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Gol de Gonzalo Higuaín

Por Domingos Carminatti

Quando saiu da mais alta realeza ibérica para as estreitas e pobres ruas pisadas pelo cano da bota, onde se come boa pizza – mas não as de calabresa -, Gonzalo Higuaín deixou a nobre catequese espanhola para seguir um ídolo argentino quase pagão, não fosse este acometido por uma intervenção divina em 22 de junho de 1986.

Conta o uruguaio Eduardo Galeano que o compatriota do atacante do Napoli  “não apenas era digno de admiração pelo gol do artista, bordado pelas diabruras de suas pernas, como também, e talvez mais, pelo gol do ladrão, que sua mão roubou”. Naquela tarde, no México, Diego Armando Maradona esfregou nos narizes ingleses, de punho fechado, a bravura argentina, ferida pela Guerra das Malvinas. Consagrado campeão mundial, no ano seguinte o baixinho canhoto levou os napolitanos ao descontrole com a conquista do scudetto sobre a arrogância da Velha Senhora.

Pouco depois de declarar sua vontade em repetir o feito, desta vez na temporada 2014/15, Higuaín jogava a segunda partida das semifinais da Copa da Itália, contra a Roma, em Nápoles, quando, após o intervalo, Diego Maradona entrou no estádio San Paolo, sob ovação, nove anos após sua última aparição. No primeiro minuto da etapa final, o espanhol Calejón passou para Higuaín, que devolveu a bola mansinha, de calcanhar, mas o disparo do camisa 7 parou nas mãos de Pepe Reina. Na cobrança de escanteio, o camisa 9 da seleção argentina testou para o gol. Loucura em Diego, sandice nas arquibancadas e classificação garantida à final contra a Fiorentina.

Às vésperas da Copa do Mundo, a Providência parece estar do outro lado do rio da Prata. Perspicaz, sacou o alemão que intermediava o contato humano com a divindade e colocou em seu lugar um ítalo-argentino, hincha de San Lorenzo, para ter que la mano de diós abrace a taça.

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Futebol é do povo, não dos milicos!

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Da partida entre Grêmio e Fluminense, em Porto Alegre, não é a lembrança do gol de cabeça do estreante paraguaio Riveros (usando a inspiradora 16 de Jardel) ou do tapa de Kleber pra balançar o barbante já no fim do jogo que a torcida vai levar para casa. Desde a inauguração do novo estádio, o que quase sempre se leva de recordação são confrontos entre Brigada Militar e Geral do Grêmio.

No (apenas) segundo jogo do Grêmio às 16h da tarde de um domingo no estádio inaugurado há 8 meses, mais uma vez os militares mostraram toda arrogância, petulância e truculência no qual se forjaram desde o dia da mentira em 1964. Para começo de conversa, quando militares saem impunes depois de atacar e matar civis cotidianamente, como a execução de 10 moradores do Complexo da Maré (RJ) no último mês, ou depois de desaparecer com um morador da Rocinha (Cadê o Amarildo?!), está caracterizado o estado de exceção – apesar de levar o nome “democracia”.

Nesse contexto, o processo de arenização dos estádios brasileiros serve apenas às mordaças que o capital impõe à sociedade e a escola brasileira de futebol está sendo tortura e suicidada pelos governantes. Tudo como dantes no quartel de Abrantes.

Junto com os novos palcos, veio a ideia cretina apoiada por grande parte da mídia de “mudar a forma de torcer”. Porra mermão, futebol é trago, alento e amizade. Festa do povo! Nada mais, nada menos. Não tem que inventar. Não tem que comparar com os europeus, tampouco se inspirar no Modelo Tatcher de futebol.

Gremio v Liverpool - Santander Libertadores Cup 2011

Voltamos à Porto Alegre, terra de Juliano Franczak, o Gaúcho da Geral. Estava lá o bagual torcendo pelo Grêmio, como faz há anos: pendurado na mureta, tremulando a bandeira do Rio Grande do Sul, vestindo bombacha e a camisa do imortal. Não me lembro qual o último jogo do Grêmio em casa que o Gaúcho não estivesse à frente da Geral. Nunca procurou confusão.

Acontece que, desta vez, a confusão procurou-o. Com a perna machucada, Juliano Franczak foi ao estádio e teve permissão da Brigada Militar para entrar no estádio com muletas. Empolgado com os ídolos de 1983, homenageados em campo pelos 30 anos da conquista da primeira Libertadores do Grêmio, ou seja lá por que for, o Gaúcho decidiu usar a muleta como mastro de sua bandeira. Maior afronta que isso, só tirar a camisa e xingar o juiz.  Dado o claro ato de vandalismo, a Brigada Militar decidiu que aquela era uma atitude temerária e inapropriada e foi tirar o torcedor das arquibancadas.

A resistência

Sem respeito algum, os “cães” empurraram o cidadão (que estava com a perna machucada), causando a revolta da Geral. Nem spray de pimenta conteu o ímpeto geraldino, que correu a polícia como cachorrinhos acuados em canil. Assim que foram saídos da Geral, os brigadianos que escoltavam Juliano para fora do estádio decidiram que ele pagaria a conta da treta: borrachadas covardes na nuca e nas costas.

A covardia

Se a arenização dos estádios trouxe o Modelo Tatcher de torcer, que traga, também, a extinção da Brigada Militar nos mesmos espaços.  Aproveitando o embalo, por que não limar essa corja do trato com a população no país todo? No mundo todo? A bem da verdade, é que a ditadura acabou há quase 30 anos, mas a repressão militar continua institucionalizada no Brasil. Chega de chacina, fora polícia assassina!

ALERTA, ALERTA, ANTIFASCISTA!!!!!!

Recordar é viver: Hoje reli uma notícia antiga, mas que vale a pena divulgá-la para quem ainda não tomou conhecimento. É sabido que o conluio entre capital e estado conta com o forte apoio (partidão) da mída – PIG. Pois bem , há momentos em que o estado precisa retribuir o favor. Em dezembro de 2011, o blogueiro  Amilton Alexandre, o Mosquito, foi encontrado morto em seu apartamento, em Palhoça, Santa Catarina. Segundo a polícia, tratou-se de “suicídio por enforcamento”. Mosquito havia denunciado o caso de estupro envolvendo o filho do dono da poderosa RBS, afiliada da TV Goebbels.
Tudo como dantes…. http://www.pragmatismopolitico.com.br/2011/12/blogueiro-que-denunciou-estupro.html

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Recordar é viver!

Por R. Thompson

A imprensa esportiva brasileira, ao longo de sua história, vem nos presenteando com grandes trabalhos jornalísticos de análises profundas e bem apuradas, distantes da vã especulação e do clubismo.

Com vocês, o sr. Wianey Carlet, do Grupo RB$
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When Maggie Thatcher Dies

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Por R.Thompson

Apocalipse 18:2 – E ele bradou com voz poderosa: “Caiu! Caiu a grande Babilônia! Ela se tornou habitação de demônios e antro de todo espírito imundo, antro de toda ave impura e detestável.”

A madrasta desse canibalismo batizado de ‘livre-mercado’ já está com formiga na boca.

Vai tarde a velha maldita que amaldiçoou a todos no planeta. Que passe a infinita eternidade cantando ‘Hosana nas Alturas’ como uma marionete daquele sádico amigo imaginário dos adultos.

Não me venha com piedade. Se você se esqueceu de Maggie, saiba que ela iria matá-lo como uma lição para os outros.

Parafraseando Hunter Thompson, quando da morte do namoradinho yankee de Maggie, o velhaco Richard Nixon:

‘Seu espírito irá permanecer conosco por toda nossa vida – seja eu, você, Bill Clinton, Kurt Cobain, Bispo Tutu, Keith Richards, a filha do Boris Yeltsin ou o irmão bêbado de sua noiva de 16 anos, com seu cavanhaque de bode e toda sua vida como uma nuvem em sua frente. Isso não é uma questão de gerações. Você nem precisa saber quem foi Margaret Thatcher para ser vítima de seu espírito nazista.”

Apesar da maldição da velha, já começaram as festividades na Inglaterra!

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Copa no Brasil, legado e geração de empregos

Diziam que uma Copa do Mundo no Brasil impulsionaria a economia e criaria milhares de empregos. Só da Fifa são 18 mil novos postos de trabalho.

Brincadeirinha… 1º de abril

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por | 1 de abril de 2013 · 10:13

‘Descobridores’ do Novo Milênio

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Por R. Thompson

Quando houve pressão popular contra a demolição do prédio ocupado por índios ao lado do Estádio Mario Filho, vulgo MaracanãSérgio (Pedro Álvares) Cabral cedeu…

http://oglobo.globo.com/rio/sergio-cabral-desiste-de-demolir-museu-do-indio-7414296  (janeiro/2013)

Passados dois meses, a poeira baixou e a notícia é de que amanhã o antigo Museu do Índio vai abaixo e em seu lugar será construído o Museu Olímpico – uma verdadeira ode à grande administração de Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) há 18 anos.

Dizem por aí que Eike Batista já encomendou os espumantes…

Da Folha de S. Paulo: Nesta quarta-feira (20/03/13) vence o prazo para desocupação do prédio, antigo Museu do Índio. Amanhã, a partir das 6h, oficiais de Justiça e PMs estão autorizados a cumprir ordem de reintegração de posse em favor do governo do Estado do Rio.

Segundo ocupantes da área, haverá resistência.

“Vai haver confronto. O Estado é truculento, já mostrou isso. Nós vamos revidar. Vamos ficar aqui, não vamos desistir. Iremos resistir com força. A entrada está bloqueada, não entra mais ninguém”, diz José Urutau Guajajara, 52, um dos líderes da aldeia.

http://www1.folha.uol.com.br/esporte/1249146-rio-vai-retirar-indigenas-que-vivem-ao-lado-do-maracana.shtml (20/03/2013)

A luta continua, e a resistência indígena vive!

“Onde estão meus ancestrais? A quem hei de celebrar? Onde encontrarei minha matéria prima? Meu primeiro antepassado americano… foi um índio, um índio de tempos antigos. Os antepassados de vocês esfolaram-no vivo, e eu sou seu órfão” – Mark Twain, que era branco, no New York Times, 26 de dezembro de 1881.

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Nos mijam, e o jornal diz que chove

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Por R. Thompson

Dizem por aí que a meca do futebol é a Europa: clubes ricos, grandes jogadores, médias de público excelentes e o caraglio à quatro. Dizem também que aquele é o continente mais rico do mundo, apesar da crise econômica: monumentos suntuosos, qualidade de vida excelente, igrejas folhadas à ouro e o diabo à quatro. Há quem diga, ainda, que devemos seguir o modelo de futebol e de sociedade daqueles lados. Não sei porque insistem em pedir isso; nossos campeonatos estaduais já seguem à risca os padrões europeus.

A Europa tornou-se esse continente admirado a partir da exploração e do saque de outros povos e terras, quando os estupradores de índios e de aborígenas arrancaram à força toda riqueza natural da América do Sul e da África. Fato semelhante acontece nos campeonatos estaduais do Brasil, com exceção, talvez, de São Paulo, onde os times de empresários proliferam com a mesma velocidade que o dito sertanejo universitário (não dá pra chamar isso de música).

Qualquer partida de futebol profissional no Brasil movimenta cifras monumentais, mas nem sempre os times levam sua justa parte. Quando se fala em repensar os campeonatos estaduais, temos que repensar as estruturas dos clubes e da distribuição de verba, não somente a do calendário apertado: a diferença de valor dos direitos de transmissão e dos patrocínios entre grandes e pequenos é abismal.

Não há mais como pensar em um Campeonato Gaúcho com decisão entre Brasil de Pelotas e Guarani de Venâncio Aires, tampouco uma final entre América e Bangu no Rio de Janeiro. O Grêmio, por exemplo, tem uma folha salarial que beira os R$ 10 milhões, enquanto que os vencimentos mensais do Veranópolis não chega a R$ 200 mil (durante a disputa do estadual, já que o clube entra em recesso depois de maio).

Os estaduais, invariavelmente, caminham para a extinção ou para uma significativa mudança. Os grandes clubes já não têm tanto interesse na competição e os pequenos já não têm tanta ambição. Quem melhor aproveita essas competições são os empresários, agentes e jogadores que sonham em conseguir uma transferência rentável, ou os apostadores, que veem a chance de usar o desinteresse dos clubes como alavanca para a (nem) tão combatida manipulação de resultados.

No meio dessa crise existencial o Brasil procura falsos culpados pela decadência dos estaduais, assim como a Europa classifica as nações que usurpou como ‘países em desenvolvimento’, o que é o mesmo que chamar um anão de criança. Como escreveu Eduardo Galeano no ‘Livro dos Abraços’, nos mijam, e o jornal diz que chove.

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