Peraí!

Peraí!

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Calma aí, tem alguma coisa muito estranha acontecendo nesta cidade. Primeiro, os Corinthianos vão ao Blatterzão e não conseguem pegar o metrô aberto para voltarem às suas casas. Até aí, nada de novo. Uma situação que inclusive deveria mudar. Uma condição inaceitável para qualquer torcedor mas que nunca virou notícia, nunca se deu a devida atenção, a não ser, claro, os diretamente afetados por essa mistura de má gestão do transporte público com o domínio de uma certa emissora de televisão sobre o futebol brasileiro. Acontece que na primeira porta na cara na nova torcida corintiana na longínqua (para a maiores dos freqüentadores no mais novo shopping Center da zona leste) estação Itaquera, a condição inaceitável que acontece há anos com todas as torcidas – inclusive a velha e popular torcida corintiana – ganhou os noticiários e a internet. E para o jogo seguinte, o metrô passou a funcionar meia hora a mais por determinação do governo do estado. Encurtar a sagrada novela, jamais!

 

Aí vejo uma declaração do jornalista esportivo, palmeirista e companheiro de viagens, boteco, vida e terrão que diz o seguinte: “Gostaria de informar que o Palmeiras joga hoje às 22h no centro da cidade, e muita gente vai perder o fim ou sair correndo no apito final para pegar o metrô, sendo que boa parte destes perderá o horário do dito cujo, que não vai estender suas atividades por causa do jogo. Mas isso não será notícia em nenhum jornal amanhã.”

 

De repente, me deparo com a seguinte reportagem feita pela ESPN com representantes do sindicato dos metroviários, na qual Altino Prazeres, presidente do sindicato, deu a seguinte declaração: “”É uma decisão que não pensa nos torcedores. Além de torcedores, eles são trabalhadores. Mesmo com o metrô aberto, eles demoram para chegar em suas casas e ainda têm de ir ao trabalho no dia seguinte. Por que não se muda o horário do jogo? É uma decisão que só atende à TV Globo. A cartolagem parece que prefere desse jeito também. Não quer bater de frente.”

 

E quando a gente acha que não pode ir mais fundo, vem a globo com uma escavadeira.

 

(E nota-se que são declarações de gente que vive o futebol e o transporte público no cotidiano.)

 

E para piorar ainda, a globo, que controla os horários dos jogos de futebol e os do metrô, de acordo com os seus interesses, também andou reinventando o jornalismo investigativo. Transformou-o em pesquisa de hashtag nas redes sociais. Na matéria publicada pelo goebbels esporte, neste link (http://globotv.globo.com/rede-globo/globo-esporte-sp/v/palmeirenses-quebram-cadeiras-na-arena-corinthians-e-depois-postam-fotos/3526152/), os maiores expoentes do bom-mocismo da imprensa esportiva destrincharam as vidas, os gostos, as habilidades e a intimidade de dois torcedores palmeiras que eventualmente quebraram cadeiras no último domingo no Blaterrzão. Dois torcedores que tiveram a infelicidade de terem suas contas de twitter e facebook expiadas pela equipe destes dois cânceres do jornalismo esportivo. E a forma “amena” como se metralha os rapazes, dizendo “que eles até parecem ser gente boa” – como quem diz “não importa quem você é, eu vou te fritar” – foi a cereja no bolo de mais um assassinato gratuito de reputação que permanecerá impune enquanto não se fizer uma revolução nas telecomunicações por estas bandas.

 

“Ahh, mas ele quebrou as cadeiras!”

 

Sim, ele quebrou e postou uma foto dizendo que quebrou. Também não acho que isso seja a coisa mais legal e bacana do mundo mas a questão é outra. Em primeiro lugar, não deveriam haver cadeiras ali. Nos setores populares, onde se faz a verdadeira festa do futebol, nunca se pôs as malditas cadeiras. Exatamente para permitir às pessoas pularem, tocarem suas baterias e sim, (porque não?) chutarem o concreto quando o time está na pior. Tem gente que não aprendeu a extravasar a paixão de outra forma. E é muita gente, garanto. Quem aqui nunca se quebrou, ou quebrou alguma coisa, um controle remoto que seja para os que torcem do sofá (mas torcem)?
A pergunta que fica é: por que somos reféns da globo?

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