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Qualquer Coincidência é mera Semelhança

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Nesse inicio de ano todos fomos testemunhas das mortes de dois políticos controversos e importantíssimos no entendimento do mundo atual: o então presidente da Venezuela Hugo Rafael Chaves Frias e a ex-primeira ministra da Grã Bretanha, Margaret Thatcher. Enquanto na Venezuela o povão ficou de luto, pintou as ruas de vermelho e homenageou o líder que mesmo tendo seus defeitos foi responsável direto pela erradicação do analfabetismo, promoveu uma distribuição de renda menos canalha e fomentou as organizações comunitárias, do outro lado do Atlântico, o povão saiu às ruas para comemorar a morte daquela que mesmo sob a blindagem da mídia privada, é reconhecida como algoz dos menos favorecidos na terra da rainha.

Diversas fotos e vídeos circularam pela internet com cartazes ridicularizando e até ofendendo a rainha do neoliberalismo, como por exemplo um cartaz em uma praça na zona leste da capital Londres com os dizeres the bitch is dead (a vaca está morta), porém, o que chamou a atenção da equipe deste humilde blog foi um vídeo postado em setembro de 2012(guardem a data) no qual o Liverpool jogava, de visitante, uma partida contra o Sunderland e a torcida dos Reds cantava com vigor uma música que dizia basicamente when Maggie Thatcher dies, we will do a lot of parties (quando Thatcher morrer, faremos muita festa).

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Voltemos ao primeiro texto publicado por esse louco no Destilaria da Bola chamado se não é do povo, de quem é o futebol. Nele, tentei explicar uma visão (não só minha, mas sim uma visão adaptada e expropriada sem dó de inúmeras conversas de arquibancada) de que existe uma forçação de barra em relação a questão da segurança versus a da violência nos estádios de futebol o que acarreta no final das contas numa descaracterização do futebol como cultura popular. O que vemos hoje, com essas arenas e o domínio empresarial no futebol é uma espécie de privatização do esporte, umas vezes velada outras vezes descarada. Exatamente como no futebol inglês, veremos a privatização dos clubes comer solta aqui começando pelos malditos naming rights das (mal)ditas arenas modernas. Lá por exemplo, o Arsenal Stadium se converteu em Emirates Stadium. Uma pena. A impressão que dá é que isso esvazia a paixão que envolve o futebol, porém, só vou ter a exata noção disso no dia que o Palestra Itália se chamar Arena Qualquer-Merda LTDA.

E não é a toa que os torcedores do Liverpool esperavam ansiosos pela morte da puta de ferro. Afinal, ela usou os Reds como bode expiatório para a neoliberalização do futebol, assim como aqui no Brasil o bode foi aquela briga entre a Mancha Verde e a Independente em 95, lá na terra de George Best o funeral do futebol começou dez anos antes, quando o Liverpool enfrentava a Juventus da Itália na final da Copa dos Campeões, em Bruxelas, no Heysel Stadium. Na ocasião, a Juve venceu por 1 a 0 só que antes da partida começar  houve uma confusão entre as torcidas e a barra dos Reds derrubou uma grade e invadiu uma área considerada neutra e, as pessoas assustadas começaram um baita corre-corre com um saldo final repleto de mortos e feridos. O prato estava cheio. Com o apoio de Thatcher, os times da liga inglesa foram banidos por cinco temporadas dos torneios da UEFA e o Liverpool em especial por uma temporada a mais que o restante.

Não satisfeita com o disastre de Heysel e recuperada da mano de dios  (Copa de 86)que literalmente enfiou as Ilhas Malvinas no cu daquela senhora sádica que exterminou gratuitamente seis mil argentinos já entregues nas ilhas britânicas da costa sulamericana, Thatcher queria mais. Queria mais sangue para dar de oferenda ao Deus-Mercado nesse triste ritual que desumaniza tudo o que outrora foi humano.

Em 15 de Abril de 1989, Liverpool e Nothingham Forest se enfrentavam no Hillsborough Stadium, estádio neutro, em Sheffield, pelas semi-finais da FA Cup. Os torcedores do Liverpool foram alocados em um setor do estádio onde a entrada era minúscula, o que dificultava enormemente o acesso às arquibancadas e gerou uma tremenda de uma muvuca do lado de fora. Ao passo que o tempo ia passando e o apito inicial se aproximava, a torcida ficava ansiosa, atónita, afinal, o jogo era uma semi-final. Uma porta de saída foi aberta por Duckenfield, um dos superintendentes do estádio, no intuito de facilitar o ingresso dos torcedores. O único problema é que ela levava às partes do setor que já estavam cheias. E as pessoas, no desespero de não perder aquela semi-final, começaram a entrar no setor lotado e quem estava na grade era obrigado a escalar a mesma para não ser esmagado até que, milagrosamente, a grade cedeu e torcedores eram arremessados uns sobre os outros causando uma verdadeira tragédia. Dos 96 mortos nesse episódio, apenas 14 foram aceitos no hospital local. Mais tarde concluiu-se que 41 das 96 mortes poderiam ser evitadas se não houvesse a negação de atendimento. Questionado pela Associação de Futebol Inglesa sobre o incidente, Duckenfield contou que foram os torcedores que haviam rompido a tal da saída aberta por ele mesmo. A versão de Duckenfield só foi oficialmente desmacarada em Setembro de 2012. Qualquer coincidência com a publicação do vídeo da torcida do Liverpool hostilizando Thatcher é mera semelhança.

No ano seguinte, ou seja, em 1990, saiu o famoso Taylor Report, o relatório oficial sobre o desastre redigido por Lord Justice Taylor que então responsabilizou os torcedores do Liverpool pelos 96 mortos e tantos outros feridos. Nem preciso dizer o porquê o relatório ordenou, e foi atendido, que os setores dos estádios onde se assiste ao jogo de pé, semelhantes às nossas arquibancadas, fossem banidos dos estádios de toda a Grã Bretanha. Precisa dizer que depois disso, os preços dos ingressos foram aumentando em progressão meteórica? Se eu continuasse escrevendo aqui, ia falar sobre como a criação da Premier League impulsionada pelas televisões por assinatura, principalmente a Sky, tem uma relação gigantesca com toda essa tragédia programada, anunciada e mal resolvida, mas isso é pauta para uma próxima postagem. Não sou do tipo que comemora a morte de outro ser humano, mas não tem como não relacionar Maggie Thatcher com a tragédia que abriu as portas do futebol mais antigo do mundo para o neoliberalismo que tira do povo aquilo que lhe pertence para dar de mão beijada pra qualquer grupo empresarial de merda que não sabe o formato de uma bola de capotão. Então por isso, let´s do shit loads of parties, coz Maggie Thatcher is finaly dead!  Só esperamos que suas ideias também sejam enterradas nalgum futuro próximo.

Assista:

http://www.youtube.com/watch?v=x-4FJcnX0i8 (when Maggie Thatcher dies)

http://www.youtube.com/watch?v=rsadpNQQLIs (Liverpool x Juventus)

http://www.youtube.com/watch?v=bUuSHrhPQyk (Hillsborough disaster)

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When Maggie Thatcher Dies

-1

Por R.Thompson

Apocalipse 18:2 – E ele bradou com voz poderosa: “Caiu! Caiu a grande Babilônia! Ela se tornou habitação de demônios e antro de todo espírito imundo, antro de toda ave impura e detestável.”

A madrasta desse canibalismo batizado de ‘livre-mercado’ já está com formiga na boca.

Vai tarde a velha maldita que amaldiçoou a todos no planeta. Que passe a infinita eternidade cantando ‘Hosana nas Alturas’ como uma marionete daquele sádico amigo imaginário dos adultos.

Não me venha com piedade. Se você se esqueceu de Maggie, saiba que ela iria matá-lo como uma lição para os outros.

Parafraseando Hunter Thompson, quando da morte do namoradinho yankee de Maggie, o velhaco Richard Nixon:

‘Seu espírito irá permanecer conosco por toda nossa vida – seja eu, você, Bill Clinton, Kurt Cobain, Bispo Tutu, Keith Richards, a filha do Boris Yeltsin ou o irmão bêbado de sua noiva de 16 anos, com seu cavanhaque de bode e toda sua vida como uma nuvem em sua frente. Isso não é uma questão de gerações. Você nem precisa saber quem foi Margaret Thatcher para ser vítima de seu espírito nazista.”

Apesar da maldição da velha, já começaram as festividades na Inglaterra!

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