Euro Politiks

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Por Arrison Jardel Ferraz

Fim da Eurocopa 2016. Vimos além da seleção portuguesa campeã do torneio (após a derrota em casa na edição da Euro 2004, sob o comando do então intocável Luiz Felipe Scolari), uma demonstração de garra, raça e vontade de vencer, sem contar que o melhor de seus jogadores, Cristiano Ronaldo, demonstrou o que muitos duvidam que ele tenha: espírito de coletividade, pois mesmo fora de campo incentivou e gritou como se fosse o próprio técnico do time, além de vários jogadores terem dito que as suas palavras foram primordiais para a conquista. Parabéns, merecida conquista, ora pois.

Apesar desta edição da Euro 2016 ter sido interessante dentro de campo, que surpreendeu tecnicamente por times sem muita ou nenhuma tradição no futebol chegarem às fases finais de classificação (casos de Islândia e País de Gales), outros dois destaques são: o notório público de alta renda assistindo aos jogos (e uma  consequente higienização também) e a tolerância, para não dizer incentivo, do governo russo quanto aos seus hooligans.

Não é de hoje que vemos cada vez mais que o estádio se tornou uma espécie de teatro. E tanto lá como cá, no Brasil, o acesso torna-se exclusivo de quem possui, é claro, dinheiro (e muito). Mas o que chamou a atenção foram jogos de países/seleções terem suas torcidas pouco presentes ou inexistentes nas arquibancadas durante a competição, casos de Turquia e Romênia. Será mesmo que torcedores desses países não quiseram vir por escolha própria? Claro que não! Principalmente porque são marginalizados no cenário econômico e político europeu, e cidadãos de outros países com mais bonança monetária estão no estádio protest… GOL!! Dane-se tudo! Eu quero é ver GOL! Comemoram “pobres” torcedores suíços, belgas, ingleses, alemães. Imaginem se as brigas nas ruas fossem promovidas pelos países da “periferia” europeia.

Em um momento delicado quanto a tolerância de imigrantes e sabendo o caráter muitas vezes racista dos ultras europeus, o que falar das brigas entre ingleses e russos? A imprensa europeia de um modo geral (principalmente a Inglesa) repudiou e acusou veementemente que se tratava de um prenúncio de um futuro conflito bélico e diplomático pelo poder no continente europeu. Pois então… Não que o governo russo não seja íntegro (na verdade, não é), mas ficou claro que o Kremilin só quer usar o futebol, inclusive admitindo a violência e intimidação, para interesses políticos escusos, já que futebol a Rússia nunca teve mesmo. Detalhe que a próxima Copa do Mundo será na Rússia… Portanto…

Provável que a Inglaterra esteja partindo para o mesmo caminho de usar o futebol para interesses políticos, já que a última vez que demonstrou algum futebol foi quando ganhou a Copa do Mundo em 1966, com uma ajuda da arbitragem imprescindível. Aliás, durante a Euro 2016, realizou o plebiscito para saída da Inglaterra da UE, o que parece que abriu as portas da xenofobia. Mas aos olhos dos donos do futebol isso é só um detalhe.

Novidade o uso político né? Até quando você, leitor, acha que futebol é só “espetáculo”?

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