Estádio: o portal da micro sociedade

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Assistindo ao jogo do meu time em um estádio que ainda resisto em chamar de meu, fiquei indignado com a atuação do juiz. No Corinthians e Fluminense deste dia 31 de agosto de 2014, o árbitro resolveu virar a celebridade do campo, apitando faltas inexistentes para os dois lados, anulando gol legítimo, dando bronca em todo mundo, prejudicando a questão dos acréscimos, enfim, fazendo tudo o que deu na telha dele.

Certo é que ele não será punido, ao contrário de tantos jogadores e times que sofrem nas mãos do STJD ao menor deslize, mesmo ele tendo influenciado diretamente no resultado de uma partida importantíssima. Fiz uma analogia (guardadas as devidas proporções) com o que a polícia faz nas nossas ruas. Eles são a autoridade, chegam de forma arrogante, arrebentam, matam, modificam a vida de muitos e nada ou quase nada acontece com eles. STJD como o Judiciário do qual é filhote, leniente com desvios, e os juízes como polícia. O futebol, não só por esta semelhança, é uma mini sociedade mesmo.

Um microcosmo social se demonstrou também no caso de racismo contra o Aranha. Naquele calor das coisas, o Grêmio tomando um vareio, a torcida não se aguentou e apelou a uma das mais perversas formas de diferenciação: a da cor da pele. O tal Fla x Flu que falamos cotidianamente para ilustrar uma situação polarizada não surgiu do futebol à toa. É o nós e eles, aliados e inimigos, o pensamento de que na hora da guerra vale tudo.

Por ter apelado desta forma a torcida do Grêmio é racista? Não, a sociedade que ela está inserida é racista. Do mesmo jeito que ela é machista. Filmaram sei lá quantos marmanjos imitando macaco e xingando o Aranha, mas quem ficou marcada? Aquela chamada de vadia, puta, arrombada e outras coisas mais. Contra o racismo, o machismo.

Também somos homofóbicos, como no caso do Emerson Sheik, também somos violentos, como nas brigas de torcidas, e mais um monte de coisas que o futebol escancara, demonstrando em um pequeno lugar o que somos fora de lá.

Impressionante mesmo é neste ano de 2014 ainda existir analogias malucas sobre autoritarismo e polícia e discussão sobre racismo e machismo. De fato, o nosso futebol é muito atrasado.

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