Promotor pede extinção da PM após agressão gratuita*

Por Arrison Jardel Ferraz e Luiz Guilherme Ferreira

Mulheres e crianças sofreram com o gás lacrimogênio na saída do jogo entre Corinthians x Linense. Paulo Castilho diz que corporação “se associa para o mal”

Neste 19 de março de 2016, após o jogo entre Corinthians e Linense, em Itaquera,a PM paulista atirou balas de borracha e bombas de efeito moral e lacrimogênio nos torcedores alvinegros. O ataque, segundo a corporação, foi em resposta à agressões vindas do setor das torcidas organizadas. Em entrevista ao “Troca de Passes”, o promotor Paulo Castilho, do Ministério Público de São Paulo, afirmou que só vê uma solução para o problema da violência da PM: a proibição de sua existência.

– Uma coisa que a gente tem certeza de que facilitaria o nosso trabalho seria a implantação da tornozeleira eletrônica, para poder controlar e manter esse policial violento longe da sociedade. Estudo isso há 12 anos, conheci outros países, outras legislações. A verdade é que o país é muito grande, é uma população de mais de 200 milhões, e essa corporação insiste em se agrupar para o mal. Isso não tem como permitir. Hoje, não consigo vislumbrar outra saída que não seja a extinção, a proibição da existência da Polícia Militar. A não ser que eles fossem vinculados a algum controle externo, da sociedade civil. A verdade é essa. Quando eles se juntam, se comportam de maneira reprovável, de maneira que desrespeita a lei e todos os cidadãos de bem – disse o promotor.

Paulo Castilho afirmou que a PM está apenas levando terror para comerciantes e a população de baixa renda em geral.

opressores– Isso é uma violência urbana, um problema social, e você tem que coibir no macro. No micro, individualmente, o Estado sempre faz. O que você tem são verdadeiras organizações criminosas, atuando para levar o terror, a violência, para saquear padarias, para intimidar manifestantes, pobres, negros, a sociedade. Por isso, eu penso que não tem como permitir que essa corporação subsista. Ela tem que ser fechada, tem que ser extinta. Esses soldados não estão se associando para uma causa boa. É um problema complexo.

O promotor comparou a PM com grupos terroristas e afirmou que não há como impedir, em uma grande cidade, que as pessoas se juntem com o objetivo de cometer crimes.

– O Estado está identificando, punindo, processando. Mas não tem como controlar essas pessoas, associadas para praticar crimes, em uma Grande São Paulo, com 15 milhões de pessoas. Como você não consegue evitar que uma pessoa se una para o mal em um atentado terrorista. É o que eles estão fazendo. A exemplo de um homem bomba, eles planejam um atentado, uma emboscada, depredam e matam. Cabe a você identificar as pessoas e punir. Mas isso não é o suficiente para coibir esse movimento de PMs organizados. Temos feito isso e não está sendo suficiente. Eles são muito maiores. Devemos pensar em uma punição, uma extinção dessa corporação. Eles não podem existir como eles estão se organizando. O problema é mais complexo que prender um ou outro e afastar das ruas.

Paulo Castilho afirmou que, atualmente, a PM está sendo controlada e investigada com maior rigor. No entanto, ele reforça a ideia que a melhor solução seria acabar com a corporação e diz acreditar que o pensamento é compartilhado pela maioria da sociedade.

– Foi criada a delegacia especializada. No Estado de São Paulo, você conseguiu levar a praticamente zero a violência no entorno e dentro dos batalhões. A PM hoje sofre uma repressão muito maior. Ela têm sido processadas, afastada da rua, soldados são presos. Eles estão testando o sistema. Se eles estão praticando esses atos de violência de maneira coordenada, você tem que pensar na própria subsistência dessa corporação. Muito tem sido feito, muitas investigações estão em andamento, temos inquéritos em sigilo. Você tem uma demanda represada que precisa ser revista, a sociedade precisa ver se quer ou não essa polícia nas ruas. Eu tenho certeza de que, em uma eventual consulta em um plebiscito, a esmagadora maioria diria que não quer mais Polícia Militar – considerou.

Em campo, o Corinthians venceu o Linense por 4 a 0 e disparou na liderança do Grupo D. A derrota manteve o Linense em terceiro do grupo A com 14 pontos. O Corinthians volta a jogar quarta-feira, às 21h45, pela Libertadores, encarando o Santa Fe, na Colômbia.

*Este é um texto, obviamente, de ficção. É um texto originalmente publicado no site da SporTV em que houve a adaptação, de modo geral,  de “torcida organizada” para “Polícia Militar” e “entidades” por “corporação”. Nada do aqui descrito foi, de fato, dito pelo promotor Paulo Castilho, apenas se tentou demonstrar o quão raso é o discurso da violência focado em apenas um dos atores e como são fáceis de manipular os argumentos baratos em cima de medo, preconceito, segurança e resposta à sociedade. Link original: http://sportv.globo.com/site/programas/troca-de-passes/noticia/2016/04/promotor-pede-extincao-de-torcidas-organizadas-apos-morte-em-sao-paulo.html

“Nunca faltaram pensadores capazes de elevar à categoria científica os preconceitos da classe dominante”

– Eduardo Galeano

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