A COPA DO MUNDO VAI TE TRAZER O QUÊ?

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O custo Brasil é altíssimo. Nele estão compreendidos, entre outros elementos, nossos altos impostos, burocracia e a precária infraestrutura do nosso país. Este tal custo vem de cima para baixo, dificultando que produtos e investimentos circulem, o que gera desemprego, evasão de divisas, trabalho informal, etc.

E quando este custo vem de baixo para cima? Quando explorar as mazelas da sociedade se torna imprescindível para que um projeto dê certo?

De forma mais clara: quando sediar uma Copa do Mundo compreende desalojar pessoas, roubar dinheiro público e ainda descaracterizar um patrimônio cultural, qual o custo PARA o Brasil?

Apesar da ascensão de classes mais baixas, ainda vivemos em um país profundamente desigual, onde os mais pobres são maioria. Isso não quer dizer que não deve haver eventos de grande porte por aqui, mas implica, necessariamente, em se analisar problemas que outros países não enfrentaram para realizar tais eventos, como a Alemanha.

Estamos acostumados a conviver com a supressão de direitos, sempre promovida pelo Estado que deveria zelar por eles. Os desrespeitos sistemáticos não são uma novidade, porém, atingiram tal nível que se tornou insuportável. Não à toa o “não vai ter Copa” virou grito constante nas manifestações.

O dinheiro – ou aqueles que o têm – se apoderam de diversas coisas de nossa sociedade. No Rio de Janeiro, o patrão dá ordens de dia para sua empregada doméstica e vai aplaudi-la na Sapucaí à noite. O playboy sacaneia o favelado e vai à favela buscar a droga da night. O futebol, infelizmente, está se tornando isso. São os ricos aplaudindo a nobre arte dos pobres.

Estes pobres são aqueles que não servem para nada a não ser isso mesmo que descrevi: o fruto de divertimento da elite. Eles têm também outras funções sociais, como ser mortos pela polícia de forma brutal. Isso acontece sob o sorriso complacente da elite, quando não gargalhadas e incentivos.

O que gera a desigualdade gera a riqueza. A especulação imobiliária, a criminalização, esse tipo de coisa necessita de produtos para acontecer e quem tem os meios de produção, ou a caneta para dar ordens, é quem lucra com a pobreza e exclusão.

O que os menos atentos não percebem é que ao ser complacentes com tudo o que nosso futebol está sofrendo e tudo que está sendo feito ao redor dele, estão automaticamente dando o aval para que injustiças aconteçam e que tenham até seus próprios direitos desrespeitados.

Não percebem a conexão lógica de vibrar com a desocupação violenta de um terreno para que a Copa ocorra e os gastos particulares com grades de ferro e câmeras para suas casas.

confederações lixo

Os estádios são (eram) como as praias, onde não há classe social e nem os medos inerentes a estas. Lá somos (éramos) todos iguais. Porém, a transferência do modo de vida elitizado aos estádios mata todo mundo. É a reprodução das mansões em grande escala. Hoje vamos a arenas sentar em poltronas para assistir a um espetáculo, cercados pelo pior muro que pode nos separar: o financeiro.

Transpondo este fato, todos os direitos feridos estão servindo de alguma coisa? Morreram três operários no Itaquerão, Engenhão teve que ser interditado, Mineirão foi entregue com estrutura precária, caiu a cobertura da Fonte Nova em minutos, à arena de Manaus já foi sugerido ser um presídio depois da Copa e mais um sem número de denúncias e tragédias só para ficarmos no campo das arenas, com o perdão do trocadilho.

As construtoras se esbaldam como pinto no lixo quando essas coisas acontecem, sabe por quê? Porque alguém vai ter que consertar. São como os bancos nas crises econômicas, eles ganham muito mais dinheiro quando o povo sofre. Qual o custo social para o Brasil ao sediar essa Copa? Qual a vantagem? Se for o lucro que alegam, ele não chegará nem a 1% do que foi gasto.

Dizer que está tudo pronto, por pior que esteja, e que copa é copa tem que ter, é de uma infantilidade absurda. É encarar como a luta do bem contra o mal ao se falar de polícia e traficante. É deixar de lado elementos políticos, sociais e econômicos altamente complexos em prol do que a televisão te obriga a acreditar.

Chega de falar de dinheiro. Quero saber o que vão fazer com os nossos mortos, feridos, desalojados, jogados na pobreza, mantidos na pobreza, excluídos dos estádios, criminalizados pela televisão, pela polícia, pela política. Isso é o que importa.

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1 comentário

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Uma resposta para “A COPA DO MUNDO VAI TE TRAZER O QUÊ?

  1. Alex, sua clareza de pensar e ver as coisas, somada a uma percepção generosa da realidade e das necessidades da grande maioria deste país, me emociona….ler, é aprender. Mas ler seu texto é também fazer uma viagem a várias conexões inteligentes e percebidas só pelos mais sagazes! Obrigada pelo texto e pelo estímulo à análise….temos que fazer isto diariamente. Beijos, Anne

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