O que a Macaca representa

Texto escrito pelo Felipe Prestes aqui no IMPEDIMENTO que merece toda a nossa atenção!! Vale muito a pena a leitura!

#NaoVaiTerCopa

O que a Macaca representa

No futebol os clubes jogam por mais que só uma cor de camiseta, ou nome de instituição. Há todo um ARCABOUÇO simbólico que envolve cada clube – e que vai mudando com o passar dos anos. Se são representações com base na realidade ou meras invenções pouco importa. São abstrações, não há como provar nada. O que importa é que a simbologia existe.

No LONGO PRAZO, a Macaca representa o clube formado em um bairro de trabalhadores ferroviários, que tinha entre seus fundadores um negro, Miguel do Carmo, enquanto o futebol no Brasil daquela época, 1900, é vendido até hoje como esporte de meninos ricos que voltavam dos estudos na Europa. E que seguiu representando as camadas mais pobres da sociedade de Campinas em contraposição ao rival Guarani, fundado onze anos depois.

Hoje – e quando digo hoje falo desta quarta-feira mesmo (e da semana que vem) – a Ponte é muito mais que isto. É o clube que em 113 anos de história não ganhou nenhum título oficial de primeira divisão e pode fazê-lo pela primeira vez logo em uma competição internacional na qual já eliminou dois campeões mundiais. Que pode ser campeão já estando matematicamente rebaixado no campeonato nacional, com uma campanha modestíssima. A Macaca representa, portanto, as razões para gostarmos de futebol.

A Ponte representa o heroísmo de pessoas sem qualquer traquejo para este papel. É o goleiro Roberto – um ilustre desconhecido que tem nome de gente comum, não de goleiro – falando o que dá na telha na televisão. É jogadores com apelidos fadados ao fracasso como William BATORÉ e Rafael RATÃO. A Ponte é o anti-herói do futebol brasileiro em 2013.

A Nega Veia é também o time com estádio pequeno, de gramado ruim, com pessoas muitas vezes vendo o jogo de pé, que foi dedurada pelo aluno mais almofadinha do colégio, aquele que tem todos os materiais, acostumado a ter o melhor estádio particular do país (antes das ‘arenas’) e sediado num dos bairros mais ricos do Brasil. A Ponte é o time que superou isto massacrando o adversário na própria casa metida a besta, e pagando ônibus para a torcida ir ver o jogo noutra cidade.

Hoje, é também o clube que colocou ingressos a dez mangos para uma finalíssima de torneio continental. Enquanto até clubes tidos como populares, como o Flamengo, aproveitam as grandes ocasiões para fazer um rombo no bolso do torcedor de classe média e simplesmente impedir o pobre de ver seu time ser campeão, a Ponte representa uma oposição às arenas, aos consultores, às leis de mercado.

O jogo de hoje à noite, no Pacaembu, vale muito mais que uma taça.

Um abraço,
Felipe Prestes

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