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PELÉ E A NORMALIDADE BRASILEIRA

pelé

Pelé, o poeta mudo, afirmou que a morte de mais um operário no Itaquerão é coisa da vida, é normal. Para ele, o mais absurdo mesmo é a forma como os turistas estão sendo tratados nos nossos precários aeroportos, temendo que o Brasil estrague a oportunidade de mostrar ao mundo como nosso país é excelente.

Pois é Pelé, sabe o que é o pior da sua fala? Ela é verdadeira. A lógica exposta em público deixaria até George W. Bush corado de vergonha (talvez não), mas o conteúdo da fala não poderia ser mais verdadeiro.

A construção civil está em segundo lugar no ranking de mortes relacionadas com acidentes de trabalho, perdendo apenas para o transporte rodoviário de cargas. Estes números demonstram que nossas estradas são perigosas e nossas construtoras negligentes, ou seja, é normal sim operário morrer em obras por aqui e não só eles.

Da mesma forma, é normal por aqui exaltar militares e filhotes da ditadura. As nossas crianças saem das escolas com nomes de generais-presidentes-ditadores para assistir o futebol que é gerido pela CBF. Esta entidade é presidida por José Maria Marin, ex-deputado estadual pela ARENA – partido de situação da época de chumbo – e um dos incentivadores da invasão da TV Cultura que culminou na morte de Vladimir Herzog.

Herdamos outra normalidade da ditadura, que é a Polícia Militar, causadora de inúmeras mortes nas áreas mais pobres do nosso país e principal atriz do genocídio da juventude negra que assistimos diariamente.

Normalidade é também atribuída à morte de praticamente um homossexual por dia no Brasil.

Também é normal por aqui que nossos políticos mintam. Quando o Brasil foi escolhido para ser sede da Copa do Mundo, Ricardo Teixeira e Lula afirmaram com todas as letras que a maioria dos financiamentos às obras seriam privados. Hoje se fala em até 97% de envolvimento de dinheiro público em estádios e obras de infraestrutura, que não vão ficar prontas para a Copa.

Por aqui acontecem desalojamentos para dar lugar a estas obras que nunca terminam, ou mesmo só pra dar uma limpada na área. Casas são demolidas, índios são expulsos, patrimônios históricos e culturais viram pó, bibliotecas desativadas para servir de caserna aos militares, tudo debaixo de muita brutalidade policial. Uma lógica coerente do ponto de vista de um Estado que ´´pacifica“ áreas mandando homens armados para lá. Ou uma coisa normal, se preferir.

Tudo é fruto de uma lógica. A fala do Pelé é verdadeira porque demonstra um fato decorrente da lógica do Estado de modelo social e econômico. As obras precisam ficar prontas, portanto, não há tempo para qualificar os operários. Se morrer paciência, é ´´normal“. Tempos estranhos estes que o Pelé chama de normal. O normal que gera mortes. O normal que desvia verbas de educação e saúde para obras. O normal que massacra a população a cada dia.

E depois da Copa Pelé? Enquanto você estará com seus bolsos transbordando, ao povo restará esta normalidade que você expôs, onde o normal é a morte e o absurdo é fila em aeroporto.

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When Maggie Thatcher Dies

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Por R.Thompson

Apocalipse 18:2 – E ele bradou com voz poderosa: “Caiu! Caiu a grande Babilônia! Ela se tornou habitação de demônios e antro de todo espírito imundo, antro de toda ave impura e detestável.”

A madrasta desse canibalismo batizado de ‘livre-mercado’ já está com formiga na boca.

Vai tarde a velha maldita que amaldiçoou a todos no planeta. Que passe a infinita eternidade cantando ‘Hosana nas Alturas’ como uma marionete daquele sádico amigo imaginário dos adultos.

Não me venha com piedade. Se você se esqueceu de Maggie, saiba que ela iria matá-lo como uma lição para os outros.

Parafraseando Hunter Thompson, quando da morte do namoradinho yankee de Maggie, o velhaco Richard Nixon:

‘Seu espírito irá permanecer conosco por toda nossa vida – seja eu, você, Bill Clinton, Kurt Cobain, Bispo Tutu, Keith Richards, a filha do Boris Yeltsin ou o irmão bêbado de sua noiva de 16 anos, com seu cavanhaque de bode e toda sua vida como uma nuvem em sua frente. Isso não é uma questão de gerações. Você nem precisa saber quem foi Margaret Thatcher para ser vítima de seu espírito nazista.”

Apesar da maldição da velha, já começaram as festividades na Inglaterra!

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