginaria um executivo, sem um pingo de suor no rosto, sentado num lugar especial, uisquinho na mão, chorando? O espetáculo no Arruda me mostrou que existe um Brasil que continua o mesmo, felizmente. Não vai mais aparecer muito na TV é certo, mas, quando menos se espera, lá está ele.

Também é muito possível que já se pense em transformar o Arruda numa arena igualzinha às outras. Talvez, mas não me interessa. Me interessa o que vi domingo passado. Por isso que agradeço ao Santa Cruz e á sua torcida o espetáculo que deram. E aproveito para declarar que conquistaram um fanático torcedor, infelizmente de longe, aqui de São Paulo, mas sonhando com o Arruda. Viva o Santa!

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,business-fc-,1095077,0.htm

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INICIADOS OS TRABALHOS PARA IMPEDIR A COPA

foda-se a copa

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/11/131105_soccerex_cancelamento_rio_mm.shtml

Nota do Destilaria da Bola: Foda-se a Copa!

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VOCÊ CONHECE EVANDRO KUNRATH?

Foto: Lauro Alves/Agência RBS

Foto: Lauro Alves/Agência RBS

E aí, você conhece esta pessoa? Ele é o resultado de algo que a grande mídia esconde e ao mesmo tempo fomenta e o governo fornece: a violência policial. Evandro Kunrath ficou cego do olho direito e teve a visão do olho esquerdo comprometida em 50% por conta de balas de borracha atiradas pela Brigada Militar antes do jogo entre Grêmio e Santos em Porto Alegre.

O motivo: nenhum, ele apenas estava no lugar errado na hora errada, uma fatalidade. Já que a ironia ultimamente tem que ser exposta, digo desde já que estou sendo irônico. O torcedor estava do lado de fora do estádio do seu time para ver um jogo e foi alvejado pela polícia. Então quem está no lugar errado na hora errada é a polícia, não ele.

Muitos casos de violência policial envolvendo o futebol andam acontecendo. Não se trata de uma novidade dos novos tempos, mas uma grande parte dela vem ocorrendo de forma estranha, o que inclusive já foi assunto aqui mesmo neste blog. Estamos no meio de uma conspiração para dar fim às “pessoas indesejáveis” nos estádios ou tanto o modelo de polícia brasileira e suas funções chegou a um limite insuportável para uma democracia (por pior que ela seja)?

Creio que são as duas coisas. Nada é por acaso nos bastidores de algo que gere tanto dinheiro quanto o futebol. Estamos diante de brigas recorrentes de torcidas em locais que há algum tempo não mais aconteciam, como no entorno e dentro do estádio. Conjugue-se a estes fatos as falas constantes de Marco Polo Del Nero, futuro candidato à presidência da CBF, dizendo que banirá os vândalos dos estádios. Talvez tenhamos chegado a uma conclusão.

Foto: Mídia Ninja

Foto: Mídia Ninja

Da morte de mais um jovem pela PM na periferia de São Paulo à perda de visão de um torcedor atingido pela Brigada Militar em um estádio de Porto Alegre, a diferença é pequena e as semelhanças enormes. É noticiado o fato depois da violência, mas e as circunstâncias que o cercaram antes?

Em torno de 70% dos brasileiros desaprova a ação policial. A polícia no Brasil mata cinco pessoas por dia. Em um dado de 2011, morre mais gente aqui por ano do que no Iraque, Afeganistão e Angola, países totalmente instáveis politicamente se comparados à nossa dita democracia. Depois das UPPs no Rio o número de desaparecimento nas comunidades aumentou. As denúncias de excessos da PM cresceram 106% em São Paulo.

E agora, soa mais familiar o nome Evandro Kunrath? E Amarildo de Souza? E Douglas Martins? E Vitor Araújo? E Juliano Franczack? Eles não são fruto de uma coincidência, eles são o resultado da opressão nazista que o Estado nos impõe, seja nos estádios, seja nas periferias e favelas.

Como já disse Saramago: “Tudo se discute neste mundo. Menos uma única coisa que não se discute. Não se discute a Democracia”.

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