Conheça as pautas do Comitê Popular da Copa, de São Paulo

Caros leitores, após um segundo semestre conturbado e um fim de ano desconectado, este sujeito que vos escreveu durante boa parte de 2013 volta às atividades no Destilaria da Bola. Antes de qualquer coisa que eu ou qualquer um da nossa equipe possa vir a dizer por aqui, é importante afirmar que apoiamos o Comitê Popular da Copa e suas pautas, portanto, hoje deixo aos leitores aqui uma explicação do próprio Comitê sobre as ditas pautas. Em ano de Copa de Mundo, de mandos e desmandos da FIFA, é importante que tenhamos um norte para o nosso pensamento crítico, nossas produções, conversas, e tudo o que permeia a nossa relação profissional ou amadora, frígida ou apaixonada, política ou esportiva, com o futebol. Então lá vai!! Para quem quiser ler o texto abaixo no original, diretamente do site do Comitê (que é muito bom, diga-se de passagem), pode clicar aqui, senão, siga o texto abaixo.

Não vai ter Copa!

tatu da luta

NOSSAS PAUTAS

#COPAPARAQUEM?

Quando os Comitês Populares da Copa começaram a questionar o autoritarismo, a ganância e o desprezo pelos direitos humanos que envolve a realização da Copa do Mundo (FIFA), já há mais de três anos, parecíamos pessimistas que queriam a alegria do povo no “país do futebol”. Hoje, entrando em 2014, ninguém mais acredita que a Copa trará qualquer legado para a população além de despejos, violação dos direitos dos trabalhadores, uma legislação de exceção, uma cidade privatizada orientada aos interesses das grandes empresas e corporações e, sobretudo, violentas ações de repressão do Estado.

Nem os governos acreditam que a Copa é de todos, por isso, têm investido tanto na criação de batalhões especiais, decretos e leis que nos fazem relembrar os piores tempos de autoritarismo e em uma propagando barata que ataca qualquer opinião dissidente e tenta criar um clima artificial de celebração do mundial que obviamente já não cola.

A expressão do medo e do autoritarismo do Governo brasileiro silencia as reivindicações legítimas dos brasileiros que vão às ruas protestar e sem dúvidas intensificam o conflito. O ano começou com um recado claro à população, principalmente a juventude de periferia: Quem der rolezinhos na Copa ou no shopping vai levar bombas, cacetadas e tiros (torça para serem de borracha) e ainda no final ainda serão chamados de bandidos conservadores.

O último dia 25 de janeiro foi uma mostra clara do absurdo a que chegamos: 135 pessoas apreendidas e um jovem baleado com 3 tiros. Quem é responsável por esses tiros? Quem acredita na versão “protetora” ou “defensiva” de uma polícia militarizada depois de tantos Amarildos?

A diversidade do perfil das pessoas detidas no dia 25/01 em São Paulo revela que quem está insatisfeito com a Copa não é uma “direita reacionária” como alguns querem fazer parecer. A questão é mais complexa e exige um debate ampliado sobre a realização desse megaevento e todas as questões que suscita. Afinal, se nos negamos e discutir e dizemos que protesto é sempre caso de polícia de que esquerda fazemos parte?

É necessário politizar a questão. Se as ruas dizem #nãovaitercopa é porque os governos tem se recusado a responder à pergunta #copaparaquem? senão com agressões e violações.

Os Comitês Populares da Copa não representam toda a indignação das ruas e não somos responsáveis por todos os atos contra a Copa (ainda bem que há tanta diversidade), as pautas coletivas que construímos junto aos movimentos sociais, comunidades ameaçadas e à população atingida são claras, populares e materiais:

  •  A desmilitarização da polícia e fim da repressão ao movimentos sociais, com a garantia do direito constitucional de manifestação nas ruas.
  • O fim das remoções e despejos, com abertura imediata de negociação coletiva com os moradores atingidos, visando a realocação “chave-a-chave” e reparação às familias já removidas.
  • O fim da violência estatal e higienização das ruas do centro contra a população em situação de rua, com garantia a políticas de acesso à alimentação, abrigo e higiene pessoal, como trabalho e assistencia social.
  • Fim da exploração sexual de mulheres e crianças, com garantias de políticas públicas de proteção e prevenção do turismo sexual.
  • Fim da perseguição ao trabalho ambulante, garantida a atividade antes, durante e depois da copa, com o mesmo espaço dado às empresas patrocinadoras.
  • Revogação imediata das áreas exclusivas da FIFA previstas na Lei Geral da Copa, bem como dos tribunais de exceção a serem instalados no entorno dos estádios, garantido o direito à ampla defesa e ao devido processo legal antes, durante e depois da copa.
  • Arquivamento imediato dos PLs que tramitam no congresso visando tipificar o crime de terrorismo, que ameaça o direito à manifestação e criminaliza movimentos sociais.
  • Revogação da lei que concede isenção fiscal à FIFA e suas parceiras comerciais, e auditoria popular da divida publica nos três níveis de governo, de modo a investigar e tornar públicas as informações sobre os investimentos com megaeventos e megaprojetos, para reverter o legado de divida da copa da FIFA.
  • Fim da elitização dos estádios, do encarecimento dos ingressos, da destruição da cultura torcedora e da transformação do futebol em negócio.
Rio de Janeiro, 30 de junho de 2013

Rio de Janeiro, 30 de junho de 2013

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