Arquivo do mês: janeiro 2014

Conheça as pautas do Comitê Popular da Copa, de São Paulo

Caros leitores, após um segundo semestre conturbado e um fim de ano desconectado, este sujeito que vos escreveu durante boa parte de 2013 volta às atividades no Destilaria da Bola. Antes de qualquer coisa que eu ou qualquer um da nossa equipe possa vir a dizer por aqui, é importante afirmar que apoiamos o Comitê Popular da Copa e suas pautas, portanto, hoje deixo aos leitores aqui uma explicação do próprio Comitê sobre as ditas pautas. Em ano de Copa de Mundo, de mandos e desmandos da FIFA, é importante que tenhamos um norte para o nosso pensamento crítico, nossas produções, conversas, e tudo o que permeia a nossa relação profissional ou amadora, frígida ou apaixonada, política ou esportiva, com o futebol. Então lá vai!! Para quem quiser ler o texto abaixo no original, diretamente do site do Comitê (que é muito bom, diga-se de passagem), pode clicar aqui, senão, siga o texto abaixo.

Não vai ter Copa!

tatu da luta

NOSSAS PAUTAS

#COPAPARAQUEM?

Quando os Comitês Populares da Copa começaram a questionar o autoritarismo, a ganância e o desprezo pelos direitos humanos que envolve a realização da Copa do Mundo (FIFA), já há mais de três anos, parecíamos pessimistas que queriam a alegria do povo no “país do futebol”. Hoje, entrando em 2014, ninguém mais acredita que a Copa trará qualquer legado para a população além de despejos, violação dos direitos dos trabalhadores, uma legislação de exceção, uma cidade privatizada orientada aos interesses das grandes empresas e corporações e, sobretudo, violentas ações de repressão do Estado.

Nem os governos acreditam que a Copa é de todos, por isso, têm investido tanto na criação de batalhões especiais, decretos e leis que nos fazem relembrar os piores tempos de autoritarismo e em uma propagando barata que ataca qualquer opinião dissidente e tenta criar um clima artificial de celebração do mundial que obviamente já não cola.

A expressão do medo e do autoritarismo do Governo brasileiro silencia as reivindicações legítimas dos brasileiros que vão às ruas protestar e sem dúvidas intensificam o conflito. O ano começou com um recado claro à população, principalmente a juventude de periferia: Quem der rolezinhos na Copa ou no shopping vai levar bombas, cacetadas e tiros (torça para serem de borracha) e ainda no final ainda serão chamados de bandidos conservadores.

O último dia 25 de janeiro foi uma mostra clara do absurdo a que chegamos: 135 pessoas apreendidas e um jovem baleado com 3 tiros. Quem é responsável por esses tiros? Quem acredita na versão “protetora” ou “defensiva” de uma polícia militarizada depois de tantos Amarildos?

A diversidade do perfil das pessoas detidas no dia 25/01 em São Paulo revela que quem está insatisfeito com a Copa não é uma “direita reacionária” como alguns querem fazer parecer. A questão é mais complexa e exige um debate ampliado sobre a realização desse megaevento e todas as questões que suscita. Afinal, se nos negamos e discutir e dizemos que protesto é sempre caso de polícia de que esquerda fazemos parte?

É necessário politizar a questão. Se as ruas dizem #nãovaitercopa é porque os governos tem se recusado a responder à pergunta #copaparaquem? senão com agressões e violações.

Os Comitês Populares da Copa não representam toda a indignação das ruas e não somos responsáveis por todos os atos contra a Copa (ainda bem que há tanta diversidade), as pautas coletivas que construímos junto aos movimentos sociais, comunidades ameaçadas e à população atingida são claras, populares e materiais:

  •  A desmilitarização da polícia e fim da repressão ao movimentos sociais, com a garantia do direito constitucional de manifestação nas ruas.
  • O fim das remoções e despejos, com abertura imediata de negociação coletiva com os moradores atingidos, visando a realocação “chave-a-chave” e reparação às familias já removidas.
  • O fim da violência estatal e higienização das ruas do centro contra a população em situação de rua, com garantia a políticas de acesso à alimentação, abrigo e higiene pessoal, como trabalho e assistencia social.
  • Fim da exploração sexual de mulheres e crianças, com garantias de políticas públicas de proteção e prevenção do turismo sexual.
  • Fim da perseguição ao trabalho ambulante, garantida a atividade antes, durante e depois da copa, com o mesmo espaço dado às empresas patrocinadoras.
  • Revogação imediata das áreas exclusivas da FIFA previstas na Lei Geral da Copa, bem como dos tribunais de exceção a serem instalados no entorno dos estádios, garantido o direito à ampla defesa e ao devido processo legal antes, durante e depois da copa.
  • Arquivamento imediato dos PLs que tramitam no congresso visando tipificar o crime de terrorismo, que ameaça o direito à manifestação e criminaliza movimentos sociais.
  • Revogação da lei que concede isenção fiscal à FIFA e suas parceiras comerciais, e auditoria popular da divida publica nos três níveis de governo, de modo a investigar e tornar públicas as informações sobre os investimentos com megaeventos e megaprojetos, para reverter o legado de divida da copa da FIFA.
  • Fim da elitização dos estádios, do encarecimento dos ingressos, da destruição da cultura torcedora e da transformação do futebol em negócio.
Rio de Janeiro, 30 de junho de 2013

Rio de Janeiro, 30 de junho de 2013

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O ESTÁDIO SERÁ SHOPPING

Maracanã

Impossível não falar dos rolês nos shoppings. Apesar da novidade de “invasão” ao mundo asseado, a criminalização de um monte de gente da periferia junta passa longe de ser novo. O problema, dessa vez, é que a casta maior da nossa sociedade não conseguiu jogar para debaixo do tapete o problema. Não bastou desligar a TV para não ver a chacina, a briga no estádio, o enfrentamento de traficantes. Desta vez o “problema” olhou nos olhos, encarou de igual para igual e a fez tremer, porque ela percebeu que aquele moleque de óculos espelhado e cabelo escovinha tem mais disposição do que ela para tudo nessa vida.

A criminalização que o Funk passa hoje já aconteceu com o Rap, antes com a capoeira, com o candomblé, com a feijoada, com o cabelo pixaim, com as canelas grossas, enfim. Não se trata tanto da cor da sua pele, se trata também, mas não só. O motivo da questão é da onde vem. Será que se essa molecada chegasse ao shopping cantando Agnaldo Rayol a polícia não iria pra cima? Os shoppings não entrariam na justiça?

A resposta é sim, fariam tudo isso, porque a discriminação com o Funk é apenas mais um elemento, assim como é feito com todo o resto que emana da pobreza. Só que os rolês são fatos novos, então toda aquela segregação velada, que se manifesta pelas sombras, teve que ser deixada de lado por conta da urgência do momento. Não deu para desenvolver uma política mais aceitável de barreira ao acesso e, assim, foi necessário deixar as aparências de lado e sentar o dedo na caneta.

Já no futebol não temos este problema. Os indesejáveis já atormentam há muito tempo as pessoas de bem com seus cânticos de guerra, sua presença acintosa nas barracas de pernil, sua bebedeira descontrolada nos arredores, suas batucadas, seus churrascos, seus fogos e mais uma infinidade de coisas.

Portanto, como já faz tempo que estes “diferenciados” incomodam, foi possível um plano mais elaborado e a Copa veio muito a calhar. O plano se chama “modernização dos estádios” e a barreira aos mal-educados se chama “preço do ingresso”.

A lógica política por aqui é esconder, elitizar para peneirar e determinados setores preferem assim mesmo. Colocam-se cadeiras e aumenta-se o preço dos ingressos e pronto, nunca mais vamos ver aqueles bárbaros se espancando nas arquibancadas. Provavelmente eles irão se espancar em outro lugar, mas e daí? Ninguém vai ver mesmo.

Este é o caráter de muitos lugares, ricos dentro e pobres fora. Os estádios caminham para isso também, como a final da Copa das Confederações já demonstrou. Em pouco tempo será tão desagradável ir ao Maracanã quanto ao JK Iguatemi, apenas mais um lugar para a pobreza não entrar.

E assim caminhamos com arenas, shoppings, condomínios, liminares, muros, cercas, câmeras… A exclusão foi o caminho escolhido e como já disse Pablo Neruda: “você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências”.

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QUEM É CONTRA A COPA ME DÁ PREGUIÇA

justus

É ano da Copa!

Esse ano promete, milhares de empregos serão gerados, um monte de dinheiro entrará no país, metrô, ônibus e aeroportos funcionando perfeitamente, pessoas felizes, pacíficas, participando junto com a Coca-Cola da Copa de Todo Mundo, assistindo aos jogos nas cadeiras confortáveis das arenas ou degustando um belo Big Mac nas fun fests. Esse é o sonho do Ronald McDonald e do Ronald filho do Ronaldo também, já que ele é meio gordinho rsrsrs.

Esse povinho por aí diz que não quer Copa e blá blá blá. Eles não passam de uns recalcados, que querem que o Brasil seja subdesenvolvido para sempre. São os mesmos que apoiam este A-B-S-U-R-D-O de mais médicos, este monte de bolsa isso e aquilo para sustentar vagabundo, corredor de ônibus, salário para os presos (que, aliás, é maior que o salário mínimo), etc. A Copa é nossa oportunidade de mostrar como somos alegres e receptivos gente, acorda!

Temos que ter orgulho de tudo que os nossos governantes estão fazendo por nós. Com certeza eles perdem horas do seu dia elaborando planos ótimos. Não sei bem quais são eles, mas dizem por aí que o transporte público melhorou muito depois das manifestações PACÍFICAS que aconteceram em junho (eu até fui a algumas, mas depois que virou essa coisa horrorosa desisti).

Sinto muito, mas o Ronaldo está certo quando diz que Copa não se faz com hospital. O Pelé também está mega certo ao pedir para não ter manifestação. Esse pessoal nem sabe contra o que estão protestando, só querem saber de quebra-quebra, vandalismo. Até agora não sei como esses mascarados se infiltram nas manifestações.

Vi na TV do táxi outro dia que tinha um bando de desocupados reclamando que tinham umas pessoas tendo as casas demolidas perto do Maracanã. Então tá, me fala se é agradável passar por uma favela no caminho para qualquer lugar. Aff, por favor né, esse pessoal me dá preguiça. Aluga qualquer kitnet no centro então ué.

E a corrupção? E os mensaleiros? E essa ditadura de esquerda que vivemos? Sobre isso ninguém fala nada né?! Ficam só falando de estádio superfaturado, que sei lá qual político come lagosta. Vocês querem o quê, que o representante do governo coma frango com macarrão, tipo classe média? Que não pusesse dinheiro público nos estádios e nós passássemos vergonha com todos os olhos do mundo voltados para gente?

Sou contra a violência, mas quando a coisa fica séria sou a favor da polícia reprimir sim. É impossível que cenas como aquela do coronel agredido em São Paulo se repitam, é necessária uma resposta firme à sociedade. Não sei de onde vem tanta raiva da polícia. Eles estão aí para proteger a gente. Lá no meu bairro eles são mega atenciosos com as pessoas. É aquele velho ditado “quem não deve não teme”. Tem ainda os idiotas que pedem o fim da polícia militar. Quando um ladrão entrar na sua casa chama o Batman pra te ajudar.

Gostaria de reforçar para as pessoas de bem que não caiam nesse papo de defesa de índio que quer invadir nosso espaço, daquela gente suada que está sendo desalojada (que com certeza são bandidos), de que a lei da Copa fere nossa soberania, de delírios de corrupção de construtora. Meu pai mesmo é dono de construtora e é mega honesto.

Tipo assim, se você é contra a Copa beleza, mas não vem querer me convencer com papinho de comunista. Não tá gostando? Leva pra casa.

Bom, vou terminando meu desabafo por aqui gente. Meu muito obrigado aos meus amigos que me incentivaram a escrever este texto (eles dizem que tenho uma visão muito clara do momento atual). A hora é agora, desenvolvimento, investimento, muito dinheiro no bolso e saúde pra dar e vender rsrsrs.

A Copa vai ser top!

#ronaldoprapresidente

#fulecofeelings

#reinaldoazevedotempaugrande

#eucomolagosta

#nãoseipegarbusão

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