Arquivo do mês: maio 2013

DIÁRIO DE UM SKINHEAD

Este trecho foi retirado do livro ‘Diário de um Skinhead’, de Antonio Salas, codinome do jornalista espanhol que, durante um ano, se infiltrou no movimento Skin em Madri. Neste livro, ele demonstra as várias conexões que o movimento tem em outros países, com partidos políticos, bandas, torcidas de futebol e dirigentes dos clubes, além é claro de relatar o dia-a-dia violento deles.

Vale bastante à pena a leitura, apesar da tradução ser fraca e demonstrar desconhecimento em vários assuntos tratados, como o futebol. Tem um filme baseado no livro também, com o mesmo nome, que dá pra assistir no youtube, mas é muito ruim. Enfim, este trecho é a fala de um dos membros da Ultras Sur, torcida do Real Madri ligada ao movimento nazi, sobre a sua formação até a primeira metade da década de 90.

 

Capa do livro

Capa do livro

Caprichos do destino. Waffen acabava de comprar em um antiquário madrilense uma adaga da SS muito parecida com a que o Doninha  havia dado de presente ao meu amigo da Ku Klux Klan, só que a de Waffen era uma cópia, pela qual havia pago uma pequena fortuna. O que me deixava claro, se é que havia alguma dúvida, que dispunha de grandes recursos financeiros, apesar de ser estudante. O jovem skinhead, neonazi e mdrilista até a alma, me contou histórias da coletividade em que eu iria agora me integrar, enquanto comíamos uns hambúrgueres no Mc Donald’s de Concha Espina, a poucos metros do Bernabéu. Esse é um resumo da história da Ultras Sur, narrada por eles mesmos:

‘Tudo começa no final dos anos 70, quando aparece, dentro da torcida As Bandeiras, um grupo de jovens com uma ideia um tanto ‘particular’ de entender o futebol, embora no princípio tenham sido acolhidos normalmente e tenham se filiado à torcida, em sua maioria. Já transcorria a temporada 1981-1982, quando o Real Madri disputa a final da Copa do Rei, em Valladolid, contra o Sporting de Gijón, partida na qual esse grupo de jovens, ainda pertencentes à torcida As Bandeiras, protagoniza uma série de incidentes com os torcedores da Fondo Sur, do Sporting, atualmente Ultra Boys. Por causa desses incidentes, são expulsos da torcida, o que cria as bases para a fundação da Ultras Sur.

Assim, na apresentação do Real Madri 1982-1983, esse grupo de jovens liderado por Antonio Guerrero decide formar a Ultras Sur, ato que toma forma definitiva com a criação da primeira carteira de identidade do grupo. Nessa temporada têm lugar os acontecimentos que lançam a Ultras Sur nas primeiras páginas dos jornais; o primeiro foi por ocasião do jogo do campeonato da Liga disputado pelo Real Madri em Valência, partida que perdeu por 1×0 e que determinou a perda do título, o que fez com que os cerca de cinquenta ultras que tinham viajado para a cidade de Túria começassem a agredir os torcedores valencianos. A segunda ocorrência dessa temporada 82-83 foi a final da Copa disputada contra o Barcelona, em Saragoça; nessa ocasião, os incidentes com os torcedores catalães, desde a chegada dos madrilistas à Praça do Pilar, continuaram durante a partida e não terminaram até várias horas depois do jogo. Assim se pode ver que, desde o primeiro ano de atividades como grupo ultra realmente, vieram arrastando a ‘fama’ que os precede. A temporada 82-83 terminou com o depoimento de diversos integrantes da Ultras Sur frente à comissão de disciplina do clube branco, para explicar diversos incidentes em Chamartín, além dos já relatados, na final em Saragoça.

mosaico real madri

Na temporada 85-86 tem grande importância, também, a imensa bandeira patrocinada pela Comunidade de Madri, que foi estendida pela primeira vez por ocasião do jogo Real x Barcelona desse ano; a maior bandeira jamais estendida em um estádio espanhol. Sem dúvida, porém, o mais relevante nessa temporada foram os acontecimentos em Alicante quando da visita do Real; deslocaram-se para lá uns 200 ultras, que chegaram na véspera da partida. Já nessa noite, em um bar, algumas pessoas começaram a cantar o hino do Barcelona, o que terminou em agressões, o bar destroçado e oito ultras detidos. No dia seguinte, já no estádio, quando o Real Madri marcou o terceiro gol, os torcedores locais começaram a arremessar objetos nos madrilistas, os quais acabaram atacando, na arquibancada, lembrando a tragédia de Heysel, ocorrida no ano anterior, o que terminou com outros ultras detidos. Infelizmente, é preciso também lembrar que nesse ano, depois de uma partida de basquete disputada pelos brancos, a Ultras Sur se apresentou no estádio Vicente Calderón, onde jogavam o Atlético de Madri e o Castilla, e entraram no Fondo Sur, agredindo os torcedores atleticanos.

A temporada 86-87 talvez tenha sido a mais importante da história desse grupo, já que marca sua completa consolidação como grupo ultra, uma vez que o lança no ‘estrelato’, tanto nacional quanto internacionalmente. No mês de outubro, na partida de basquete que o Real Madri disputou na quadra do Estudantes, ocorreram numerosíssimas agressões por parte da Ultras Sur aos torcedores estudantinos. Somente um mês depois desses incidentes o conjunto branco viajou para Valladolid para uma partida da Liga, acompanhado, naturalmente, por seus fiéis seguidores. Tudo normal, até que em um determinado momento da partida, e diante dos contínuos insultos a que se viam submetidos por parte dos valadolidenses, os ultras madrilistas deram início a uma série de ataques e brigas dentro da própria arquibancada, o que trouxe à memória da sociedade as imagens protagonizadas pelo mesmo grupo, apenas alguns meses atrás, em Alicante. Tudo isso trouxe grandes ondas de protestos, uma vez que o nome da Ultras Sur era continuamente atacado, o que criou uma espécie de psicose, como jamais se tinha visto na Espanha. No mês de janeiro, na partida contra o Bétis, os seguranças privados do estádio investiram brutalmente contra o grupo, tendo os ultras reagido às agressões, o que levou os agentes a fazer quatro detenções. E isso era apenas uma amostra da psicose contra os ultras; até o Sindicato Profissional da Polícia Uniformizada e a Associação Independente da Polícia consideraram desproporcional e fora de lugar a atuação dos seguranças.

grafite ultras sur

Depois desses acontecimentos, disputava-se no estádio Bernabéu uma partida amistosa entre as seleções da Espanha e da Inglaterra, para a qual vieram das ilhas 200 hooligans, isso fez com que a polícia intensificasse as medidas de segurança, e mesmo assim três torcedores britânicos foram esfaqueados pelos ultras, no próprio dia da partida.

Com tudo isso, chegamos à temporada 87-88, que começa com os reflexos da partida do ano anterior contra o Bayern, que faz com que o Real jogue sua primeira partida da Copa da Europa, contra o Nápoles, com os portões do Bernabéu fechados; para a segunda rodada eliminatória o Real Madri se deslocou para Valência para enfrentar o Porto, e a Ultras Sur viajou até a cidade de Túria, voltando a provocar incidentes com os portugueses antes, durante e depois da partida, já que, além do mais, estavam localizados exatamente acima dos torcedores chegados de Portugal. Antes desses acontecimentos, e durante a partida do troféu Santiago Bernabéu, disputada contra o Everton, 180 membros do grupo foram expulsos do estádio. Nessa temporada, no jogo contra o Atlético, no Bernabéu, e quando o Real Madri já estava perdendo por 4×0, na metade do segundo tempo, os brancos ultras invadem a zona do terceiro anfiteatro, onde se localizava a Frente Atlético, e desencadeiam uma investida sem precedentes até então contra nenhum grupo ultra dentro de um estádio; nesse encontro, depois de acabado, também saiu esfaqueado um torcedor do Atlético.

Quanto à partida no Calderón, é preciso registrar que o ônibus que transportava os jogadores alvirrubros, e que chegou ao estádio com apenas uma hora de antecedência, foi apedrejado pela Ultras Sur na M-30, bem perto do estádio. Sobre essa temporada também é preciso dizer que na saída de um Real Madri x Estudantes foi agredido Javier Garcia Coll, jogador estudantense, que também teve seu carro avariado. Finalmente, devemos dizer que houve um programa de Iñaqui Gabilondo, intitulado ‘Em Família’, em que membros da Ultras Sur, com o rosto velado, fizeram duras declarações, além de ser a primeira vez que grupos de ultras se apresentaram diante das câmeras em um programa ao vivo.

Assim, chegamos à temporada 88-89, que começa com a morte, no verão de 88, de Toni, membro carismático do grupo. Continua no mês de setembro com a viagem do grupo a Gijón; assim, na véspera do jogo, um ônibus do grupo viajou até as terras asturianas, e lá chegando tomou o caminho de Oviedo, onde eram as festas do padroeiro; uma vez ali foram constantemente provocados até que desencadearam gravíssimos incidentes que acabaram com a detenção de 24 ultras brancos. A partir desse ano, começa a ficar mais forte a amizade que há muito unia a Ultras Sur com a Brigadas Alvicelestes do Español; são feitas fotomontagens amistosas e os dois grupos também se unem na celebração do 20-N do ano de 88, e a amizade fica finalmente selada quando, em 13 de maio de 90, quatro membros da Ultras Sur se deslocam para Sarriá, convidados pelas Brigadas para assistir à partida de promoção contra o Bétis, para a qual colocam pela primeira vez a faixa da Ultras Sur no Fondo Sur de Sarriá. Nas finas da temporada, o grupo da Ultras Sur semeia o pânico na zona madrilense de Moncloa com inúmeras e graves agressões (algumas com armas brancas), que terminam em 15 de dezembro de 90 com a detenção de alguns de seus líderes. O final dessa temporada tem lugar com a disputa, por parte do Real Madri, da final da Copa do Rei, frente ao Valladolid, no estádio Vicente Calderón; os ultras madrilistas se aproximaram do estádio do eterno rival, voltando a instalar o pânico entre os aficionados locais, do que resultaram quatro feridos – um dos quais teve de ser operado depois de ter sido apunhalado – e numerosas denúncias apresentadas contra a Ultras Sur por agressões.

Conexão Ultras Sur-Brigadas

Conexão Ultras Sur-Brigadas

Também há coisas a destacar na temporada 90/91, na qual, em razão da partida da Copa no Vicente Calderón, aproximadamente 300 ultras mdrilistas se concentraram na Praça Maior de Madri e se dirigiram ao estádio. Uma vez atravessada a Porta de Toledo, foram parados pela Polícia Nacional e, devidamente escoltados, foram localizados na tribuna do Manzanares; essa é a primeira vez que a Ultras Sur é levada dessa maneira ao Calderón, o que será uma norma a partir desse momento nos deslocamentos para o estádio vizinho, e que hoje nos parece tão natural. Assim, meses depois e em razão da partida da Liga, organiza-se uma nova concentração na Praça Maior, já combinado previamente com a Polícia Nacional, e à qual comparecem uns 500 membros do grupo, a representação mais numerosa até então. Dessa temporada é preciso comentar também que, pela primeira vez em muitos anos, um pequeno grupo organizado de Boixos Nois* (aproximadamente uns 20) se desloca para o Bernabéu. Uma vez iniciada a partida, os ultras decidem subir até o terceiro anfiteatro e investem contra os torcedores do Barcelona, que haviam se deslocado para o estádio sem escolta policial; sem opor quase resistência, devido ao seu pequeno número, não têm outro remédio senão abandonar o estádio às pressas.

Assim chegamos à temporada 91/92, na qual o mais significativo foi, sem dúvida, o barco viking preparado contra o Atlético de Madri; esse talvez tenha sido um dos tifos** em que mais pessoas tiveram que colaborar, já que a construção completa do barco, que demorou cerca de uma semana, ficou a cargo do grupo. Como piada, é preciso comentar que, pelo seu grande tamanho, era impossível  fazê-lo subir ao Fondo Sur, e por isso o barco teve de ser introduzido por uma porta normal de entrada para o campo. Esse barco levava consigo um acompanhamento de ondas, as quais não puderam ser montadas na sua totalidade porque, uma hora antes da partida, a polícia qubrou a maioria delas, já que os ultras levavam pequenos bastões para esticá-las.

ultras saudação

Nessa temporada 91/92, e em razão do choque contra o Atlético de Madri em Calderón, uns quinze membros da Ultras Sur se apresentam várias horas antes da partida na Praça Maio, lugar habitual de concentração madrilista, e qual não é sua surpresa quando aparecem uns quarenta indivíduos, entre membros da Frente Atlético, juntamente com membros da seção Centro dos Boixos Nois, convenientemente armados, os quais acabarão fugindo do enfrentamento com os ultras. Nessa temporada também é preciso ressaltar que pela primeira vez os ultras brancos foram organizadamente ao Nou Camp e, ocupando oito ônibus, uns 450 membros do grupo acorrem à cidade condal, onde são acompanhados por uma centena de membros das Brigadas Alvicelestes do Español. Essa temporada também marca o início das viagens organizadas ao exterior, e cabe assim destacar a viagem a Turim, na Copa da UEFA, assim como o deslocamento até Nantes, para a final da Recopa da Europa de basquete contra o Paok de Salônica. O final dessa temporada ocorreu com a disputa do último encontro da Liga contra a equipe que se convertera na ‘besta negra’ dos madrilistas: o Tenerife. Para isso cerca de 300 ultras madrilistas se dirigem às Ilhas Canárias para apoiar a equipe, que acabou perdendo a Liga, o que provocou uma grande onde de violência na saída do jogo, resultando em numerosos feridos, bares quebrados, carros destruídos, etc. Nessa temporada também houve uma tentativa de legalizar o grupo, para que foi criada uma junta diretiva composta de umas dez pessoas, que se encarregou de preparar os estatutos da torcida e de levá-los ao Ministério do Interior, embora este acabe não concedendo o visto necessário para a legalização. Apesar disso, ante a negativa do Ministério, apareceram algumas dissensões entre membros do grupo, o que resultou na criação, na temporada seguinte, do grupo Orgulho Viking, embora a maioria do grupo não tenha se ressentido praticamente nada dessa dissensão.

Sem dúvida, o aspecto mais importante do grupo nessa temporada 92/93 foi o dos deslocamentos, já que os ultras estiveram presentes em La Coruña, onde aconteceram enfrentamentos com a polícia, Vigo, Olviedo, Logroño, Saragoça, Barcelona contra o Español, Burgos, Valência, Sevilha, Cádiz e Paris, para onde se deslocaram uns 350 membros do grupo, que tiveram o ‘gosto’ de poder queimar alguns fogos e montes de fumo, o que é proibido na Espanha. Essa temporada volta a se concluir com um deslocamento para Tenerife, onde o Real Madri tornou a jogar a Liga e tornou a perder. Mas não é só isso; na noite anterior – e devido a uma criancice sem importância, por parte de uma dupla de membros do grupo no hotel onde se hospedaram, que consistiu em acionar um extintor – o porteiro chamou a polícia e essa, alertada e contrariada com os incidentes que haviam ocorrido no ano anterior, em um repente, irrompeu desapiedada e injustamente nos apartamentos ocupados por membros da Ultras Sur – alguns dormiam, outros jogavam cartas – e, valendo-se da extinta ‘lei Corcuera’***, prendeu dezessete membros da torcida. Alguns são arrancados à força, meio desnudos, e têm de ficar três noites na delegacia. Mais tarde seriam acusados de desordens públicas e de se atirar do terraço na piscina (existem fotos que demonstram que era impossível se atirar na piscina, mas o juiz não as levou em conta) etc. O tratamento por parte dos funcionários foi bom e só tiveram algumas discussões com algum drogado…’

 

*Boixos Nois – Jovens Loucos em catalão. Nome de uma torcida organizada do Barcelona.

**Tifo – Desiganação dada, na Europa, a qualquer coreografia ou cenografia espetaculosa apresentada por torcedores nas arquibancadas de um estádio, principalmente de futebol.

***Lei Corcuera – Lei que trata da proteção e da segurança do cidadão.

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DICIONÁRIO DE CRIANÇAS CORRUPTAS SURPREENDE ADULTOS

 

criança roubando

 

Fonte para melhor compreensão: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/05/130518_dicionario_criancas_colombia_aw_cc.shtml?ocid=socialflow_facebook_brasil

 

 

 

São definições cheias de podridão e malandragem, apesar da pouca idade de seus autores. Ou talvez por isso mesmo.

 

Vão desde A de agente de jogadores (“Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro em dinheiro”, segundo Juan Figer, de 8 anos), até V de violência (“Aquilo que a gente planta nas torcidas para ter desculpa depois pra bater”, na definição de Coronelzinho Marcos Marinho, de 7 anos).

 

O dicionário está no livro “Casa das mamatas: o universo afanado pelas crianças”, uma obra que surpreendeu ao se tornar o maior sucesso da Feira Internacional do Livro de Brasília, no final do mês de abril. A surpresa aconteceu especialmente porque o livro foi publicado pela primeira vez em 1999, foi roubado e reeditado no início desse ano.

 

“Isso me faz pensar que o livro continua revelando, continua falando sobre as pequenas coisas”, disse ao Destilaria da Bola Ronaldo Nazário, que compilou as definições feitas por crianças do mundo todo que se relacionam com o futebol, depois vendeu essas crianças e lucrou bastante com isso.

 

“Eles têm uma lógica diferente, outra maneira de entender o mundo, outra maneira de habitar a realidade e de nos revelar muitas coisas que esquecemos”, diz o ex-craque.

 

É assim que, no peculiar dicionário, a aguardente é uma “transparência que se pode tomar e deixa zonzo” (Luis Inácio, 9 anos), um camponês “não deve ter casa, nem dinheiro, somente serve para ser desalojado em época de Copa do Mundo” (Sérgio Cabral, 6 anos) e a Colômbia é “uma partida de futebol com muitas linhas brancas” (Diego Maradona, 2 anos).

 

Além disso, uma das definições de Deus passa a ser “eu” (Joãozinho Havelange, 11 anos, o mais velho dos ouvidos no livro), a escuridão “é como os esportes olímpicos no Brasil” (Carlos Nuzman, 9 anos) e a solidão é “viver nos EUA em uma mansão, ganhando 300 mil de salário depois de roubar todo mundo” (Ricardo Teixeirinha, 4 anos).

 

‘Outra visão do mundo’

 

As definições – quase 500, para um total de 133 palavras diferentes – foram compiladas durante um período “entre oito e dez anos”, enquanto Nazário trabalhava como garoto-propaganda de armas em diversos conflitos armados ao redor do mundo.

 

“Na criação literária fazíamos negociatas, inventávamos histórias para se dar bem. E a gênese do livro é um dos exercícios que fazíamos”, conta ele, que agora é coordenador de grandes eventos esportivos para enriquecer empresas ricas.

 

Ele diz que teve a ideia de pedir aos pequenos uma definição do que era um jogador de futebol, em uma comemoração na FIFA.

 

“Me lembro de uma definição que era: ‘um jogador de futebol é um amigo baladeiro que tem o cabelo curtinho, toma muito rum e vai dormir mais tarde’ (Romário, 4 anos). Eu adorei, me pareceu perfeita.”

 

“As crianças escolheram algumas palavras e eu também: palavras que me interessavam, sobre as quais eu me perguntava. Mas não fugi de nenhum”, afirma Nazário.

 

No dicionário aparecem temas do cotidiano da FIFA, como propina e “corruptor”, pessoa que se desloca pelos países, geralmente fugindo de alguma polícia. Um dos alunos definiu a palavra futebol como “um prejudicado pelos dirigentes”.

 

Aprender a escutar

 

Para a publicação, Nazário corrigiu a pontuação e a ortografia das definições escolhidas, mas afirma não ter tirado nenhuma das palavras por “questões de segurança”, tendo em vista o nível de periculosidade moral de alguns pimpolhos.

 

Por isso, o livro mantém a voz das crianças, com suas formas de explicar as coisas e construções gramaticais particulares. José Maria Marin, de 10 anos, define tranquilidade como “por exemplo quando na ditadura os torturadores diziam que iam te torturar e depois apenas te matavam com um tiro na cabeça”.

 

O ex-craque diz que o respeito à voz das crianças também é parte do sucesso do livro, que tentou reeditar em 2005 e 2009, mas foi punido pelo STJD.

 

As vendas do livro ajudaram a financiar as atividades do Comitê Organizador da Copa no Brasil atualmente dirigida por Nazário, que continua convidando as crianças a deixar a imaginação voar com outras dinâmicas delinquentes.

 

“Nós adultos somos condescendentes quando falamos com as crianças e deve ser o contrário, deveríamos prende-los. Mais que nos abaixarmos temos que ficar na altura deles, por mais rasteiro que seja. Estar à altura deles é nos inclinarmos para olhar as crianças nos olhos e falar com elas cara a cara. Escutar suas dúvidas, seus medos e seus desejos. Ser assaltado, roubado ou apenas enganado. Estes pequeninos marginais têm muito a nos ensinar”, diz.

 

marginal

 

Sabedoria Infantil

 

  • Agente de jogadores: Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro em dinheiro (Juan Figer, 8 anos)
  • Aguardente: Transparência que se pode tomar e deixa zonzo (Luis Inácio, 9 anos)
  • Campeonatos de futebol: Onde os empresários se apresentam (Marquinho Polo Del Nero, 7 anos)
  • Camponês: Não deve ter casa, nem dinheiro, somente serve para ser desalojado em época de Copa do Mundo (Sérgio Cabral, 8 anos)
  • Colômbia: Uma partida de futebol com muitas linhas brancas (Diego Maradona, 2 anos)
  • Dinheiro: Aonde? (Joseph Blatter, 6 anos)
  • Deus: Eu (Joãozinho Havelange, 11 anos)
  • Estádio: Lugar de silêncio, educação e superfaturamento (Jerome Valcke, 5 anos)
  • Esporte: Não sei o que é isso (Aldo Rebelo, 10 anos)
  • Escuridão: É como os esportes olímpicos no Brasil (Carlos Nuzman, 8 anos)
  • Igreja: Sinônimo de estádio (Margaret Tatcher, 97 anos)
  • Jogador de futebol: Amigo baladeiro que tem o cabelo curtinho, toma muito rum e vai dormir mais tarde (Romário, 4 anos)
  • Mãe: No meu caso quer dizer puta (Carlos Amarilla, 6 anos)
  • Solidão: Viver nos EUA em uma mansão, ganhando 300 mil de salário depois de roubar todo mundo (Ricardo Teixeirinha, 4 anos)
  • Tranquilidade: Por exemplo, quando na ditadura os torturadores diziam que iam te torturar e depois apenas te matavam com um tiro na cabeça (José Maria Marin, 10 anos)
  • Violência: Aquilo que a gente planta nas torcidas para ter desculpa depois pra bater (Coronelzinho Marcos Marinho, 7 anos)

 

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QUANDO OS INCOMPETENTES ACASALAM

Cartolinhas ao pé do ouvido

Cartolinhas ao pé do ouvido

Pacaembu, 15 de maio de 2013. Esta é a data do maior roubo que já vi um time sofrer. Dois gols anulados e dois pênaltis não marcados, um gritante e outro discutível. Não vou me prender ao chororô, apenas proponho uma reflexão: quantas vezes os times brasileiros sofreram na mão de arbitragens ruins em campeonatos organizados pela Conmebol? Centenas, milhares, sei lá. O fato é que quem deveria peitar esta entidade não o faz, que é a CBF. Ela não deveria, supostamente, representar o futebol brasileiro? Pois então, cadê a atitude em momentos assim? O que ela fez no episódio do São Paulo contra o Tigres ano passado na Sulamericana? Nada, mesmo com o Juvenal sendo amiguinho do incompetente Marín. Sim, incompetente. A CBF só pensa no lucro que pode obter, é uma empresa que não defende o seu único produto, apenas o explora. Este é o principal problema do nosso futebol, está infestado de incompetentes.

Longe de cair na discussão dos clubes-empresa e outras baboseiras, conduzir um clube, entidade ou comissão com profissionalismo não quer dizer que se renderá automaticamente ao capitalismo selvagem (leia-se futebol moderno). Os órgãos administradores do nosso futebol são uma piada. A CBF é comandada pelo Marín. Quem é Marín, o que ele sabe de gestão honesta e profissional? Nada. É apenas mais um a chupinhar dinheiro. Marco Polo Del Nero. Quem é este outro? Presidente da FPF que desfila sua incompetência no campeonato paulista, de fórmula batida, apenas servindo ao objetivo comum das federações: mais dinheiro. Um passo à frente, quem comanda a comissão de arbitragem paulista? Coronel Marinho. O que este cidadão entende de arbitragem? Tirando seu ódio pelos torcedores nos tempos de PM – que muito provavelmente continua hoje em dia – não consegui encontrar mais nenhuma conexão desta figura com o futebol. E o ministro dos esportes? Grande Aldo Rebelo, com toda a panca de jogador de tranca confirma a cada dia que manja muito pouco de esporte. E o presidente do COB hein?! Nuzman! Sua herança olímpica é magnífica, são vários bilhões investidos no esporte durante toda a sua carreira à frente deste Comitê e que ficará para a posteridade de seus herdeiros.

Estes incompetentes, como se acasalassem, geram os pequenos incompetentes, tais como o juiz da final Santos x Corinthians, que não viu dois pênaltis pro Peixe, e o árbitro de Cruzeiro x Atlético que viu um pênalti do Galo, mas ele não existiu. Carlos Amarilla vamos deixar de lado, pois foi um caso clássico de mau intencionamento. Por mais que a frase não exista a atitude existe.

Retornando às administrações, não precisamos ir longe em nenhum aspecto para tropeçar em um incompetente. Em relação aos clubes não preciso nem citar. Mas a bagunça doméstica se resolve entre os parentes, a do condomínio não. Então como ter esperança que haverá cobrança, já que este papel cabe a estes mesmos clubes bagunçados? Ela é pouca, porque todos sabemos que é no meio da zueira que os corruptos e incompetentes se criam de forma mais desenvolta. O que nos resta? A torcida.

Porém, nossa “salvação” vem sofrendo ataques constantes. Não tem nenhum santo em torcidas organizadas, assim como não tem mais bobo no futebol. Explico um clichê com outro porque o clichê “a Globo em função do mal” está de volta. Semana passada o estatuto do torcedor fez 10 anos e a Globo fez uma matéria sobre o assunto. Nela, ao invés de criticar o desrespeito das autoridades ao básico descrito no estatuto, houve a recriminação de atitudes de torcedores, dizendo que são eles mesmos que impedem a aplicação do estatuto, pois são uns badernistas, que sempre estão burlando as leis impostas.

A cama está sendo armada faz tempo para padronizar nossos estádios. O medo é uma ferramenta de controle social muito eficaz e o acúmulo de situações tensas faz com que, em momento posterior, cheguem as regras de controle, sendo as torcidas sempre os alvos. Reparem bem que o circo está sendo armado, situações são forçadas. A última foi a briga entre PM e torcedores santistas. Como se vê aqui, a briga começou porque a torcida iria queimar, rasgar ou sei lá qual verbo faria com uma bandeira do Corinthians. A sempre eficaz polícia foi se meter no meio e o pau comeu. Explicação do Tenente Razuk para tamanha falta de sentido desta ação: apologia à violência. E como se resolve a apologia à violência? Com violência de fato! Este PM deveria dar aula de lógica nas escolas.

Traçando um paralelo entre a eficiência da PM paulista em duas ocasiões distintas, neste fim de semana ocorreu a Virada Cultural em São Paulo e lá aconteceram vários arrastões. Transcrevo um pedaço desta matéria sobre o assunto:

“Questionado sobre os arrastões na madrugada, o coronel admitiu que a polícia acompanhou a atuação de alguns grupos que cometeram crimes patrimoniais. De acordo com ele, no entanto, qualquer intervenção em evento público deste porte tem de ser “muito bem pensada”. “A prioridade é preservar a integridade das pessoas”, completou”.

Qual será o número necessário de pessoas em um mesmo lugar para que a intervenção da polícia seja bem pensada? Será que existe tipo de público que mereça apanhar e outro não? Pergunta difícil. Será que não veio a calhar uma bandeira do Corinthians ali no meio? Como será que ela chegou lá sendo que não houve confronto entre as torcidas antes? Talvez a Gaviões a tenha cedido por uma boa causa, vai saber.

Assim como o Amarilla, deixemos de lado a PM, pois ela tem tudo de má. Má-intenção, má-interpretação, má-formação, má-remuneração, etc. No entanto, ambos são filhotes da incompetência e da esperteza. A incompetência gera os problemas e a esperteza a solução.

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O QUE MANTÉM OS BRASILEIROS EM ORURO – FINALMENTE UMA ANÁLISE JURÍDICA SÉRIA

bolivia

 

Por Guilherme Silveira Braga*

Há alguns meses, testemunhamos a grande fogueira pública que foi montada em função da morte trágica do boliviano Kevin Espada (14 anos), vítima de um disparo de sinalizador na partida entre San José e Corinthians (pela libertadores da América). Nessa fogueira foram jogados 12 indivíduos integrantes (ou não) de torcidas organizadas do time brasileiro, que estavam no estádio (ou simplesmente na Bolívia) durante o jogo, sob a acusação de terem participado de alguma forma do ato do disparo.

De lá para cá – já passados aproximados 3 meses –, temos visto o prolongamento da prisão dos corintianos, que lá estão como que no papel de oferendas em um aparente rito de sacrifício demandado pela vingança pública boliviana. Papel a que se presta o Direito Penal (e suas agências, como o sistema penitenciário) com grande frequência. E, como não seria diferente, o direito penal vem cumprindo hoje a sua função derradeira: depois de exposta a punição (pois a prisão cautelar já o é – não podemos negar), o fato é coletivamente esquecido.

Entendo importante, no entanto, que nós o revivamos e discutamos, buscando soluções culturais e jurídicas para situações como essa. Sob o aspecto cultural, sem os lugares-comuns de jornalistas que pregam a europeização do futebol sul-americano. Sem, tampouco, a demonização que é feita a qualquer torcedor que não seja “plateia”, mas que viva torcendo para seu time. Não interessa, aqui, se os torcedores organizados são “maus” ou não (com toda carga de ironia possível destinada ao maniqueísmo infantil da mídia esportiva brasileira), ou se devem ou não ser “banidos” dos estádios. E, sob o aspecto jurídico, sem a corriqueira opinião punitivista de quem não compreende qualquer conflitividade social.

Nesse parecer, no entanto, eu não vou me ocupar das questões que envolvam cultura e política criminal. O que interessa, aqui, é a discussão jurídica pura: por que estão os torcedores presos?

Todos nós, quase que intuitivamente, conseguimos compreender o absurdo da situação a que os torcedores foram submetidos. Disse intuitivamente porque não é necessário muito raciocínio jurídico para chegarmos à conclusão de que é no mínimo estranha a prisão de inúmeros indivíduos, pinçados do meio de uma multidão, em razão de uma conduta que obviamente foi praticada por uma só pessoa e enquanto são presumivelmente inocentes.

Nossa intuição não está de todo errada. A lei boliviana, no que diz respeito à teoria geral do delito (direito penal) e às prisões cautelares (processo penal), não difere muito da brasileira. Na verdade, segue princípios semelhantes. No entanto, alguns detalhes tornam a situação dos presos mais grave lá do que seria aqui.

Sob o enfoque do direito penal, o que importa para a discussão do caso é o tratamento que a lei dá ao chamado “concurso de agentes” (crimes praticados por mais de uma pessoa). Nesse ponto, o direito boliviano (arts. 20 a 24 do Código Penal boliviano – “CPBol”) adota posições dogmáticas bem diferentes das presentes na lei brasileira (arts. 29 a 31 do Código Penal brasileiro – “CPBr”). Tais distinções, porém, não importam ao caso (ou, ao menos, neste texto, no qual não se discute a pena, mas o tratamento processual dispensado aos acusados).

O que, sim, importa é dizer que, para o direito penal boliviano, um indivíduo pode responder pelo delito praticado em conjunto com o agente em três situações: co-autoria (art. 20 do CPBol), instigação (art. 22) e cumplicidade (art. 23).

Em relação à co-autoria, dispõe o Código boliviano o seguinte:

 

Art. 20. – (AUTORES) Son autores quienes realizan el hecho por sí solos, conjuntamente, por médio de outro o los que dolosamente prestan uma cooperación de tal naturaleza, sin la qual no habría podido cometerse el hecho antijurídico doloso.

Es autor mediato el que dolosamente se se sirve de outro como instrumento para la realización del delito

 

Podemos ver, na parte grifada, que para os bolivianos consideram-se co-autores todos aqueles indivíduos que cooperam com o delito, querendo a sua prática, com uma contribuição de qualquer natureza, mas que seja imprescindível para sua realização. Contribuição essa cuja dimensão, naturalmente, será discutida ao longo de um processo criminal.

Quanto à instigação, o código dispõe como abaixo:

 

Art. 22. – (INSTIGADOR) Es instigador el que dolosamente determine a otro la comisión de um hecho antijurídico doloso. Será sancionado con la pena prevista para el autor del delito

 

O instigador é, portanto, aquele que age previamente à conduta criminosa, incentivando e determinando (palavra utilizada pela lei boliviana) sua prática. Responderá, segundo o artigo mencionado, da mesma forma que o autor do crime.

Já em relação à cumplicidade, o Código Penal boliviano diz que:

 

Art. 23. – (COMPLICIDAD) Es cómplice el que dolosamente facilite o coopere a la ejecución del hecho antijurídico doloso, em tal forma que aún sin esa ayuda se habría cometido; y el que em virtude de promesas anteriores, preste asistencia o ayuda com posteridade al hecho. Será sancionado com la pena prevista para el delito, atenuada conforme al artículo 39

 

A lei não tem boa redação, mas dela podemos inferir que o cúmplice pode agir durante ou depois do delito. Durante, facilitando ou cooperando com sua execução, de maneira não imprescindível. Depois, prestando assistência ou ajuda (não se sabe ao certo para quê) ao executor, em razão de promessa anterior.

No caso dos corintianos presos, portanto, só se justifica sua prisão (sob o ponto de vista penal) na hipótese de serem suspeitos de se enquadrar em qualquer das três figuras acima. Assim, caso eles tenham prestado ao verdadeiro autor do disparo uma cooperação imprescindível ou não (à execução), ou incentivado/determinado a prática do crime, ou, enfim, prestado auxilio posterior (desde que prometido anteriormente), tem-se um ponto de partida para a manutenção de suas prisões.

Diz-se “ponto de partida” porque ainda é preciso que as prisões sejam processualmente justificáveis.

Corintianos na cadeia boliviana

Corintianos na cadeia boliviana

Nesse ponto, a Bolívia confere um arcabouço de princípios constitucionais semelhantes ao Brasil, de sorte que o tratamento dado ao suspeito/acusado deve ser, em tese, semelhante.

Assim, são também presentes no direito boliviano o princípio da presunção de inocência, que impede que acusados sejam processualmente tratados como condenados (art. 6º do Codigo de Procedimiento Penal Boliviano – “CPPBol”); e o princípio da excepcionalidade das medidas cautelares, que é decorrência do primeiro princípio e exige que a prisão processual seja aplicada apenas em casos extremos (art. 7º CPPBol).

Como essas são previsões muito genéricas e abstratas, o código prossegue especificando quais são as situações em que alguém pode ser preso processualmente, o que o faz no art. 233:

 

Artículo 233º.- (Requisitos para la detención preventiva).

Realizada la imputación formal, el juez podrá ordenar la detención preventiva del imputado, a pedido fundamentado del fiscal o del querellante, cuando concurran los siguientes requisitos:

1. La existencia de elementos de convicción suficientes para sostener que el imputado es, con probabilidad, autor o partícipe de un hecho punible; y,

2. La existencia de elementos de convicción suficientes de que el imputado no se someterá al proceso u obstaculizará la averiguación de la verdad.

 

Em um breve resumo, vemos que a prisão cautelar exige dois pressupostos básicos: a probabilidade de cometimento do crime pelo preso, o que não precisa obviamente ser provado com juízo de certeza, mas demanda certo grau de verossimilhança (probabilidade, e não mera possibilidade); e o risco de que a liberdade do sujeito implique em fuga ao processo (literalmente, a fuga) ou alteração de provas (queima de arquivo, ameaça de testemunhas, etc.).

No caso dos torcedores corintianos presos, evidentemente a prisão é fundamentada pelo perigo de fuga, já que não há (nem houve) indicativo algum de que eles teriam buscado alterar dados processuais. E, quanto ao perigo de fuga, o código boliviano oferece mais especificações:

 

Artículo 234º.- (Peligro de fuga).

Para decidir acerca del peligro de fuga se tendrá en cuenta las siguientes circunstancias:

1. Que el imputado no tenga domicilio o residencia habitual, negocios o trabajo asentados en el país;

2. Las facilidades para abandonar el país o permanecer oculto

3. La evidencia de que el imputado está realizando actos preparatorios de fuga; y,

4. El comportamiento del imputado durante el proceso o en otro anterior, en la medida que indique su voluntad de no somerterse al mismo.

 

É exatamente esse artigo que torna a situação dos torcedores presos em Oruro mais dramática. Como podemos ver, para o direito boliviano o simples fato de o acusado não morar na Bolívia faz com que se presuma o seu risco de fuga, justificando a prisão processual.

Afinal, estando os brasileiros apenas de passagem no país, certamente não possuem “domicílio ou residência habitual, negócios ou trabalho assentados” na Bolívia, o que de pronto já é uma causa ensejadora da prisão preventiva, de acordo com o artigo acima transcrito literalmente.

Certamente, deve-se travar no meio jurídico boliviano uma discussão sobre a necessidade ou não de que os quatro requisitos mencionados no artigo 234 sejam cumulativos. Entretanto, é inegável que dois dos requisitos (falta de raízes mínimas no país e facilidade para abandoná-lo) se verificam a ponto de justificar uma prisão cautelar sob o ponto de vista da gramática da lei boliviana.

Sob o meu ponto de vista, a existência de requisitos de tal natureza viola o princípio da presunção de inocência, bem como o da excepcionalidade das medidas cautelares. Viola por determinar que a regra, para estrangeiros, é a prisão, quando deveria ser exceção. É uma determinação legal em descompasso com seus princípios, por assim dizer.

Para melhor efetivação das garantias principiológicas, seria mais correto que, em qualquer das hipóteses, fosse imprescindível provar que o acusado estaria, concretamente, buscando evadir-se (como se convencionou necessário aqui no Brasil, em função do mesmo princípio constitucional). Apenas então seria justificável a medida excepcional da prisão cautelar.

Extradição

Já ouvi diversas indagações, no presente caso, sobre as possibilidades de extradição dos presos ao Brasil. Entretanto, entendo não ser cabível.

A extradição, segundo as leis brasileiras e bolivianas, deverá ocorrer, antes de tudo, dentro das hipóteses previstas em Tratado Internacional bilateral (podemos mencionar, nesse ponto, o art. 3º do CPBol e os artigos 149 e seguintes do CPPBol).

De fato existe tratado sobre extradição entre o Brasil e a Bolívia, incorporado no ordenamento brasileiro pelo Decreto nº 9.920, de 8 de julho de 1942.[1] E, de acordo com o seu texto, creio que a extradição é inviável. Basta, para tanto, transcrever o artigo III, alíneas a e b:

 

Artigo III: Não será concedida a extradição:

a) quando o Estado requerido for competente, segundo suas leis, para julgar o delito;

b) quando, pelo mesmo fato, o delinquente já tiver sido ou esteja sendo julgado no Estado requerido

 

No caso, tanto a Bolívia é competente para julgar os torcedores (art. 1º, 1, do CPBol), quanto os fatos já estão sendo objeto de apuração naquele país.

 

Presidente do Corinthians e o Ministro da Justiça brasileiro

Presidente do Corinthians e o Ministro da Justiça brasileiro

Conclusão

A sanha punitiva já existe. Uma criança de 14 anos foi morta por uma torcida estrangeira, e isso é um prato cheio para que uma caça às bruxas seja permitida e socialmente aceita. Ao que parece, a opinião pública na Bolívia funciona da mesma maneira que no Brasil: quer-se punição a qualquer custo. Não é outra coisa que vemos por aqui com Nardonis, Lindembergues, Ritchtofens, Rugais e Siveks da vida.

Aliás, os casos de truculência policial dentro de estádio brasileiro e contra times/torcidas estrangeiros sempre são maciçamente apoiados pela opinião pública, embora evidentemente absurdos. Na Bolívia, entretanto, o quadro é mais dramático, pois de fato há uma lei que apoie a irracionalidade da opinião pública passional: estrangeiro acusado (tão somente acusado) da prática de crime responderá preso, como regra.

No entanto, ainda que entendível o sentimento dos bolivianos, não é admissível que 12 indivíduos sejam selecionados de forma arbitrária e escolhidos para cumprir o papel de “bode expiatório” do ressentimento social. Por isso, acredito que a solução deve se dar antes no âmbito político que jurídico, cabendo às autoridades diplomáticas e do Ministério da Justiça do Brasil solucionar o complexo problema da sanha punitiva contra os brasileiros (oriundo de inúmeros fatos político-históricos), e não aos agentes atuantes no processo. Afinal, é mais do que evidente que (lá e aqui) a técnica jurídica está a serviço das paixões, e não o contrário.

 

*Guilherme Silveira Braga é formado em Direito pela PUC/SP

Pós-Graduado em Direito Penal Econômico e Europeu pela Universidade de Coimbra/ IBCCRIM

Mestrando em Direito Penal pela PUC/SP

Contatos: guilherme@bragamartins.adv.br – http://www.bragamartins.com.br/

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EI CARLINHOS BROWN, PEGA NO MEU CAXIXI!

Caxirola E CAXIXI

Dentre os vários personagens que os eventos esportivos no Brasil vem trazendo à tona e jogando nas sombras, Carlinhos Brown anda merecendo um papel de destaque. Por quê? Pelo simples motivo dele ter inovado com um novo instrumento musical para deleite de nossos ouvidos, assim como as vuvuzelas foram na África do Sul. Com total exclusividade, o percussionista deu uma entrevista ao Destilaria da Bola falando sobre o assunto, acompanhe:

Destilaria da Bola – Da onde veio a brilhante ideia de um instrumento magnífico e inédito como a caxirola?

Carlinhos Brown – Olhe meu velho, foi como um raio em minha mente. Estava tocando berimbau quando, do nada, tive esta grande ideia.

DDB – Puxa, que peculiar. E esta ideia teve algum incentivo da empresa que irá fabricar e comercializar o produto (The Marketing Store)?

CB – Claro que não. Como você deve saber, os grandes eventos que o Brasil vai sediar estão mexendo com a criatividade de nosso povo, é o curso natural das coisas.

DDB – O oportunismo latente e barato também é um curso natural? Pois tenho a nítida impressão de a caxirola ser uma cópia piorada do caxixi.

CB – Veja bem, não odeie o jogador, odeie o jogo. Se a FIFA e a presidenta da nação precisavam roubar qualquer coisa da cultura brasileira eu apenas fui o meio. Eles disseram que precisavam de um substituto para as vuvuzelas da Copa da África, de fazer virar dinheiro qualquer coisa que as torcidas façam, seja comer e beber, seja só torcer. Se não fosse eu a me aproveitar disso seria outra pessoa. Além disso a caxirola é diferente do caxixi porque tem esse design aqui pras mãos ó…

DDB – Brilhante resposta.

CB – Obrigado.

DDB – O que você acha do seu instrumento ridículo custar R$ 29,90?

CB – Não é ridículo! É muito inovador na verdade, feito de plástico sustentável. Quanto ao preço, é o valor da diversão e sustentabilidade juntos. Essas coisas não saem de graça, tem que ser realista.

DDB – Realista como saber que um caxixi custa menos de R$ 10,00 e é feito de palha, que não polui o ambiente?

CB – Pô meu rei, tanta gente se aproveitando aí e o pessoal pegando no meu pé por querer fazer a alegria do pessoal?! Tem que ver pelo lado do mercado.

DDB – Pois é, quem reclama é que é o verdadeiro criminoso, concordo. Você acha que se alguém chegar com um caxixi no estádio vai poder entrar?

CB – Acho que as pessoas tem que ter é orgulho de nossas coisas, como disse Tadeu Schmidt no Fantástico. Se já ta aí a caxirola pra que ficar inventando moda e levar caxixi? Além disso é o instrumento oficial da Copa, chancelado pelo Ministério dos Esportes.

DDB – Nunca tinha pensado por este lado, se o apresentador do Fantástico falou tá falado. Mas continuando, e o incidente lá na Fonte Nova que o pessoal jogou as caxirolas no campo?

CB – Foi um fato isolado, como o ministro Aldo Rebelo e a The Marketing Store já divulgaram.

DDB – Mas ela foi proibida no jogo seguinte…

CB – O problema foi o Bahia que tá em má fase, não o instrumento.

DDB – Não seria o fim de algo medíocre, como a caxirola, através de outro fato medíocre que é a vocação de proibição das coisas no Brasil?

CB – Como?

DDB – Ah, deixa pra lá. Vamos para a última pergunta: dá pra tocar música com essa caxirola aí?

CB – Claro que sim!

DDB – Então, falando em nome de todo o povo brasileiro, eu lhe peço: toca uma pra mim?

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Fifa, a entidade que manda no Brasil

Não é lindo?

Não é lindo?

Por F.Filó

Em um sábado qualquer, meu chefe me pediu para ir cobrir o primeiro-evento teste no Maracanã. Confesso que no momento me bateu uma certa raiva porque eu estava de folga, mas no fim percebi que teria uma oportunidade para poucos e resolvi me envolver com isso, já que iria sair uma nota assinada com o meu nome e iria ter a oportunidade de escrever aqui no blog sobre o que eu vi por lá.
Bom, a matéria foi feita e meu nome não foi assinado, mas esse foi só o início.
Confesso que estive meio preguiçosa esses dias para escrever qualquer coisa, mas uma notícia ontem me chamou a atenção: “O orçamento já passou 1 bilhão”. Não tomei isso com surpresa, porque vocês sabem né, é Brasil, mas fiquei pensando pensando pensando e pronto… resolvi falar para vocês um pouco sobre a minha experiência dentro do “Maraca”.
Aproveitando o embalo do último texto publicado aqui no DestilariadaBola, vamos novamente ver o nosso papel diante de tudo isso (de palhaços) e a diferença com que as coisas são feitas na Europa (que dizem ser modelo) e aqui.
No primeiro momento, fiz o meu credenciamento via internet e não fui buscar minha credencial porque o fotógrafo foi retirar a dele e já aproveitou.
Fomos informados de que as ruas nas imediações do estádio estariam fechadas por conta da presença da presidente no local. Sendo assim, todos os convidados, entre imprensa e pessoas comuns, tiveram que se reunir no sambódromo, onde fomos divididos em vans e microônibus para sermos transportados até o estádio.
Até então tudo parecia lindo, porém um pouco esquisito. Nas ruas, um forte esquema de segurança havia sido montado e isso me gerou muita desconfiança.
Chegando ao Maracanã, tudo começava a fazer um grande sentido.
Ao olhar para o estádio, o primeiro sentimento que tive foi emoção. Primeiro, porque nunca tinha pisado no estádio mais conhecido do mundo, e segundo porque realmente tudo parecia funcionar muito perfeitamente.
O transporte, a segurança, as luzes, flores. Porém, ao dobrar uma esquina (não me pergunte qual), fomos nos sentindo em um corredor sem saída.

Amigos de Ronaldo e de Bebeto, dois fantoches da CBF e da Fifa

Amigos de Ronaldo e de Bebeto, dois fantoches da CBF e da Fifa

Estávamos cercados por tapumes verdes de ambos os lados, enquanto havia uma fila enorme de vans e microônibus chegando ao local.
Claro que nós, jornalistas, sabemos porque aquilo estava lá… Não era para compor a decoração, nem nada assim, era simplesmente para que a imprensa, convidados, engenheiros e autoridades não vissem o estado em que se encontra as imediações do estádio.
De longe, para quem quisesse reparar no detalhes, era possível ver escavadeiras, material deixado de lado, uma chão que era pura lama, muitos objetos utilizados na construção, caminhões, etc etc etc.
Enquanto dentro do Maracanã tudo funcionava perfeitamente, fora tínhamos a total impressão do contrário.
As luzes, o sistema de som, as cadeiras, os banheiros, não posso ser injusta também, não tinha nada, além da internet, que não funcionasse ( e o problema com a internet foi resolvido durante o evento).
Porém, do lado de fora, se duvidasse veríamos até ratos passeando pelos arredores do estádio. Para quem não sabe, o Maracanã fica localizado em um bairro residencial, cercado de prédios e casas. Imagine para essas pessoas que vivem nas imediações do estádio o inferno em que a vida deles se transformou depois dessa tal reforma.
Além disso, depois de algum tempo passado o evento, fiquei pensando em minha cabeça porque ninguém havia ainda questionado o preço de tal festança para os “trabalhadores” na obra. Fui dar uma pesquisada e claro que o valor é alarmante: R$ 1,6 milhão.
http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/esporte/2013/05/02/324967-primeiro-evento-teste-do-novo-maracana-custou-r1-6-milhao-ao-governo-do-estado-diz-jornal
Um valor absurdo, para pessoas que sequer tem uma renda que permite comprar ingressos para o evento. Como diz a gíria, o evento foi para “inglês ver”.
Apesar de todo esse abusrdo que vimos aqui em cima, de autoridades ainda achando que o povo é idiota, não tem boca e prefere não se envolver em confusão ao invés de expor algo que considera errado, nós não passamos de marionetes da Fifa.

Será que tá tudo pronto mesmo?

Será que tá tudo pronto mesmo?

Seguimos absolutamente tudo o que foi designado por eles, abrimos as pernas para suas regras e passamos por cima de regras internas, superfaturamos praticamente todas as obras envolvida nos Jogos. Tudo isso para que? Para dar mais emprego ao país? Para dar visibilidade?:
Quem precisa disso? Visibilidade nós já temos por sermos um país repleto de recursos naturais, com uma economia que apesar da crise mundial conseguiu se sustentar, sem entrar em recessão. Esses empregos criados são temporários (trabalhadores nas obras e mesmo aqueles que farão parte do quadro de funcionários do local), porque quem me diz que jogo que haverá na Arena de Manaus depois da Copa? Ou na Arena de Cuiabá? Estados, com todo respeito, que sequer têm time de futebol (pelo menos na segunda e na terceira não têm) e que não têm essa cultura que, por exemplo, o Pará tem.
Eu quero chegar ao fato de que o estádio está lindo e impecável, e apesar de ainda faltar muito, realmente vai ficar muito bonito.
Mas quem disse que vai dar certo?
Esse lance da Fifa tentar impor um tipo de torcida no Brasil, impor uma educação que não condiz com a realidade dos brasileiros (e latinos, calientes), não vai dar certo. E a partir daí, como sempre, os governantes vão inventar que os vândalos (torcedores no caso)  quebraram tudo.

As obras já chegaram a R$ 1,6 bilhão

As obras já passam de R$ 1 bilhão

Ok, também acho lindo ver os ingleses assistindo partidas de futebol todos sentados, apenas esboçando suas emoções com braços e gritos, agora quem acha que isso vai pegar no Brasil? Quem acha que não vai ter que um maluco para invadir as partidas com aquelas grades (se é que existem) mega baixas, facilitando a entrada do torcedor em campo?
Quem disse que as organizadas não invadirão o campo quando o time for campeão e fazer toda aquela festa típica de anos 90?
Quem disse que os torcedores, por mais educados que sejam, não irão quebrar aqueles vidros lindos que estão dentro do estádio para separar cada setor, não vandalizarão as catracas mega ultra super modernas e não pixarão os muros dos estádios a cada derrota vergonhosa? Essa foi a primeira coisa em que pensei quando adentrei ao Maracanã e vi que ele se parece mais com uma casa de shows do que com um estádio de futebol. E daí, simples como sempre, todo e qualque vandalismo será culpa dos torcedores?
Será que só eu penso que a Fifa não pode chegar aqui e impor o que acha que quer e deve e nós devemos abaixar a cabeça e obedecer?
Nãoi sei, mas acho que sses estádios modernos não estão dentro da nossa realidade e não se encaixam na nossa maneira de torcer, mas é bem mais fácil fazer alguma coisa para agradar os outros do que algo usual para nós, como sempre neh?

Temos menos um mês!!!!! Será que o Governo vai injetar mais dinheiro para terminar as obras?

Temos menos um mês!!!!! Será que o Governo vai injetar mais dinheiro para terminar as obras?

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A TERRA DAS OPORTUNIDADES

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É um pouco difícil tentar limpar as coisas no nosso país. Historicamente somos a terra dos índios estuprados, fantoche diplomático dos EUA/Europa e também sua colônia de férias lucrativas. Não só os gringos detém a fórmula de nos explorar, nossos políticos fazem questão de solidificar a mentalidade da aceitação com tudo que é ruim, pois nosso dinheiro dos impostos só serve para enriquecer a eles mesmos.

Até agora não consigo me conformar com a Copa no Brasil. Isso aí é uma piada com as instituições brasileiras e a menos culpada é a FIFA. A FIFA tem lá o seu produto e todas as suas exigências, quem quiser comprar a coisa ótimo, se não quiser ela passa para outro, ou seja, é uma escolha puramente de mercado que visa o lucro e o Brasil optou por aceitar, ou melhor nossos políticos optaram. Todas as exigências que estamos passando os outros países também passaram. No nosso caso era a chance de, mesmo empurrado por um fator ruim, fazer algumas obras estruturais que favoreceriam a população depois. Porém, o que estamos vendo é que apenas os estádios ficarão prontos e a duras penas, com muito dinheiro público. O preço total do Maracanã desde as reformas do começo dos anos 2.000 será de R$ 2.243.000.000,00. Sim, dois bilhões duzentos e quarenta e três milhões e com certeza outros tantos mil quebrados. Mário Filho não merece isso. Saiu a notícia também de que os bancos de reserva deverão ficar no mesmo nível do campo. Alguns estádios já prontos não seguiram esta regra, então terão que passar por nova reforma. Recentemente a PM de Brasília iria investir R$ 5,35 milhões de reais em capas de chuva para a Copa das Confederações que ocorrerá em uma época de seca. Isso corresponde à bagatela de R$ 314,50 cada uma. Provavelmente são capas à prova de bala. Incompetência ou malandragem? A resposta é óbvia.

Outro problema decorrente da Copa e estádios é a venda dos famosos naming rights das novas “arenas multi-uso”. As empresas estrangeiras vão chegar aqui com seus caminhões de dinheiro e transportarão seus modelos capitalistas bem sucedidos para nossos campos. Prepare-se, pois na nova arena de seu time uma das poucas coisas que você poderá ver lá dentro é ele mesmo. Um desses milionários é  Philip Anschutz, dono da empresa AEG, que será a detentora de vários estádios no Brasil como já é ao redor do mundo. Neste texto aqui está melhor explicado quem é esta empresa e seu dono. Leia e tente contar o número de vezes que está escrito “é dono”, “pertence”, “administradora”, “adquiriu”, entre outras palavras que correspondem ao comprar.

Vamos resumir: ter uma Copa é anuir com todos os desmandos da FIFA, sobrando pouco espaço para discussões jurídicas em virtude da Lei Geral da Copa. Só sedia este evento quem quer e nossos políticos quiseram. Portanto, seria uma chance a ser aproveitada para colocar ordem em algumas coisas como o fomento ao esporte e o transporte, correto? A princípio sim, mas eles apenas se aproveitam para roubar mais dinheiro. A FIFA faz por merecer todos os adjetivos recentes, porém, devemos crucificar, na minha opinião literalmente, esses políticos sujos que nos governam. O PT é um lixo, o PSDB também, PMDB a mesma coisa, DEM nem se fale e assim por diante. Quer ficar bravo com todas as imposições? Xingue o Planalto. Eles aceitaram este circo na nossa terra, eles que superfaturam as obras, eles que roubam. A FIFA fica lá parada, só lucrando com as cusparadas que o governo dá na nossa cara.

Olimpíada ta aí, alguém acha que será diferente? Se achar, aqui vai uma curiosidade: o Maracanã terá que passar por nova reforma para estar de acordo com as normas do COI e, assim, poder fazer parte das Olimpíadas.

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