Arquivo do mês: julho 2014

Por que não suspendem o mando de todos os diretores da CBF por um século também?

 

Não sei porque ainda abro o Goebbels Esporte Ponto Com. Hoje me deparei com uma matéria (http://globoesporte.globo.com/futebol/brasileirao-serie-a/noticia/2014/07/corinthians-e-palmeiras-podem-perder-ate-10-mandos-de-campo-no-stjd.html) publicada por lá e assinada pela redação, ou seja, com forte conteúdo editorial, afirmando que ambos, Palmeiras e o outro time, podem perder 10 mandos de jogos por causa de umas cadeirinhas quebradas no “Estádio do Corinthians.”

 

Como já disse no post de ontem, não acho a oitava maravilha do mundo quebrar cadeiras, mas também não acho que elas devessem existir nos setores populares. Uma parcela enorme de pessoas e torcedores de futebol não quer elas por diversos motivos os quais já falei e a presença dessas malditas em todos os estádio está “desdemocratizando” a forma de torcer do nosso povo.

 

A questão não é essa. A questão é: por que a dona Globo trata fatos como esse com tanto rigor levando às últimas conseqüências, por exemplo, a de escancarar a vida de dois torcedores, a de criminalizar um fato tão pequeno que é a quebra de uma cadeira e, em paralelo, faz vista grossa às atrocidades cometidas pela direção da CBF e do seu STJD, o famigerado superior teatral de justiça desportiva? Por que não criminaliza com a mesma força os inúmeros escândalos de corrupção, viradas de mesa, falta de respeito à direitos trabalhistas dentro do futebol, o papel do nosso futebol como mero exportador de mão-de-obra, e etc..?

 

E por que a partir de tantos escândalos não entrevistam juristas que possam prever penas de afastamento destes diretores?

 

Ah tá, já lembrei o porquê.

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Peraí!

Peraí!

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Calma aí, tem alguma coisa muito estranha acontecendo nesta cidade. Primeiro, os Corinthianos vão ao Blatterzão e não conseguem pegar o metrô aberto para voltarem às suas casas. Até aí, nada de novo. Uma situação que inclusive deveria mudar. Uma condição inaceitável para qualquer torcedor mas que nunca virou notícia, nunca se deu a devida atenção, a não ser, claro, os diretamente afetados por essa mistura de má gestão do transporte público com o domínio de uma certa emissora de televisão sobre o futebol brasileiro. Acontece que na primeira porta na cara na nova torcida corintiana na longínqua (para a maiores dos freqüentadores no mais novo shopping Center da zona leste) estação Itaquera, a condição inaceitável que acontece há anos com todas as torcidas – inclusive a velha e popular torcida corintiana – ganhou os noticiários e a internet. E para o jogo seguinte, o metrô passou a funcionar meia hora a mais por determinação do governo do estado. Encurtar a sagrada novela, jamais!

 

Aí vejo uma declaração do jornalista esportivo, palmeirista e companheiro de viagens, boteco, vida e terrão que diz o seguinte: “Gostaria de informar que o Palmeiras joga hoje às 22h no centro da cidade, e muita gente vai perder o fim ou sair correndo no apito final para pegar o metrô, sendo que boa parte destes perderá o horário do dito cujo, que não vai estender suas atividades por causa do jogo. Mas isso não será notícia em nenhum jornal amanhã.”

 

De repente, me deparo com a seguinte reportagem feita pela ESPN com representantes do sindicato dos metroviários, na qual Altino Prazeres, presidente do sindicato, deu a seguinte declaração: “”É uma decisão que não pensa nos torcedores. Além de torcedores, eles são trabalhadores. Mesmo com o metrô aberto, eles demoram para chegar em suas casas e ainda têm de ir ao trabalho no dia seguinte. Por que não se muda o horário do jogo? É uma decisão que só atende à TV Globo. A cartolagem parece que prefere desse jeito também. Não quer bater de frente.”

 

E quando a gente acha que não pode ir mais fundo, vem a globo com uma escavadeira.

 

(E nota-se que são declarações de gente que vive o futebol e o transporte público no cotidiano.)

 

E para piorar ainda, a globo, que controla os horários dos jogos de futebol e os do metrô, de acordo com os seus interesses, também andou reinventando o jornalismo investigativo. Transformou-o em pesquisa de hashtag nas redes sociais. Na matéria publicada pelo goebbels esporte, neste link (http://globotv.globo.com/rede-globo/globo-esporte-sp/v/palmeirenses-quebram-cadeiras-na-arena-corinthians-e-depois-postam-fotos/3526152/), os maiores expoentes do bom-mocismo da imprensa esportiva destrincharam as vidas, os gostos, as habilidades e a intimidade de dois torcedores palmeiras que eventualmente quebraram cadeiras no último domingo no Blaterrzão. Dois torcedores que tiveram a infelicidade de terem suas contas de twitter e facebook expiadas pela equipe destes dois cânceres do jornalismo esportivo. E a forma “amena” como se metralha os rapazes, dizendo “que eles até parecem ser gente boa” – como quem diz “não importa quem você é, eu vou te fritar” – foi a cereja no bolo de mais um assassinato gratuito de reputação que permanecerá impune enquanto não se fizer uma revolução nas telecomunicações por estas bandas.

 

“Ahh, mas ele quebrou as cadeiras!”

 

Sim, ele quebrou e postou uma foto dizendo que quebrou. Também não acho que isso seja a coisa mais legal e bacana do mundo mas a questão é outra. Em primeiro lugar, não deveriam haver cadeiras ali. Nos setores populares, onde se faz a verdadeira festa do futebol, nunca se pôs as malditas cadeiras. Exatamente para permitir às pessoas pularem, tocarem suas baterias e sim, (porque não?) chutarem o concreto quando o time está na pior. Tem gente que não aprendeu a extravasar a paixão de outra forma. E é muita gente, garanto. Quem aqui nunca se quebrou, ou quebrou alguma coisa, um controle remoto que seja para os que torcem do sofá (mas torcem)?
A pergunta que fica é: por que somos reféns da globo?

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Uma seleção que não joga de local

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A goleada vexatória por 7 a 1 sofrida diante da Alemanha não é nosso único fiasco neste mundial. Batemos, prendemos, extorquimos e despejamos os nossos que ficaram do lado de fora do estádio para mostrar ao mundo inteiro, com requintes de crueldade, a nossa própria decadência dentro do mesmo. É verdade, o castigo foi muito pesado. E demasiado humilhante. E a nossa reação a ele foi ainda mais humilhante. Ela escancarou que estamos perdendo em campo, nos bastidores e também nas arquibancadas.

 

Nossa torcida perfumada que esteve presente nos estádios da Copa não soube apoiar o time. Uniu a falta de criatividade para criar uma canção com a falta de paixão para cantá-la. Não soube apoiar porque nunca apoiou nada de fato. Também pudera em um país que vem sistematicamente excluindo economicamente dos estádios o povo que ao longo da história batizou a grandeza do seu futebol. Não é de hoje que os estádios estão vazios. E não é por causa da violências das torcidas organizadas: primeiro porque os índices são os mesmos mas os atos de violência acontecem longe dos estádios e em segundo lugar porque pôde-se notar nesta Copa que “violência de arquibancada” não é monopólio de torcida organizada.

 

A lógica é bizarra. É tipo o sujeito que flagra a companheira o traindo no sofá da sala e para resolver o problema joga o sofá fora. Essa onda de cadeiras nos estádios brasileiros é surreal. Nunca precisamos disso para ser pentacampeões mundiais e para termos uma das culturas torcedoras mais apaixonantes do mundo. Por que então agora todo grande estádio vai ser encadeirado por essas bandas? E a proibição das bandeiras de bambu em São Paulo? E as proibições temporárias de baterias? As filas de gado e os corredores poloneses ocasionais?

 

Dizem por aí que o Brasil é o país do futebol, não é mesmo? Talvez seja o da exportação de jogadores, como bem frisou Juca Kfouri em seu blog, com números astronômicos de transações para o exterior o que talvez explique o baixo índice de jogos do Brasil para o seu próprio povo. Percebe-se que não se trata o futebol com o devido respeito por essas bandas. E olha que ele é considerado parte da nossa cultura popular. Engraçado que – de acordo com um levantamento feito a partir de sites de cobertura esportiva, já que a CBF não disponibiliza dados anteriores a 2013 – nos últimos cinco anos, de 66 partidas, jogamos apenas 22 em casa. Sendo que sete foram do mundial, 5 da Copa das Confederações e duas em Super-Clássicos (a Copa Roca moderna). Foram apenas 8 amistosos em casa contra 34 de visitante. Só nos Estados Unidos foram 6 jogos, um contra a Colômbia, outro contra a Argentina, outro contra o México, Portugal e apenas dois deles contra os EEUU, donos da casa, um em 2012 e outro em 2010, no ano da Copa da África do Sul, no qual nossa seleção não jogou nenhuma vez em nossos gramados futuramente higienizados e superfaturados.

 

E o preço que se paga por não jogar em casa e por sistematicamente excluir a sua torcida de dentro dos estádios é o quê vimos na Copa. Uma torcida apática, que não reage, que não joga junto com o time. Mas que canta o hino à capela! Nada contra cantar o hino com vigor, mas que cazzo isso tem a ver com futebol?

 

Coincidentemente ou não, essa mesma torcida desfilou seu ódio – aliás, desfilar é a especialidade de muitos que estavam ali – vaiando o hino do Chile e mandando para “aquele lugar” a presidenta do país, que também não me agrada muito, mas há de se entender que quem estava tão eufórico com a Copa deveria ter um mínimo sentimento de gratidão para com ela. Além do ódio contra os argentinos fomentado há anos por rede globo e adjacências, transformando uma rivalidade de futebol em algo muito mais macabro, usando como estopim a péssima interpretação de uma musica da torcida argentina que rememorava a nossa derrota em 1990. Perdemos mesmo em 1990? E daí? E daí que esse ódio todo fez com que muitos brasileiros torcessem como loucos pelos nossos algozes alemães. Torcer pelo time que depenou o meu time é algo inconcebível no mundo do futebol. Torcer pelo rival também é. Nesta final de Copa do Mundo no Maracanã, perdemos enquanto torcida uma grande oportunidade de ficarmos quietos.

 

O Brasil ainda terá mais quatro jogos neste ano. Em setembro pega a Colômbia em Miami e o Equador em Nova Jersey. No mês de outubro jogaremos o super clássico contra a Argentina. Em Pequim. E finalizando o ano, jogaremos de visitante em novembro contra a Turquia. Os donos da casa nos recebem em Istambul. Com o apoio de sua torcida. Nós contaremos com Dunga e José Maria Marin. É demais da conta, não acha?

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DUNGA É SELEÇÃO!

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Mais uma vez vamos ter Dunga à frente da seleção. Na sua primeira passagem colecionou títulos, desavenças e bancos de reserva de não fazer inveja nem a time de condomínio rico.

Mas tem um lado bom, juro que tem. Eis a minha ideia: Dunga assessor de imprensa da seleção. Não é pra qualquer um mandar a Globo pastar, segurar os arroubos de exibicionismo dos jogadores e xingar o Alex Escobar.

A tal da mudança de mentalidade deveria começar por aí: dar fim a esta relação promíscua entre seleção e Globo e por na cabeça dos nossos jogadores-empresa que nem tudo o que eles falam ou vestem precisam gerar dinheiro, assim como nem tudo na vida precisa virar hashtag.

O Dunga é um treinador competente, mas limitado, estará inserido na vitalícia máfia da CBF, fomentada e intermediada pela Globo, que pauta as medíocres críticas de quase toda a imprensa.

Neste panorama, acho que a maior de nossas felicidades vai ser ver a Fátima Bernardes barrada em treino ou, quem sabe, sobre até um palavrão para o Tiago Leifert (utopia).

Vai Dunga!

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UMA ÚLTIMA REFLEXÃO NA COPA

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Link Original: http://strayagain.wordpress.com/2014/07/15/uma-ultima-reflexao-na-copa/

Por Tom Gatehouse*

Apesar da Copa do Mundo ter sido – por consenso nacional e internacional – um grande sucesso, não todo mundo está satisfeito. Não, não estou falando do pobre torcedor brasileiro (poderia ser pior, vocês poderiam ser ingleses), mas da grande mídia e particularmente, de alguns pequenos comerciantes. Não faturaram tanto quanto queriam, os turistas não gastaram o desejado, e em dias de jogo (especialmente os da seleção brasileira), os negócios ficaram às moscas. Por que será? Instintivamente, muitos têm culpado os movimentos sociais e, especialmente, o movimento ‘Não vai ter Copa’.

Agora vale a pena reiterar que não existe um consenso sobre os benefícios de grandes eventos desse tipo para economias nacionais. Se diz que as Olimpíadas de 1992 foram um bom negócio para Barcelona, mas os jogos de 2004 tiveram consequências graves para Grécia, África do Sul não lucrou com a Copa de 2010, e até Alemanha – país que já tinha uma boa rede de estádios e uma infraestrutura sofisticada – também não lucrou com a Copa de 2006. Portanto, não era muito realista esperar que o Brasil fizesse grande lucro com essa Copa, ainda mais quando se considera o dinheiro que foi gasto para que a Copa pudesse acontecer aqui.

Aliás, nem todos os comerciantes reclamaram. Alguns, como os donos de bares, fizeram uma boa grana (segundo eles, o faturamento subiu 80% nos dias que a seleção brasileira jogou).

Agora chegamos aos ‘Não vai ter Copa’. Segundo a Folha de S. Paulo, o movimento ‘contaminou’ o país, criando um clima negativo que levou muita gente a desistir de fazer as preparações e investimentos necessários. Eu acho que é simplesmente o caso que alguns comércios (os bares, os taxis, os albergues, os vendedores ambulantes) naturalmente foram beneficiados pela Copa, enquanto infelizmente muitos outros tiveram um mês mais devagar. Mas talvez a Folha tenha razão sobre um ponto: muitas pessoas me falaram que o clima antes dessa Copa não se comparava ao das Copas anteriores. Será então que a culpa realmente é dos movimentos sociais? Dos ‘Não vai ter Copa’, ou talvez dos black blocs dos quais nós lemos tanto nos jornais e revistas?

Ou será que o clima negativo tinha a ver com o fato que o Brasil corria perigo de não entregar vários estádios antes da abertura? Ou que apenas 41% das obras totais planejadas para a Copa ficaram prontas a tempo? Ou que oito operários morreram durante a construção e reforma dos estádios (sem falar de mais duas pessoas após a queda de um viaduto em Belo Horizonte no dia 3)? Ou a superfaturamento de obras, ou as brigas mais ou menos públicas entre FIFA e o governo federal? Essas não seriam razões muito mais fortes do que umas manifestações de relativamente baixa adesão?

Parece que algumas pessoas levaram muito literalmente o movimento ‘Não vai ter Copa’. Ninguém – nem os ativistas mais militantes – acreditava que não ia ter Copa. Com tanto investimento, o Estado brasileiro não podia nem contemplar a possibilidade de não ter Copa. O lema ‘Não vai ter Copa’ sempre foi um exagero calculado, uma declaração simbólica, um jeito de chamar atenção ao movimento e às críticas dessa Copa do Mundo e a maneira que ela foi organizada. Ou seja, os protestos e greves que vimos nas semanas antes da Copa não são causas do mal-estar, mas sintomas dele. As causas são justamente essas identificadas e criticadas pelos manifestantes, com toda razão.

Estou falando das remoções forçadas de moradores das favelas e periferias das grandes cidades. Da ‘Lei Geral da Copa’ e as zonas de exclusão da FIFA perto dos estádios. DoBudweiser Bill, e o fato de que a FIFA não vai pagar nem um centavo de impostos no dinheiro que fez durante o evento. Me refiro à crescente criminalização de protesto, e ao uso de detenções arbitrárias, cercas humanas e até armas de fogo para conter manifestantes. E claro, sobretudo, aos bilhões gastos em um evento esportivo, em um país em que tantas pessoas carecem de saúde, educação, moradia, mobilidade urbana.

Nesse novo ataque aos movimentos sociais, eu vejo mais uma vez os instintos autoritários da grande mídia brasileira, e uma tentativa de legitimar a violência utilizada pelo Estado no tratamento das manifestações (vejam, por exemplo, a sugestão brilhante do Ronaldo de ‘baixar o cacete’ nos ‘vândalos’). Era lógica supor que a Copa seria geralmente um sucesso, considerando não apenas o dinheiro investido, mas também a grande paixão dos brasileiros pelo futebol. Por isso não me surpreende que as pessoas que protestavam contra o evento nas semanas antes da abertura agora são atacadas. Porém, podemos gostar do espetáculo, ao mesmo tempo que engajamos com ele de uma maneira crítica. Nosso amor pelo futebol não deveria nos cegar à corrupção, injustiça e violência que acompanharam essa Copa do Mundo desde o começo.

*O autor é inglês, professor, tradutor, escreve o blog “Para Inglês Ver” e atualmente mora no Brasil.

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OS DEUSES DO FUTEBOL NÃO PERDOAM

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Por Rafael Thomé

O cenário parecia perfeito. Fidalguia reunida, acerto para sediar o maior evento esportivo do planeta, um agente externo exigindo a construção de templos faraônicos, atrasos providenciais seguidos de verbas emergenciais, time empolgado, embalado e badalado, todos juntos, pra frente Brasil, inclusive o juizão de campeonato carioca na estreia.

Mas os deuses do futebol não perdoam a degradação da maior paixão nacional, da camisa amarela que fez mole as coxas de zagueiros consagrados e queimou mãos de melhores goleiros de Copas, do canário que dançou, balançou e chacoalhou defesas inteiras. Não há perdão para o sufocamento dos campos de várzea em meio aos espigões das grandes cidades, não há perdão para o asfixiamento dos clubes do interior, não há perdão para feudos estaduais, não há perdão para clubes que brincam de especulação, inflação e sonegação, não há perdão para dirigentes gerentes de negociatas, não há perdão para técnicos obsoletos, não há perdão para jogadores escalados por Joorabchians.

7 a 1, na reedição da final de 2002. Faltou Ronaldo? Faltou Rivaldo? Sobrou Scolaris, Runcos, Paivas, Teixeiras. E nada de hospitais.

Mas fique tranquilo. Agora, tudo vai mudar. Vem aí Marco Polo Del Nero.

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